Mercado estabilizado no Sul

Produtores e indústria em mais uma queda de braço por preços.

O mercado de arroz em casca gaúcho abriu a semana estabilizado com preços entre R$ 20,00 a R$ 21,00 – dependendo da qualidade e da região – para o arroz padrão (58%) e R$ 24,00 a R$ 25,00 (bruto) para o arroz de variedades nobres. Os produtores mostram-se bastante exigentes com relação aos preços de comercialização, forçando alta de R$ 0,50 a R$ 1,00 para o saco de 50 quilos. A indústria, por sua vez, esfriou a procura pelo produto e tenta forçar redução de R$ 1,00 a R$ 1,50 (50kg) nas negociações do início da semana, sob o argumento que não está conseguindo repassar os preços do beneficiado para o varejo.

É possível afirmar que a indústria está “experimentando o mercado”, a partir da reabertura das fronteiras do Mercosul após o término da greve dos fiscais agropecuários e da Receita Federal, há 10 dias. Há mais comentários sobre importações do que negócios efetivados. No final da última semana foi registrada pequena alta nos preços do Mercosul, acompanhando a alta do produto norte-americano. O beneficiado argentino subiu de US$ 310,00 para US$ 320,00 a tonelada (FOB Uruguaiana).

Agentes de mercado com significativo volume de negócios com o Mercosul informam que o Uruguai ainda tem cerca de 350 mil toneladas de estoques para exportação, mas que cerca de 150 mil toneladas estariam negociadas com terceiros países. Na Argentina, segundo estas fontes, os estoques seriam mínimos – de 50 a 100 mil toneladas. Os lotes recebidos na última semana pela indústria gaúcha não mostraram a mesma qualidade do primeiro semestre.

Um importador confirmou que a baixa qualidade do final dos estoques do Mercosul preocupa, pois há muito produto das variedades El Paso e Tacuary, que apresentam defeitos como gesso e “barriga branca”.

– Havia a expectativa de conseguir arroz de alta qualidade a bons preços, mas o padrão caiu. A maior parte do produto de alta qualidade do Mercosul foi importada pelo Brasil e por outros países nos primeiros seis meses depois da safra – registrou o diretor comercial de uma empresa da Zona Sul gaúcha.

Com base nestes dados, a leitura no mercado gaúcho é de que num prazo de 10 a 15 dias haverá nova valorização do arroz de variedades nobres e de alto percentual de inteiros. O estoque deste produto é baixo no Brasil e no Mercosul. No Litoral Norte gaúcho há poucos negócios de arroz Irga 417 e BR Irga 409 (50kg) com 63% de inteiros na faixa de R$ 25,00. O diretor de uma cooperativa regional garante que o estoque de produto com esta qualidade não chega a janeiro na região, fator que poderá interferir no mercado.

Em Uruguaiana, Camaquã, Pelotas e Itaqui são mantidos patamares de preços médios em R$ 21,50 (CIF/indústria). O arroz fraco, para parboilização, alcança até R$ 20,50 (CIF/Camaquã), com pressão para R$ 20,00.

BENEFICIADO

O mercado do arroz beneficiado abriu bastante frio esta semana no Rio Grande do Sul. O saco de 60 quilos é negociado na faixa de R$ 43,50 (FOB) em média. O fardo de 30 quilos do arroz tipo 1, dependendo da marca e da região, é negociado entre R$ 25,70 e R$ 35,50 – no caso de marcas top de mercado – (FOB) no estado. A média, no entanto, fica em R$ 29,00 (FOB/RS) com baixo volume de negócios. Muitas empresas aumentaram para cima suas tabelas (em cima de R$ 22,00/casca) prevendo uma alta esta semana, que não ocorreu, e também como mecanismo para segurar uma pressão de baixa. Os derivados também estabilizaram nos patamares da semana passada. O canjicão é comercializado a R$ 20,00 em diversas regiões gaúchas, mas com forte pressão em direção aos R$ 19,00. A quirera fica em R$ 18,00.

TENDÊNCIAS

O momento é de expectativa para o mercado do arroz brasileiro. Os estoques do Mercosul serão decisivos para a definição de preços no mercado nacional durante esta entressafra. O mercado do arroz em casca gaúcho está lendo a calmaria desta semana e da semana anterior como uma “tenteada” da indústria e do varejo em reduzir os preços, operando no limite mínimo de estoques.

Se por um lado há 15 dias foi anunciado que não serão concretizadas as exportações de 400 mil toneladas (ficarão em 300 mil segundo a indústria gaúcha), por outro nesta terça-feira a Conab anunciou que a safra brasileira será de, no máximo, 11,5 milhões de toneladas de arroz. Ou seja, 400 mil toneladas a menos que o levantamento anterior previa. O impacto, neste caso, foi positivo, antevendo a comercialização em 2006.

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