Atraso no plantio pode reduzir produção de arroz

O plantio da lavoura de arroz, que já está em fase de conclusão na maioria dos municípios gaúchos, ainda está longe de terminar no Vale do Rio Pardo.

O plantio da lavoura de arroz, que já está em fase de conclusão na maioria dos municípios gaúchos, ainda está longe de terminar no Vale do Rio Pardo. Em algumas regiões até agora somente um terço da área prevista já foi cultivada.

O atraso é sinal do excesso de chuva durante o mês de outubro, quando a maioria dos produtores realiza a semeadura. Em Santa Cruz do Sul, de acordo com dados da Emater, foram plantados 350 dos 1,6 mil hectares previstos. O resultado dessa demora deve ser notado no momento da colheita. De acordo com o extensionista da entidade, Edimar Segattor, o período ideal já passou. “A partir de novembro há riscos de a produtividade diminuir, mas muitos produtores vão acabar plantando somente agora. Isso pode afetar o desempenho da cultura”, alerta. Ainda não há estimativas de quebra, que somente poderá ser medida depois da colheita.

O agricultor Erli Eisenhardt, que tem uma lavoura na localidade de Reserva dos Kroth, é um dos que foi prejudicado pelas chuvas na época da plantação. Dos 200 hectares que ele previa para este ano, até agora somente 50 estão semeados. Essa demora, afirma, deve causar redução no redimento. Na sua propriedade as terras ainda estão com muita água, o que impede a entrada das máquinas.

Os números oficiais relacionados aos custos de produção e à área cultivada devem ser conhecidos dentro dos próximos dias. Está em fase de conclusão o Censo da Lavoura Orizícola, realizado pelo Instituto Rio-grandense do Arroz. Os questionários no qual são avaliados mais de 200 itens relacionados à cultura foram distribuídos no decorrer do mês passado. Em Santa Cruz a pesquisa está sendo feita pela Emater. Os resultados devem ser apresentados até a semana que vem.

Outro fator que pode comprometer a oferta do produto é a redução da área, que deve ficar 10% menor para a safra 2005/2006. Além disso, entidades ligadas ao setor alertam que o uso de insumos, como fertilizantes, deve diminuir neste ano por causa da descapitalização dos produtores.

ESTADO

O último levantamento divulgado pelo Irga na semana passada indica que no Rio Grande do Sul 37,88% do arroz foi plantado, o que confirma a tendência de atraso geral. A expectativa é de que o tempo melhore para acelerar a semeadura. No ano passado 54,32% da lavoura já estava semeada nesse período. O primeiro município a encerrar o cultivo foi Torres, que tem 6.615 hectares com arroz. A intenção de plantio passou para 1.020.923 hectares, o que confirma a tendência apresentada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de que o Estado vai ter 1.028.000 hectares. A previsão é de que a produtividade se mantenha em 6 mil quilos por hectare e que a safra chege a 6 milhões de toneladas.

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