Arrozeiros aguardam anúncios sobre a prorrogação das dívidas
Leilões de contratos de opção também movimentam o dia do setor.
Apesar do esforço dos parlamentares que compõem a bancada do agronegócio, o governo ainda não solucionou a principal reivindicação dos produtores de arroz, que é a compra do produto por preço compatível com o custo de produção, hoje em R$ 30,00 a saca de 50 quilos, lamenta o deputado federal Érico Ribeiro (PP-RS). Ele participou ontem de reunião na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Capadr) da Câmara dos Deputados e disse que já retomou as negociações sobre o assunto. “Infelizmente os agricultores chegam ao segundo semestre com escassas expectativas, inclusive sobre o custeio da próxima safra – sem definição”.
O parlamentar explica que o preço proposto pelo governo de R$ 24,00 à saca, há dois meses, atualmente significa R$ 22,00. Nos leilões, com o ágio, o valor acaba em R$ 20,00, o mesmo praticado no mercado. “Isso quer dizer que não se ganha nada”, assegura o deputado. Ribeiro reclama ainda, que até agora sequer foram resolvidos pontos básicos, como a liberação para importação de produtos agropecuários genéricos (ou similares), que podem significar economia entre 30% e 50% ao produtor. Além disso, o governo também não entendeu a necessidade de prorrogar a dívida agrícola – impossível de ser paga em um só ano.
Hoje, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realiza o terceiro leilão de Prêmio de Risco de Opção Privada (Prop) de Arroz em Casca, edital 242. Na operação, serão ofertados 4.630 contratos de 27 toneladas aos produtores. Destes, 3.843 contratos são para o Rio Grande do Sul e 787 para Santa Catarina.
Podem participar da negociação comerciantes e indústrias beneficiadoras de arroz que estejam, na data de realização do leilão, devidamente cadastrados perante a Bolsa por meio da qual pretendam realizar a operação, e em situação regular no Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores – Sicaf, no Sistema de Registro e Controle de Inadimplentes da Conab – Sircoi e no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin).
O valor máximo do prêmio de risco é de R$ 1.620,00 por contrato
de 27 toneladas ou R$ 3,00 por 50 quilos. O leilão de prêmio de risco será ofertado de forma percentual decrescente (prêmio máximo igual a 100%). O preço de exercício é R$ 12.960,00 por contrato de 27 toneladas ou R$ 24,00 por 50 quilos, para o arroz tipo 1, rendimento entre 57% e 59% de inteiros e no mínimo 68% de renda, aplicado ágio e deságio, de acordo com o produto entregue, com destaque de ICMS, se devido, e outros tributos de sua inteira responsabilidade.
A data de vencimento do exercício da opção é dia 15 de setembro, às 18h. A entrega deve ser feita entre 16 e 30 de setembro.
DÍVIDAS
Representantes dos agricultores pediram ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, na terça-feira, que se aceita a proposta de prorrogação das dívidas de custeio da safra 2004/2005, a rolagem seja feita por produto e não por datas. A proposta encaminhada pelo Ministério da Agricultura à área econômica do governo prevê que as parcelas vencidas e a vencer de junho, julho e agosto sejam pagas em março e abril de 2006.
A medida beneficiaria os produtores de arroz, soja, milho, algodão, sorgo e trigo. A intenção do Ministério da Agricultura era beneficiar, com a medida, os agricultores do Centro-Oeste e da Bahia, mas a lista foi ampliada. Durante sua visita a Bagé, na semana passada, o presidente Luís Inácio Lula da Silva, prometeu aos produtores o anúncio de medidas ao setor arrozeiro, após o leilão de arroz, que ocorre hoje.


