Santa Catarina: produtor pode ir à Justiça
A saída está sendo projetada pela Federação da Agricultura do Estado (Faesc) em parceria com a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), desde o começo desta semana, quando num encontro com lideranças do Estado o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, informou que a renegociação dependerá da área econômica do governo.
Os agricultores de Santa Catarina devem recorrer à Justiça para garantirem prorrogação ou renegociação das dívidas de custeio e investimento do ano passado, quando o setor sofreu com problemas como seca, queda nos preços e importação.
A saída está sendo projetada pela Federação da Agricultura do Estado (Faesc) em parceria com a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), desde o começo desta semana, quando num encontro com lideranças do Estado o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, informou que a renegociação dependerá da área econômica do governo. Os produtores de milho no Oeste e de arroz no Vale e no Sul estão entre os mais prejudicados e preocupados com o vencimento dos compromissos.
A CNA já havia proposto ao governo o pagamento de uma parcela de 20% da dívida de custeio de 2005 e do restante em quatro outras parcelas, mas não houve avanço nas negociações. O quadro se complicou com a confirmação da quebra da safra de milho e a ocorrência de novos problemas climáticos nos últimos meses.
– Perdemos 25% da produção no Estado e agora o produtor depende da prorrogação – disse ontem o vice-presidente da Faesc, Enori Barbieri.
Para ele, uma chuva de processos judiciais deve ser a saída para fazer o governo prestar atenção no setor. “Foi muito negativa a reunião que tivemos com o ministro. Sentimos que a agricultura perdeu espaço e representatividade no governo, que já avisou que não senta para negociar dívidas conosco”, explicou.
Barbieri chega a acreditar que o posicionamento é político-ideológico.
– Querem que todos sejam iguais. Querem que vendamos as terras, os tratores. Se esquecem do quanto esse setor é importante para o País.
A Faesc ainda não calculou o tamanho do possível calote, mas acredita que os processos, alegando falta de capacidade para pagamento, podem fazer o governo chamar o setor para negociar.
– É uma forma de pressão, para o setor se fazer ouvir – continuou.
A medida deve ser posta em prática na forma de campanha, envolvendo também outros estados com forte presença no desempenho agrícola brasileiro.
Os produtores de milho são os que mais dependem da negociação. Segundo o Centro de Estudos de Safras e Mercado (Icepa) a produção catarinense, inicialmente estimada em 4 milhões de toneladas, deverá cair para algo próximo de 3 milhões de toneladas. O déficit estadual do produto deve passar de 1,8 milhão de toneladas, mas os preços, atualmente na casa de R$ 14,60, não devem aumentar, dificultando ainda mais o pagamento das dívidas. A saca fechou contada em dezembro a R$ 13,67, bem longe dos R$ 20,00 pagos em meados em 2004 e que animaram o produtor a plantar.


