PR: seca já causou perda de 17,4% da safra de verão

Nesta safra, o Paraná possui uma área de 42.537 hectares de arroz de sequeiro.

Curitiba/PR – A Secretaria da Agricultura, por meio do Departamento de Economia Rural (Deral), divulgou ontem (24), em Curitiba, o levantamento sobre as perdas da safra de verão 2005/06. De acordo com os números, as perdas somam mais de 3,8 milhões de toneladas de grãos, o que representa 17,4% do potencial produtivo desta safra. Técnicos do Deral estimavam uma produção de 21,85 milhões de toneladas de grãos. Porém, com a estiagem, a produção atual está estimada em 18,05 milhões de toneladas.

SOJA

De acordo com a estimativa inicial, o Paraná deveria produzir 11,73 milhões de toneladas de soja. Mas devido à seca que atingiu a cultura em todo o Estado, houve uma redução de 14,3%. Com isso, a produção atual está estimada em 10,7 milhões de toneladas. A quebra é verificada principalmente no Núcleo Regional de Francisco Beltrão. Na região, 42,5% da produção está comprometida.

Segundo o levantamento do Deral, até o momento, o volume de soja que deixará de ser produzido é de 1,66 milhões de toneladas. Os quatro Núcleos Regionais mais prejudicados com as perdas na soja são os de Campo Mourão, Cascavel, Francisco Beltrão e Toledo, responsáveis por 60,36% da quebra atual.

MILHO

O milho da primeira safra foi a cultura mais afetada com a falta de chuva. Os números apontam um quebra de 22,2% na produção. De acordo o levantamento do Deral, a produção estava estimada em 9,35 milhões de toneladas. Mas segundo a estimativa atual, a produção não deve ultrapassar as 7,28 milhões de toneladas.

O Núcleo Regional mais afetado também é o de Francisco Beltrão. A quebra na produção chega a 63,8%. Já no Núcleo Regional de Pato Branco, a redução é de 38,8%. Com isso, na região sudoeste do Estado, as perdas devem ficar em 52,8%.

FEIJÃO

No caso do feijão das águas, as perdas da produção são de 17,8%. Os técnicos do Deral estimavam uma produção de 534.046 toneladas. Porém, ao somar os 3.015 hectares perdidos e a redução na produtividade do restante da área, a produção estimada atualmente é de 438.680 toneladas.

De acordo com o Deral, a produção pode ser ainda menor. Isto porque, até o momento, apenas 71% da área foi colhida. Isto significa que existem 100 mil hectares, em diferentes fases de desenvolvimento da cultura, para serem colhidos. O volume de feijão perdido é estimado em 95.388 toneladas. As perdas estão concentradas nos Núcleos Regionais de Curitiba, Guarapuava, Irati e Ponta Grossa. Nesta região, 40,7% da produção está comprometida.

ARROZ

Nesta safra, o Paraná possui uma área de 42.537 hectares de arroz de sequeiro. Com a estiagem, a redução na produção está estimada em 11,6%. O Núcleo Regional de Francisco Beltrão é o mais afetado. Nos Núcleos Regionais de Apucarana, Cascavel, Guarapuava e Pato Branco, as perdas variam de 22 a 28%.

Até o momento, a quebra na produção é de 9.534 toneladas. Os técnicos do Deral a consideram pequena se comparada à verificada na safra passada, quando os produtores do Estado deixaram de colher mais de 63 mil toneladas. O que representou uma quebra de 50% na produção.

PREJUÍZOS

Com a falta de chuva, estima-se que deixará de circular no Paraná, uma renda bruta de R$1,39 bilhão. No caso da soja, as perdas somam R$ 716,60 milhões. Já os prejuízos com o milho somam R$ 412, 80 milhões.

Quanto aos prejuízos com a soja, os Núcleos Regionais de Toledo, Francisco Beltrão e Cascavel são os que apresentam maiores perdas financeiras. Já os Núcleos Regionais de Francisco Beltrão, Pato Branco e Ponta Grossa são os mais prejudicados financeiramente com a quebra do milho.

