Plantador de arroz emigra para o Paraguai
Sem área para expandir em Santa Catarina, famílias arrozeiras investem no país vizinho.
Rio do Sul – Assim como os colonizadores de Santa Catarina vieram da Europa com destino às mais diversas regiões do Estado, descendentes dessas famílias estão de malas prontas para reviverem essas imigrações históricas. Desta vez, a origem é o território catarinense, e o destino são terras alagáveis, propícias para o plantio do arroz irrigado, nas províncias de Missiones e Itapúa, no vizinho Paraguai. As famílias são do Vale do Itajaí, uma das principais regiões produtoras do cereal no País, que não conta mais com nenhuma terra disponível para o plantio da cultura.
A oportunidade de investimento na cultura do arroz está sendo gerada pelo próprio governo paraguaio, que sonha com um projeto de produção de cereal irrigado numa área de 150 mil hectares, às margens do rio Paraná. Os arrozeiros catarinenses estão sendo organizados pela Associação Agrícola Bela Aliança, com sede em Rio do Sul e desenvolve o Projeto El Visão, para a busca de novas terras para os agricultores, desde o ano passado.
Em novembro, uma comitiva de produtores e lideranças do Vale do Itajaí esteve no Paraguai e conheceu os experimentos de produção de arroz irrigado pré-germinado, cuja semente só é produzida em Santa Catarina e a tecnologia de plantio só era dominada no Estado.
Duas máquinas que fazem o plantio já foram importadas por produtores que imigraram para o Paraguai, com duas carretas de sementes. As exportações somaram US$ 90 mil, segundo conta o diretor-financeiro da Associação Bela Aliança, Joel Fronza. De acordo com ele, toda a semente usada pelos catarinenses no Paraguai será importada do Estado.
A partir do ano que vem, a expectativa é de que os produtores catarinenses plantem 3 mil hectares de arroz no Paraguai, numa média de 200 hectares por família, o que significa a imigração de pelo menos 15 famílias do Vale do Itajaí.
Os imigrantes, conforme Fronza, devem arrendar as terras, pagando 15% sobre a renda obtida – a metade do que pagariam em Santa Catarina, por áreas bem menores.
– Em Santa Catarina, nós chegamos no limite. A única saída é a procura por novas terras – assegura o dirigente.
O coordenador do Projeto Arroz em Santa Catarina pela Empresa de Pesquisa e Extensão Rural do Estado (Epagri), José Alberto Noldin, confirma que o Estado já atingiu o limite para a área plantada com o cereal. São 145 mil hectares, que rendem a terceira maior produção do País, de 1,045 milhão de toneladas, com a melhor produtividade: 7,5 toneladas por hectare.
Em algumas propriedades do Vale do Itajaí, há agricultores obtendo até 14 toneladas por hectare. Os arrozeiros, entretanto, estão assustados com as quedas cíclicas de preços e, no ano que vem, devem investir menos nas propriedades sem reduzir a área plantada.
A produção total de arroz no Paraguai corresponde a menos de um terço da catarinense. São 50 mil hectares com 300 mil toneladas ao ano. Para o coordenador do Projeto Arroz da Epagri, o principal desafio dos imigrantes será a prospecção de novos mercados. Ele lembra que o Brasil é auto-suficiente e avalia que se essa nova produção ficar no mercado regional – Mercosul principalmente – pode contribuir para manter os preços em baixa.


