Arroz cai mais R$ 1,00 no Rio Grande do Sul

Mercado recua bastante e produtores estão céticos com relação à prorrogação de custeio
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A demora do governo federal em acenar com uma definição para a prorrogação das primeiras parcelas do custeio da safra 2004/05 e uma forte pressão de mercado fizeram com que por mais uma semana os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul caíssem de forma preocupante. Duas quedas foram registradas na semana que passou, totalizando, em média, R$ 1,00 por saco de 50 quilos para o produto padrão (58%) sobre os preços praticados na semana passada.

A principal perda foi verificada nas regiões da Campanha e Fronteira-Oeste, onde estão concentrados os maiores estoques de arroz ainda na mão dos produtores do Rio Grande do Sul. Quase todas as indústrias gaúchas, principalmente as cooperativas, saíram do mercado. Elas usam as cotações apenas como sinalizadoras de tendência e balizadoras de negócios futuros. Muitos produtores desistiram de esperar medidas do governo e resolveram liquidar os estoques para viabilizar a compra de insumos mínimos para a próxima safra.

Desde a última quinta-feira (25) as praças de São Gabriel, Rosário do Sul, Dom Pedrito, entre outras da região, operam com preços líquidos ao produtor na faixa de R$ 16,00 a R$ 16,50 para o saco de 50 quilos com 58% de inteiros. Alegrete, Uruguaiana, Cachoeira do Sul, Camaquã e Pelotas operam na faixa de R$ 16,50 a R$ 17,00 com sinalização de baixa. Em Uruguaiana, na última quinta-feira foi fechado negócio de 35 mil sacos por R$ 16,00 de preço líquido. Na região há oferta de compra de arroz para parboilizado (45% a 48% de inteiros) por R$ 16,20, mas para pagamento em 60 dias.

Em São Borja o arroz de variedades nobres acima de 58% de inteiros é cotado a R$ 19,50, mas também forçando tendência de baixa. Em Capivari do Sul, Santo Antônio da Patrulha e outros municípios do Litoral Norte, as variedades nobres já estão sendo cotadas a R$ 19,00 (63% de inteiros) e registram-se negócios até abaixo destes preços. O Sul catarinense opera com preços entre R$ 17,00 e R$ 18,00.

No Mato Grosso o mercado também parou esta semana. Poucos negócios são reportados e quase todos com arroz de baixo padrão e principalmente Cirad 141 com até 50% de inteiros. O saco de 60 quilos de arroz Cirad com 50% de inteiros vale R$ 13, 00 a R$ 14,00 posto em Cuiabá, com origem em Sinop, Sorriso e Feliz Natal (todas no MT). O arroz Primavera paga ao produtor, no máximo, R$ 18,00 o saco de 60 quilos com 50% de inteiros. O produto chega a Cuiabá entre R$ 19,50 a R$ 20,50.

Beneficiado

A semana também foi muito fraca para o produto beneficiado e refletiu a queda nos preços do casca. Há excesso de oferta no mercado, principalmente pela alta competitividade do arroz do Mercosul. O fardo de arroz gaúcho de 30 quilos, está chegando a São Paulo entre R$ 26,50 e R$ 34,00. Há grande volume de produto cotado entre R$ 27,80 e R$ 29,50 (final). O saco de 60 quilos de arroz beneficiado é vendido dentro do Rio Grande do Sul entre R$ 33,00 e R$ 36,00 em média, chegando a São Paulo por R$ 52,00 a R$ 55,00. O Cirad é cotado entre R$ 34,00 e R$ 36,00 e o Primavera entre R$ 44,00 e R$ 47,00.

Derivados

A procura por arroz quebrado para exportação continua muito grande no Rio Grande do Sul e mantém a cotação do canjicão entre R$ 23,00 e R$ 24,00. A quirera é cotada a R$ 20,00. No Rio Grande do Sul, boa parte dos produtores e mesmo a indústria não apostam em redução de área para a safra 2005/06, o que soma para aumentar a pressão no mercado.

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