Dívida agrícola: deputados saem frustrados de reunião com ministro

Nos últimos dias, Rodrigues tem reclamado da falta de recursos para o setor agrícola, além de criticar os juros e a política cambial.

Parlamentares da bancada ruralista reuniram-se na manhã desta quinta-feira com o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, para discutir a rolagem das parcelas das dívidas do Programa Especial de Saneamento de Ativos (PESA) e da securitização que vencem em 31 de outubro. Os parlamentares defendem a rolagem desses débitos. No caso do PESA, a parcela é de R$ 150 milhões e, no da securitização, R$ 250 milhões.

A idéia é transferir a parcela de outubro para o final do contrato, que no caso da securitização é 2025. Cálculos da Comissão da Agricultura da Câmara dos Deputados mostram que o custo financeiro da renegociação dos débitos da securitização é de R$ 200 milhões. No caso do PESA, os vencimentos são anuais e pulverizados durante o ano. A estimativa é que 40% dos débitos do PESA que vencem neste ano têm pagamento programado para outubro.

Só seriam beneficiados pela renegociação os produtores que pagaram suas dívidas até o final do ano passado.

– Deixamos de lado a proposta de renegociação total das dívidas antigas e vamos insistir na renegociação das parcelas deste ano só para aqueles que estão adimplentes até 2004 – explicou o deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS), que participou da reunião com Rodrigues.

O argumento dos parlamentares é que se o produtor não tem condições de quitar as dívidas de custeio e de investimentos – ambas já prorrogadas pelo governo – também não terá recursos para quitar os débitos do PESA e da securitização.

– O ministro ouviu nossa proposta e disse que é solidário, mas lembrou que não tem conseguido muitos resultados – contou o parlamentar.

Nos últimos dias, Rodrigues tem reclamado da falta de recursos para o setor agrícola, além de criticar os juros e a política cambial.

– Por enquanto, ele ainda não pensa em deixar o ministério, mas está descontente – contou Heinze. “Não consigo resultados”, disse o ministro, segundo o parlamentar.

Outro assunto tratado na reunião foi a “promessa” de liberação de mais R$ 600 milhões para apoiar a comercialização de arroz, algodão e farinha de mandioca.

Em junho, lembrou o deputado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se comprometeu, em visita ao Rio Grande do Sul, a liberar esse total no segundo semestre.

– Já estamos praticamente em outubro e nada do dinheiro – comentou.

O acordo previa a liberação de R$ 400 milhões no primeiro semestre, o que foi cumprido pelo governo.

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