Vai sobrar R$ 80 milhões do AGF gaúcho

Demanda pelo mecanismo de comercialização caiu por causa da reação do mercado. Dos R$ 103 milhões anunciados pelo governo, só .

Vão sobrar aproximadamente R$ 80 milhões dos R$ 103 milhões que o Governo Federal destinou para AGFs de arroz no Rio Grande do Sul. O anúncio foi feito, em Pelotas, pelo superintendente da Conab no estado, Carlos Farias, durante encontro com industriais, produtores e pesquisadores do setor.

Farias deixou claro que irá segurar ao máximo os recursos para que mais produtores tenham acesso ao mecanismo, mas destacou que muitos arrozeiros estão ligando para a Conab pedindo a devolução dos documentos que encaminharam para ter acesso ao mecanismo porque encontraram preços melhores no mercado.

– O mercado reagiu porque houve a destinação destes R$ 103 milhões para AGFs em novembro. Com esta reação, já começam a ser observados patamares de preços acima dos R$ 20,00 – que é o preço mínimo para o arroz no RS – e compensa para o produtor a venda direta no mercado.

Farias destaca que compensa aos produtores a venda direta o mercado até um pouquinho abaixo dos R$ 20,00 porque evitam o custo de depositar o produto em armazém credenciado, entre outras taxas.

– A boa notícia é que o mercado reagiu e o arroz está recuperando parcialmente o seu preço de mercado. A má-notícia é que estes recursos serão destinados para outros produtos se não forem usados pelo arroz – avisou.

O superintendente regional da Conab reconhece também que se os recursos fossem liberados dois meses antes, o mercado estaria regulado pelo preço mínimo desde setembro.

– Foram liberados R$ 105 milhões em agosto, setembro e outubro, mas em volumes mensais que não faziam o mercado reagir. Em novembro foram anunciados mais R$ 103 milhões de uma vez, o que provocou uma paulatina recuperação nos preços.

Segundo Farias, a indisponibilidade de recursos antes de novembro se deve a questões de política econômica que fogem à alçada da Conab e à competência do MAPA.

– A busca por estes recursos por parte do Ministério da Agricultura vem desde o primeiro semestre. Infelizmente o governo federal só liberou agora, no final do ano. Mesmo com algum atraso, foi uma medida decisiva para a recuperação de preços – destacou.

Em princípio, os recursos que vão sobrar no Rio Grande do Sul não poderão ser carreados para o arroz do Mato Grosso e deverão socorrer as áreas de trigo, algodão e outras commodities.

O técnico em planejamento da Conab, Paulo Morceli, acredita que os preços do arroz em casca deverão se manter acima do preço mínimo até fevereiro, quando começa a próxima safra agrícola. A Conab já adquiriu perto de 910 mil toneladas de arroz para os estoques públicos federais este ano. Outras 100 mil toneladas devem ser adquiridas no Mato Grosso até a safra.

A estimativa é que os estoques públicos ultrapassem 1 milhão de toneladas, restando pouco mais de 1,2 milhões de toneladas no mercado como estoque de passagem, volume menor do que o estoque de passagem 2004/05 e parte significativa de arroz de baixa qualidade.

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