Estiagem reduz expectativa de colheita em Santa Catarina

Mesmo com problemas climáticos, Conab estima que catarinenses vão colher mais que em 2005. Mas, só os arrozeiros melhoraram suas expectativas.

Milho, soja, feijão, não importa a cultura, o agricultor catarinense está menos esperançoso em relação à colheita dessa safra do que há dois meses atrás. Apenas os arrozeiros melhoraram suas expectativas. É o que mostra o terceiro levantamento e avaliação da safra realizado ela. Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O principal motivo para avaliações mais pessimistas é o clima que novamente se mostrou adverso em dezembro e janeiro. A estiagem não se aproxima a da safra passada, mas assusta.

Em novembro, os plantadores de milho estimavam plantar 814,4 mil para colher cerca de 3,5 milhões de toneladas, uma produtividade de aproximadamente 4,4 mil quilos por ha. Quase mil quilos a mais do que os campos conseguiram produzir na safra passada depois da forte estiagem. Agora, dois meses de clima seco em várias partes do Estado, a expectativa de produção caiu quase 300 mil toneladas e a produtividade já é 400 quilos por hectare menor.

A desesperança atingiu forte também os sojicultores. A estimativa de plantio se manteve, até porque as plantas já estão altas agora. São mais de 339,5 mil hectares cultivados. Mas a produtividade estimada já está 100 quilos por hectare menor do que antes, conseqüentemente, a expectativa de produção já é 50 toneladas menor do que a de novembro, quando a semente foi lançada na terra. Mesmo assim, a produção prevista para esse ano em Santa Catarina será 35,9% superior à safra passada.

O aumento da produção se deve ao estágio de desenvolvimento da soja quando ocorreu a estiagem desse ano”, explica o analisa de marcado da Agroconsult, André Debastiani. No ano passado a seca pegou os dois estágios reprodutivos – florescimento e enchimento de grão -, por isso o prejuízo foi maior.

Os agricultores que escolheram plantar feijão nessa safra também já reduziram suas expectativas em relação a novembro. E o clima está sendo fundamental na previsão. A área plantada se manteve em 123,5 mil hectares. Mas, a produção esperada agora é de aproximadamente 16,5 mil toneladas, contra uma estimativa de 161,3 mil toneladas em novembro. Ainda assim vai ter mais feijão no mercado. Na desastrosa safra passada, foram colhidos 115,5 mil toneladas nos 113,3 mil ha plantados. Um expectativa 35,5% superior à colheita passada.

“Hoje é um dos cultivos com maior rentabilidade”, afirma Debastiani. Isso ocorre porque a safra do Estado é o que está salvando o mercado nacional do desabastecimento no momento, depois de problemas nas outras duas principais regiões produtoras do País, Minas Gerais e Bahia. “Os produtores esperam ainda mais aumento, mas a segunda safra deve compensar”, adianta.

Os rizicultores são os únicos com motivos para comemorar por enquanto. A estimativa de produção nos campos de arroz de Santa Catarina cresceu mais de 10 mil toneladas na mesma área plantada entre novembro e aneiro. Um crescimento de 2,5% em relação à safra passada. Os produtores esperam colher cerca de 6,9 mil quilos por hectare plantado. Como no ano passado, a pouca chuva no mês de dezembro favoreceu a cultura, que precisa de bastante luminosidade para se desenvolver. Mas ainda assim a Agroconsult estima uma produtividade maior, de 6.900 quilos por hectare.

Deixe um comentário

Postagens relacionadas

Receba nossa newsletter