Semana de fraca comercialização no Brasil

Mercado vive momento de expectativa e poucos negócios expressivos.

O mercado de arroz em casca voltou a registrar uma semana de fraca comercialização e pressão baixista nos preços que, só não confirmou-se por que os produtores restringiram a oferta. No Rio Grande do Sul o arroz em casca (50kg – 58% de inteiros) foi comercializado em média por R$ 18,00. Produto de variedades nobres é negociado na Fronteira-Oeste na faixa de R$ 19,00 a R$ 20,00 – dependendo do rendimento – em Itaqui e São Borja. No Litoral Norte, com alguma pressão de compra de empresas do Sudeste e Centro-Oeste brasileiros o arroz de alta qualidade chega a R$ 22,00, mas com predominância de R$ 20,50 a R$ 21,00.

Cachoeira do Sul, Rosário do Sul, Dom Pedrito, Uruguaiana e Restinga Seca mantêm preços na casa de R$ 18,00. Em Uruguaiana e Alegrete registra-se forte pressão da indústria em busca de produto, mas cotando a R$ 17,00 (50kg – 58%) e R$ 16,00 o parboilizado. O parque industrial de Pelotas e Camaquã manteve preços de R$ 18,50 a R$ 19,00 pelo arroz colocado na indústria (CIF). O parboilizado, nestas condições, chega a R$ 17,00. Os produtores, exigindo R$ 18,00 líquidos estão deixando de ofertar, mesmo com a necessidade de fazer caixa para honrar as despesas de colheita. A pressão pela limpeza de armazéns registrada nos últimos 30 dias parece estar aliviando com a medida da Conab que começa a aceitar cadastro de produtores – pessoa física – para armazenagem no Rio Grande do Sul.

Em Santa Catarina a colheita está evoluindo bem, com os produtores registrando alta produtividade e boa qualidade nos grãos. Alguma oferta começa a surgir e movimentar o mercado regional, também em patamares de R$ 17,00 a R$ 18,00. A indústria catarinense, estocada por prever a falta do produto a partir de dezembro, segue buscando negócios de oportunidade com arroz gaúcho da safra passada, principalmente para parboilização.

No Mato Grosso o mercado esfriou muito. Nem mesmo o arroz primavera, que surgiu na abertura da colheita, em janeiro, com bons negócios na faixa de R$ 21,50 a R$ 22,50 em Cuiabá, conseguiu se sustentar. É cotado, na melhor das hipóteses, a R$ 20,50 posto em Cuiabá (CIF) o saco de 60 quilos com produto acima de 50% de inteiros e boa massa de grãos. O Cirad mantém alguma procura em produto manchado e de baixa qualidade, mas a indústria também repassa a pressão baixista que recebe do varejo paulista. Cirad de boa qualidade é cotado a R$ 16,00 (CIF – Cuiabá), mas praticamente não há oferta.

TENDÊNCIAS

A tendência do mercado para esta semana é de manter o padrão de preços, afinal o feriadão de Carvanal praticamente paralisou o já deficiente mercado. Há notícias de que empresas varejistas e atacadistas aumentaram as consultas de produto beneficiado. Ainda assim, não realizam negócios mais expressivos. No caso do produto em casca há grande movimentação de depósito e remanejamento de estoques, mesmo das cooperativas em direção às grandes indústrias, mas projetando negócios futuros.

A expectativa do mercado recai toda sobre os anúncios que poderão ocorrer na 16a Abertura Oficial da Colheita do Arroz, que acontecerá de sexta-feira até domingo em Itaqui (RS) e contará com a presença do ministro Roberto Rodrigues. Espera-se a manifestação oficial de que o governo federal garantirá o preço mínimo de R$ 22,00 para o saco de arroz de 58% de inteiros (50kg) e mais recursos para a comercialização em todo o Brasil. Durante o evento também deverá ser confirmada a promulgação, pela Assembléia Legislativa gaúcha, do Projeto de Lei 102, que ganhará nova denominação, mas terá o efeito de represar nas fronteiras gaúchas todo o ingresso do arroz do Mercosul.

A Lei Estadual determina a pesagem obrigatória e testes fitossanitários para identificar possível ocorrência de pragas e resíduos de agrotóxicos proibidos no Brasil no produto importado. Como a fiscalização aduaneira não dispõe dos equipamentos necessários, os produtores gaúchos vão exigir na Justiça o represamento do produto até que os agentes legais tenham condições de cumprir a lei. Durante o evento também a Câmara Setorial Nacional do Arroz realizará uma reunião extraordinária, onde deverá anunciar algumas diretrizes de curto e médio prazos para a política de preços e comercialização do cereal

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