Produtores se organizam em microbacias em Cachoeira do Sul (RS)
Depois de sérios problemas e ameaça de autuação pelo barramento de arroios afluentes do Rio Jacuí para irrigação das lavouras, arrozeiros de Cachoeira do Sul e região se organizam em comissões de microbacias.
As chuvas das últimas duas semanas regularizaram o nível dos arroios e rios afluentes do Rio Jacuí, na Depressão Central gaúcha. Mesmo assim a União Central de Rizicultores (UCR) e o Comitê de Bacia Hidrográfica do Baixo Jacuí mantiveram ações no sentido de organizar e conscientizar os produtores de arroz para evitar o barramento de arroios e rios para irrigar as lavouras de arroz.
O presidente da UCR, Gilmar Freitag, explicou que uma das alternativas encontradas para solucionar o problema já está em andamento. Os produtores estão sendo organizados pro microbacias, onde são escolhidos três representantes. Nesta quarta-feira reuniram-se com a UCR os representantes das microbacias do Iruí e do Piquiri, em Cachoeira do Sul. A reunião aconteceu na sede da Cooperativa Agrícola Cachoeirense Ltda.
– Estas comissões de produtores serão o contato de cada região com a UCR e com o Comitê de Bacia, na busca de soluções para problemas que eventualmente ocorram frisou Freitag.
Além de elencar sugestões, os produtores vão negociar nas comissões rodízios e meios de evitar a secagem dos poços dos arroios e, também, uma forma de manter pelo menos um terço do volume de água nos arroios e rios. Com apoio da Polícia Ambiental, da Brigada Militar, o Comitê de Gerenciamento de Bacia informou aos produtores que estão proibidos por lei de promover o barramento e o esgotamento dos açudes. Sob pena de autuação. Estas comissões vão gerenciar a irrigação e monitorar a vazão dos arroios.
Segundo Freitag, juntamente com as comissões das microbacias e o Comitê de Bacia, serão desenvolvidas ações de conscientização entre os lavoureiros, não apenas para a questão dos barramentos e das bombas de irrigação, mas também sobre a devida proteção ao meio ambiente e aos afluentes do Rio Jacuí.
Os produtores também estão reunindo sugestões para levar ao Comitê de Bacia. Uma delas é utilizar o exemplo do município de Cerro Branco, onde a Prefeitura Municipal e 52 arrozeiros construíram uma barragem próximo das nascentes de um arroio para captar água no inverno e abastece-lo no caso de uma estiagem muito forte ou alta demanda de água nas bombas de irrigação. A barragem já está com metade de sua capacidade hídrica e ainda não foi usada.
– Existem, em Cachoeira do Sul e Novo Cabrais, áreas próprias para a construção deste tipo de barragem, próprias para manter o nível dos arroios no verão e que podem também ter uma função econômica destacou Freitag.
Os produtores que usam água do Rio Botucaraí, liderados pelo prefeito de Cerro Branco, Jorge Hoffmann, formaram a primeira comissão. Os produtores de Agudo, que usam água dos arroios Hermes e Corupá, devem formar suas comissões. Em Cachoeira, uma comissão deve ser formada por arrozeiros que usam água dos rios Piquiri e Iruí.
FISCALIZAÇÃO
O sargento César Gilberto Kowalski, comandante do 2ª Grupo Ambiental da Brigada Militar, informou que nos meses de novembro e dezembro foram recebidas 30 denúncias de barramento de rios e arroios na região. Os policiais tiveram condições de fiscalizar cinco delas e puderam confirmar a irregularidade. Foram identificadas represas no Arroio Santa Bárbara e nos rios Irapuá, Iruí e Botucaraí. Em cada caso foi feito um boletim de ocorrência, que deverá ser encaminhado para o Ministério Público. As demais denúncias, conforme o comandante, ainda não puderam ser investigadas devido à falta de pessoal. O 2º GA tem apenas quatro policiais. O previsto, conforme o sargento Gilberto, são oito.


