Estados Unidos cancelam votação sobre cortes de subsídios agrícolas
Decisão nos Estados Unidos poderá agilizar ações brasileiras na OMC contra subsídios à soja e ao arroz.
Líderes da Comissão de Agricultura do Senado dos Estados Unidos cancelaram a votação do projeto que previa cortes de cerca de US$ 3 bilhões em programas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), alguns deles relacionados a subsídios agrícolas, apenas algumas horas antes do início da sessão, prevista para hoje.
Sem dar explicações, a comissão informou que a sessão estava adiada e sem data para ser retomada. Um porta-voz disse que não poderia dar detalhes da decisão, anunciada pouco antes da meia-noite de ontem.
O presidente, Saxby Chambliss, anunciou ontem um documento com propostas de cortes que poderiam atender a pedidos feitos ao congresso, com o objetivo de reduzir os gastos do USDA em até US$ 3 bilhões nos próximos 5 anos.
O ponto central do plano de Chambliss era uma medida que cortaria o pagamento de subsídios agrícolas em 2,5%. O plano também poderia deixar para 1 de agosto de 2006 o final do chamado “Step 2”, programa de subsídio ao algodão.
A Organização Mundial do Comércio (OMC) decidiu no início do ano, em processo movido pelo Brasil, que esses subsídios violam as regras de comércio internacionais. Líderes republicanos têm reivindicado à comissão a prorrogação de tais medidas.
Chambliss, um republicano da Georgia, escolheu cortar o orçamento do USDA depois das fortes demandas por recursos após as passagens dos furacões Katrina e Rita, que também representaram um problema para a economia agrícola.
O presidente ouviu algumas reclamações sobre os cortes no orçamento durante uma reunião no final da tarde de ontem, com representantes de lobistas do setor agrícola e de associações que lutam contra a pobreza e a fome, mas a comissão informou que as exigências de tais grupos não influenciaram no cancelamento da votação.


