Mercado segue movimentado no Sul

Algumas regiões estão mostrando mais aquecimento que outras no Rio Grande do Sul. Expectativa de fim da greve dos fiscais e entrada de arroz mais barato do Mercosul começou a travar negócios do beneficiado.

A semana que encerrou na última sexta-feira mostrou novamente aquecimento nos negócios de arroz em casca no Rio Grande do Sul, principalmente para as variedades chamadas nobres – BR Irga 409 e Irga 417 – e com alto percentual de grãos inteiros. Chegaram a ser praticados preços acima de R$ 26,50 no Litoral Norte para pagamento em 7 dias. A média na região, segundo fontes do setor cooperativista, está em R$ 26,00 firmes e com tendência de nova alta na semana que se inicia.

A razão desta pressão de mercado no Litoral Norte, segundo um consultor da região, é a falta de produto para “virar a safra” – garantir o abastecimento até fevereiro, pelo menos. Há informações de que o suprimento de arroz de altíssima qualidade – variedades nobres e percentual de inteiros acima de 63% – não deve passar do início de janeiro.

– Já existe pouco arroz de qualidade superior na mão da indústria local e dos produtores. E isso deverá pressionar ainda mais o mercado para cima – garante o dirigente de uma cooperativa local.

Como os preços do Litoral Norte subiram muito nas últimas semanas, as empresas de São Paulo e do Centro do País passaram a buscar arroz em outras regiões, aquecendo ainda mais o mercado na Zona Sul e na Fronteira. Isso gerou nova alta nos preços e Alegrete, Rosário do Sul, São Gabriel, Cachoeira do Sul e Bagé testemunham negócios acima de R$ 20,00 e algumas empresas fora do mercado. Ainda assim, as cooperativas e a maior parte das indústrias mantêm tabela na faixa de R$ 19,00 a R$ 19,50. Muitas delas com problemas para repassar os preços para o beneficiado, que é um processo muito lento até obter a aceitação dos atacadistas, supermercadistas e “empacotadores” de outras regiões.

Na Fronteira-Oeste o arroz de variedades nobres e com percentual de inteiros entre 59% e 62% é cotado por valores que vão de R$ 21,50 a R$ 23,00 e com grande pressão. Indústrias da região já perderam negócios para compradores paulistas por diferença de R$ 0,50 a R$ 1,00 pelo saco de 50 quilos do produto nobre. A concorrência vem forçando também a alta do arroz padrão 57% a 58% para uma faixa de R4 20,00 a R$ 21,00 em muitas regiões. Na Zona Sul, Pelotas e Camaquã já pagam R$ 21,50 pelo produto colocado na indústria. Mas há negócios de parboilizado (46% a 52%) por R$ 20,00 (CIF Camaquã). A indústria está aceitando pagar até R$ 0,50 de diferença de frete para receber o produto.

BENEFICIADO

O volume de negócios de arroz beneficiado no Rio Grande do Sul, esta semana, foi intenso até a quarta-feira. A partir de quinta-feira caíram significativamente os negócios e as consultas. Dois são os fatores que provocaram este cenário: Os compradores não estão aceitando o repasse que a indústria tenta forçar dos preços do casca para o beneficiado e a expectativa de que as fronteiras se abram para a importação de arroz do Mercosul com o fim da greve dos fiscais agropecuários. Atualmente, o preço de paridade do arroz uruguaio com o brasileiro é (R$ 20,31 – equivalência 50kg/casca – e em diversas regiões do Rio Grande do Sul o preço já é superior.

– Os compradores estão experimentando o mercado. Começaram segurar um pouco as compras na expectativa de comprar importado com o fim da greve dos fiscais – destaca um corretor da Zona Sul.

O arroz beneficiado gaúcho é cotado entre R$ 25,00 e R$ 31,00 (FOB) na maioria das marcas. Chega a São Paulo por preços que variam de R$ 27,50 a R$ 35,00 – exceto marcas líderes de mercado e diferenciadas.

A procura por arroz beneficiado em sacos de 60 quilos continua significativa. A cotação média no Rio Grande do Sul é de R$ 42,50. O produto gaúcho chega a São Paulo por valores entre R$ 53,00 e R$ 58,00.

DERIVADOS

Com o anúncio das dificuldades da indústria gaúcha para garantir uma exportação superior as 300 mil toneladas, os derivados voltaram a apresentar queda nos preços e os quebrados começam a formar estoque excedente. O canjicão é cotado a R$ 19,50 em algumas regiões e a quirera já baixou para R$ 18,50.

– O anúncio de que as exportações de quebrados estão chegando ao final refletiu drasticamente neste mercado. Em um mês o canjicão já caiu R$ 4,50 e a quirera R$ 1,50 – lembra um corretor da Zona Sul.

SOBE OU DESCE

O cenário da comercialização de arroz no Rio Grande do Sul para a entressafra deve definir-se nas próximas duas semanas, segundo análise dos principais consultores. Há quem aposte em alta – mesmo que tímida – até o final da safra, mas já começam a surgir aqueles que apostam na estabilização dos preços na praça gaúcha para a faixa dos R$ 20,00 e até mesmo quem argumente que o mercado de arroz perde fôlego nas próximas semanas.

Neste caso, os principais argumentos são: a “sobra” de 100 mil toneladas que seriam exportadas pela previsão oficial (quebrados e parboilizado) até fevereiro, o fato do mercado interno já ter superado os preços do produto Uruguaio – o que favoreceria uma importação em massa – , a redução do consumo nos meses de férias e o final dos estoques de arroz de qualidade superior em Santa Catarina, Mato Grosso e das variedades nobres gaúchas até janeiro. Por esta tese, só manteria preços bastante remuneradores – talvez até superior aos patamares atuais – o arroz com alto percentual de inteiros.

Estes consultores acreditam que as indústrias se abasteceram em novembro de maneira suficiente para atender o consumo de dezembro e janeiro, o que justificaria o aquecimento do mercado interno.

Quem defende a estabilização dos preços acredita que, basicamente, dois serão os fatores que influenciarão o mercado: a existência de R$ 80 milhões disponíveis para AGFs no Rio Grande do Sul e a paridade de mercado com o arroz uruguaio em R$ 20,31. Ou seja, o arroz gaúcho com 58% de inteiros permaneceria numa faixa próxima do mínimo.

SOBE

Os consultores que defendem uma tendência de alta nos preços do arroz acreditam que o Uruguai tem pouca oferta de produto para colocar no Brasil – bateu seu recorde de exportação para terceiros mercados – e o produto de melhor qualidade já foi exportado para terceiros países e mesmo para o Brasil no primeiro semestre. Sobraria, portanto, o chamado “arroz para combate”, e não de alta qualidade.

Há também o argumento de que a importação será menor do que as 700 mil toneladas divulgadas pela Conab, que o atraso na safra do Mato Grosso e de outras regiões que colheriam a partir de janeiro deverá prolongar a entressafra e que as indústrias ainda não estão abastecidas. O fato dos produtores ter plantado a nova safra e não haver mais pressão de venda para custear insumos, também seria motivo de alta nos preços. Por fim, o estoque superior a 1 milhão de toneladas do cereal formado pela Conab, tornaria o mercado mais competitivo.

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