Conab pesquisa estoques privados
Sindicatos de produtores desconfiam que indústria está beneficiando arroz depositado por agricultores e substituindo por produto importado.
Porto Alegre/RS – Pela primeira vez, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) está realizando um levantamento dos estoques privados dos principais grãos produzidos no país. A experiência, iniciada pelo café, foi estendida neste mês às culturas da soja, do arroz, milho, trigo e feijão. O governo federal pretende utilizar as informações como instrumento para auxiliar na formulação de políticas públicas para o setor e na tomada de decisões. Conforme a companhia, a pesquisa de estoques privados foi permitida a partir da regulamentação da Lei de Armazenagem, em 2002.
Segundo o superintendente Regional da Conab/RS, Carlos Manoel Farias, o formulário está sendo remetido diretamente aos armazenadores e deve ser respondido à Conab, em Brasília. O questionário contém perguntas básicas sobre volume depositado, tipo de produto, capacidade e estrutura de armazenagem. Farias salienta que os dados serão publicados de forma global, com números por região, estado e país.
– A idéia é mapear estoques na busca de políticas favoráveis.
Num outro movimento envolvendo o mercado de grãos no Estado, pelo menos oito sindicatos rurais estudam o ingresso de ações judiciais para a verificação dos estoques depositados temporariamente pelo orizicultor nas indústrias. Segundo o presidente do Sindicato Rural de Tapes, Luiz Carlos Chemale, há suspeita de que as empresas estejam beneficiando o grão e repondo com produto do Uruguai e Argentina a preços inferiores.
Chemale argumenta que a manobra vem contribuindo para manutenção do preço baixo no mercado estadual, além de ser ilegal, pois o arroz não pertence à indústria. A ação prevê a inspeção por fiscais da Secretária Estadual da Fazenda para averiguar o recolhimento de ICMS. Representantes do Sindapel e do Sindarroz não foram localizados para comentar o caso.


