Volumes são insuficientes para atender demanda de MT, diz Associação dos Produtores de Arroz

Conab admite que somente para MT seriam necessários R$ 80 milhões para aquisição de 15% da safra.

Cuiabá/MT – Os recursos de R$ 6 milhões para operações de Aquisição do Governo Federal (AGF) do arroz em Mato Grosso e mais quatro estados (Goiás, Maranhão, Pará e Tocantins) – anunciados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) – são insuficientes para atender à demanda da região.

A avaliação é da Associação dos Produtores de Arroz de Mato Grosso (APA), que está tentando junto à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ampliar o volume de recursos para a compra do estoque, calculado em 850 mil toneladas (t).

– Precisamos trabalhar juntos para conquistarmos uma fatia maior de recursos para AGF – afirma o presidente da APA, Ângelo Maronezzi. Segundo ele, em Mato Grosso é necessário que a Conab compre pelo menos 500 mil toneladas de arroz.

– Precisamos enxugar o mercado, pois o excesso de oferta está colocando o produtor em uma situação muito difícil. Ele não está conseguindo vender para se capitalizar. A nova safra está bem aí – argumenta.

Na opinião de Maronezzi, o governo Federal deve reforçar a sua política de manutenção de preços para que o produtor saia do sufoco e comece a planejar o plantio.

Para o produtor Odenir Ortolan, que planta arroz no estado do Pará – um dos estados que também participarão da divisão do bolo do AGF para a região – os R$ 6 milhões anunciados pelo Mapa “são insignificantes” diante da demanda dos produtores.

Segundo ele, só para o município de Santarém seriam necessários R$ 20 milhões. A região plantou 50 mil hectares de arroz e colheu 2,5 milhões de sacas. Atualmente, existem 2 milhões de sacas estocadas, o equivalente a 120 mil/t.

– A safra está sem escoamento e os produtores estão impossibilitados de plantar porque não estão conseguindo vender. O governo deve regular o mercado para evitar o caos no setor, alerta.

O produtor diz que plantou 1 mil hectares de arroz e colheu 50 mil sacas.

– Somando com as 30 mil sacas remanescentes de safras anteriores, o meu estoque hoje é de 80 mil sacas. Só para mim seriam necessários R$ 1,6 milhões.

CONAB

O superintendente regional da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Ovídio da Costa Miranda, admite que há necessidade de “enxugamento” de 300 mil toneladas de arroz do mercado mato-grossense para sustentar os preços este ano. Para tanto, a companhia teria que desembolsar, através de recursos da AGF (Aquisição do Governo Federal), cerca de R$ 80 milhões, garantindo a compra de mais 15% da safra de arroz, estimada este ano em 2 milhões de toneladas.

No período de janeiro a agosto deste ano, a Conab adquiriu 100 mil toneladas de arroz, num montante de R$ 30 milhões em AGF.

De acordo com Paulo Morceli, analista de mercado da Conab em Brasília, a companhia vem colocando dinheiro no mercado sistematicamente para a compra do produto no estado.

– O mercado que estiver com dificuldades é atendido imediatamente pela Conab, que aloca os recursos necessários para sustentar preços para o produtor – confirma.

Morceli disse que Mato Grosso, por se situar em uma região distante dos centros de consumo – com custo de frete mais elevado e preços de mercados inferiores – sofre com mais intensidade o problema das cotações.

Segundo ele, o produtor tem que entrar em contato com a Conab e informar a quantidade de produto que ele quer vender.

– Com base nessa projeção, a Superintendência Regional faz o pedido de recursos e a Conab aloca os valores.

RECURSOS

Na última terça-feira, o Mapa anunciou a disponibilização de recursos da ordem de R$ 40 milhões para AGF. Deste total, R$ 34 milhões serão destinados a Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

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