Na região sudoeste, os prejuízos são de R$ 389,9 milhões. O Núcleo Regional de Francisco Beltrão registra a maior perda: R$ 270,4 milhões. Na região, o milho apresenta perda de financeira de R$ 181,05 milhões e a soja, R$ 153,63 milhões.

Na região sul, as perdas somam R$ 417,5 milhões. O Núcleo Regional de Ponta Grossa é o mais prejudicado, com R$ 147,36 milhões em perdas. Destes, R$ 50,68 milhões são com soja, R$ 47,96 milhões com milho e R$ 39,81 milhões com o feijão das águas. Já o Núcleo Regional de Toledo deixará de arrecadar R$ 125,95 milhões e o de Cascavel, R$ 116,62 milhões.

Na região centro-oeste, as perdas somam R$ 134,9 milhões. Na noroeste, R$ 69,1 milhões. No norte do Estado, as perdas são de R$ 128,3 milhões. No oeste, R$ 254,6 milhões.

MEDIDAS

Durante a reunião, o vice-governador e secretário da Agricultura, Orlando Pessuti, destacou a importância de se diversificar a produção agrícola.

– Se os produtores não partirem para a diversificação, concentrando toda a produção numa única cultura, os prejuízos tendem a ser maiores quando ocorrer estiagem, excesso de chuvas, geada, praga ou outro fator – afirmou.

No encontro, os participantes apresentaram e discutiram propostas na tentativa de minimizar os prejuízos causados pela estiagem e que já se acumulam há três anos. “

– Nós vamos produzir um documento, com as principais reivindicações. Ele será encaminhado aos deputados federais e senadores do Paraná, como também, aos representantes do Governo Federal, como os Ministérios da Agricultura e o do Desenvolvimento Agrário – disse.

Entre as reivindicações, estão a prorrogação de financiamentos de custeio e de investimento, que vencem em 2006, como também de dívidas bancárias, uma linha de crédito para quem deve a terceiros e a liberação de sementes para os produtores que não têm condições de comprá-las. Pessuti também ressaltou a necessidade de se discutir o pagamento da Bolsa Estiagem aos produtores.

O presidente do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslowiski, lembrou que a situação aflige os produtores.

– Principalmente, aqueles que estão vendo as suas dívidas se acumularem ns últimos três anos – afirmou.

Ele disse que espera que as propostas sejam atendidas pelo Governo Federal para tentar minimizar os prejuízos.

O representante da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Pedro Loyola, disse que o produtor vai precisar de fôlego para enfrentar os próximos anos.

– O Governo Federal precisa renegociar as dívidas – disse.

Segundo ele, seria uma maneira de compensar os preços baixos de produção e a queda do dólar.

Já o secretário-executivo da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep), Mário Plefk, destacou que a partir do recorde registrado no Estado em 2003, a produção paranaense só caiu.

– De lá para cá, tivemos longos períodos de estiagem – lembrou.

Ele defendeu a tomada de medidas porque os prejuízos aumentam a cada ano.

– Não adianta o Governo Federal só prorrogar dívidas. Ele tem que encontrar outras maneiras de minimizar a situação, principalmente, do agricultor familiar. É preciso encontrar saídas para manter o produtor na propriedade dele – disse.

Para o representante da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul), Marcos Rochinski, é necessário conviver com algumas medidas que amenizem a crise até que se restaure um projeto para a agricultura.

– Não adiantam medidas paliativas. É preciso que os governos federal, estadual e municipal discutam um novo modelo de agricultura para o País – disse. Rochinski também defendeu a diversificação da propriedade. Segundo ele, se os produtores continuarem optando pela monocultura, a crise atual não vai deixar de existir.

De acordo com o Deral, em 2003, o Paraná colheu 30,4 milhões de toneladas de grãos. No ano seguinte, em decorrência da estiagem, a produção caiu para 25,9 milhões de toneladas. Em 2005, o Estado colheu 22 milhões de toneladas de grãos.

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