Sementeiras estão sem mercado no Mato Grosso
Queda está entre 30% a 40%. Redução de área atinge culturas da pauta de exportação: soja e algodão..
Cuiabá/MT – A venda de sementes para a safra 05/06, que já começou a ser plantada em algumas regiões do Estado, sofreu drástico recuo este ano por conta da crise que vem nocauteando o agronegócio desde o primeiro semestre. Muitas sementeiras falam em queda de 30% a 40% na comercialização de sementes e apostam em redução na área de plantio para as principais culturas da pauta de exportação, como a soja e o algodão.
O arroz, que tem suas vendas direcionadas para o mercado interno, deve sofrer um impacto maior nesta safra. A explicação das empresas que comercializam sementes é de que os produtores estão endividados e sem crédito para financiar a aquisição do insumo.
– A situação das sementeiras mato-grossenses é dramática – afirma o vice-presidente da Associação dos Produtores de Sementes do Estado (Aprosmat), Nélson José Vígolo.
Segundo ele, a demanda por sementes em Mato Grosso na próxima safra está estimada em cerca de seis milhões de sacas, caso seja confirmada a redução de 20% na área plantada. Vígolo informou que muitos produtores estão inadimplentes com as sementeiras e terão dificuldades para plantar. Ele acredita que o volume de sementes vendidas este ano não chega a representar 50% dos negócios realizados em 2004.
A sementeira Ipiranga, que atende as regiões de Lucas do Rio Verde, Sorriso, Sinop, Nova Mutum, Primavera do Leste e Alto Taquari, não está conseguindo fechar grandes contratos de venda porque falta liquidez no mercado.
– Os produtores não têm dinheiro para adquirir sementes – explica o diretor da empresa, André Carlos Adams, revelando que conseguiu vender até agora apenas 15 mil sacas de sementes.
Segundo Adams, a demanda existe, mas os agricultores estão impossibilitados de comprar sementes porque estão endividados.
Ele informou que a sementeira conseguiu vender até agora apenas 20% do que vendeu no período de janeiro de setembro em 2004.
– No ano passado, nesta mesma época do ano, já havíamos comercializado todo o estoque de sementes colocado à venda e recebido 95% dos valores contratados.
Este ano, segundo ele, Mato Grosso deve plantar bem menos que em 2004.
– A tecnologia também será baixa, com pouca utilização de adubos e herbicidas. Isso quer dizer que teremos uma severa queda de produtividade com a soja.
ARROZ
Com o arroz, a situação não é diferente. As empresas estimam que a venda de sementes poderá sofrer um recuo de 40% a 50% na próxima safra. A Agro Norte Pesquisa e Sementes, com sede em Sinop (503 quilômetros ao Norte de Cuiabá), constata um desaquecimento no comércio de sementes de arroz. Segundo o diretor da empresa, Pedro Luiz Maronezzi, este é um ano complicado não só para as sementeiras, mas para todo o setor orizícola do Estado.
Ele acredita que a queda na área de plantio poderá chegar a 50% este ano. Segundo ele, até agora a Agronorte consolidou 40% das vendas previstas para esta safra.
– No ano passado, já havíamos comercializado 60%. A verdade é que falta crédito para a aquisição de sementes e muitas lavouras estão com baixa aplicação de adubos.
Maronezzi informou que, de uma forma geral, o mercado não vendeu 50% do total comercializado no ano passado.
O diretor disse que com o problema da variedade Cirad 141 que não está conseguindo se enquadrar como longo fino o arroz Primavera deverá assumir a ponta este ano, respondendo por 60% a 70% da área que for de fato cultivada.
O período mais indicado para o plantio dessa variedade começou em outubro e vai até meados de novembro. A partir daí, os produtores vão plantar outras variedades, como Coringa, Cirad 141 e Colosso, que são mais resistentes à doença bruzone, o terror dos orizicultores.


