Lula usa economia para dizer que faz mais do que FHC
Presidente usa preço do arroz nos supermercados para dizer que a economia vai bem.
Belo Horizonte – Como parte da estratégia do governo de reagir à crise política e estabelecer uma “agenda positiva”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta quinta-feira, em Belo Horizonte, uma enfática defesa dos fundamentos da economia e disse que “o Brasil vive um momento virtuoso”.
Lula voltou a destacar os indicadores macroeconômicos, sinalizando que este deverá ser mesmo o principal mote de sua provável candidatura à reeleição no ano que vem. No início da semana, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o presidente já havia realçado os resultados da economia.
– Eu acho que o Brasil vive um momento virtuoso. O Brasil vive um momento, eu diria, não excepcional ainda, mas um momento acima da média que o Brasil viveu nos últimos 30 ou 40 anos – afirmou, ao participar de uma solenidade de assinatura de convênios na área da saúde, no Palácio da Liberdade.
Em seu discurso, no qual ignorou o escândalo político, Lula disse que o “círculo virtuoso” da economia precisa ser duradouro e esbanjou otimismo.
– Se nós conseguirmos fazer com que isso aconteça durante dez anos (…) nós estaremos, quem sabe, conquistando a possibilidade de levar o Brasil definitivamente para o centro dos países desenvolvidos. Olha, não existe nada impossível – afirmou.
O presidente disse que os resultados alcançados pelo seu governo contrariam previsões pessimistas.
– Qual era o economista brasileiro que poderia há um ano e meio atrás prever que nós íamos chegar a essa situação? Se vocês querem saber, leiam os colunistas econômicos de três anos atrás, ou de dois anos e meio atrás. E vocês vão perceber que não existe ninguém capaz de ter a sua verdade absoluta.
Lula, no entanto, não conseguiu entusiasmar a platéia, que reagiu com aplausos tímidos quando ele listou os atuais indicadores econômicos.
Economia e eleição
Em referência ao processo eleitoral de 2006, o presidente garantiu novamente que os rumos da macroeconomia não serão afetados. “Não haverá, durante o ano eleitoral, nenhum gesto que possa comprometer a seriedade com que tratamos a economia nesses três anos”, enfatizou.
– Nós tomamos a decisão de que não tem mágica em economia, não tem invenção. Tem seriedade – observou, alegando que esse compromisso ficou demonstrado com o aumento da taxa de juros às vésperas das eleições municipais de 2004 e quando, “de forma irresponsável”, o Senado votou o valor de R$ 384,00 para o salário mínimo.
– Eu disse que vetaria porque a Previdência não poderia pagar, os Estados não conseguiriam pagar e muitas prefeituras não conseguiriam pagar.
Ao encerrar sua fala, Lula fez um “um chamamento” aos “homens que têm influência” na política, na indústria e na imprensa mineira:
– Não permitam, em hipótese alguma, que o processo eleitoral, que vai eleger um nome apenas por quatro anos, estrague a oportunidade que esse país tem de se transformar numa grande nação.
ARROZ
Em outra parte de seu programa em Minas, Lula fez várias comparações entre seu governo e os oito anos de administração de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), na entrega da obra de duplicação da rodovia Fernão Dias, em Pouso Alegre (MG). Disse que, na sua gestão, crescem o emprego, o crédito e a poupança externa e só caem a inflação e o custo de vida.
– Em 2003, quando tomei posse, o saquinho de arroz Tio João, de cinco quilos, custava R$ 11, e hoje pagamos R$ 4,90 ou R$ 5,00 – destacou.
Lula sugeriu aos empresários presentes e aos estudantes que “estudam um pouco de economia” que comparassem os números da balança comercial brasileira nas duas administrações. Em 2003, segundo o presidente, o superávit comercial brasileiro era de “apenas” US$ 13 bilhões e as exportações “não passavam” de US$ 60 bilhões.
– Ontem, batemos o recorde histórico na história do Brasil, de US$ 112 bilhões de exportações em 12 meses, e um superávit comercial de R$ 41 bilhões. Vivemos um momento extraordinário – opinou.
Também na série comparativa, Lula repetiu os dados de crescimento do emprego com carteira assinada, valores por ele já citados em várias ocasiões, dando conta que, na gestão FHC, a média de empregos formais era de 8 mil vagas a cada mês, ao passo que, no atual governo, está em 105 mil empregos, “simplesmente 12 vezes mais do que no governo anterior”.
Agricultura e estradas
No financiamento da agricultura familiar, segundo Lula, enquanto na safra 2002/2003 foram liberados R$ 2,4 bilhões para a agricultura familiar, a safra 2004/2005 contou com verbas num montante de R$ 6,4 bilhões para este segmento de produção agrícola.
Estavam com Lula em Minas os ministros da Saúde, Saraiva Felipe, Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), Alfredo Nascimento (Transportes), Hélio Costa (Comunicações) e Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência).


