Cascudos atacam lavouras de arroz da Zona Sul do Estado
Quantidade e voracidade da praga nas lavouras de arroz chegou a assustar os produtores.
Os prejuízos não chegaram a ser quantificados, mas o ataque do Euetheola humilis, o popular cascudo, que infestou as cidades, às lavouras de arroz chegou a assustar os produtores. A grande surpresa foi que os insetos começaram a atacar as plantas na sua fase adulta, quando a grande ameaça é a larva. O engenheiro agrônomo Ademir Amaral explica que o problema ocorreu em lavouras localizadas e desde o Uruguai.
Na região, foram relatados casos em Pelotas, Turuçu, São Lourenço do Sul e Jaguarão. Os casos mais graves, segundo o agrônomo ocorreram em São Lourenço do Sul, em que os prejuízos podem chegar a 5% (em torno de três a quatro sacos de arroz por hectare), em algumas lavouras.
Eles atacam principalmente as plantas localizadas nas taipas (partes mais altas), na região da coroa da planta, explica o técnico. De quatro a cinco cascudos provocam perda total na planta atacada, que seca e tomba. O técnico recomenda, nesta fase em que o arroz está em colheita, a armadilha luminosa, pois a luz descontrola o inseto que voa até a exaustão e morre. Em algumas lavouras, o alagamento resolveu o problema e matou os insetos por afogamento.
A escassez de chuva verificada em 2005 formou o ambiente ideal para a disseminação do inseto. O fenômeno é cíclico e segundo o técnico, não deve ocorrer no próximo ano. O tempo de vida é longo, de seis a nove meses no período larval e de ovo a adulto, dura de nove meses a um ano, diz. A falta de chuva e o sistema de plantio direto, pois os produtores não lavram mais a terra, impediram a ação dos pássaros, predadores naturais do coró, como é chamado na fase larval, o que propiciou sua disseminação.
INFESTAÇÃO
Nas lavouras do produtor Boaventura Knepp, em São Lourenço do Sul, o prejuízo é estimado em 2%. Ele planta há quatro anos, área de 400 hectares no município. Produtor há 21 anos, ele diz que nunca presenciou tal fenômeno nas lavouras.Ele procurou controlar a praga com a utilização de luz, o que não demonstrou grandes resultados. Quando a lâmina d”água está baixa é mais propício, pois eles preferem o lodo, diz. O prejuízo maior é verificado nas plantas que ficam em cima da taipa.
A infestação começou por volta de 20 de fevereiro, período mais seco, e acalmou com as chuvas. Nos últimos dias, houve nova infestação. O produtor espera que as previsões de chuvas para o final de semana se concretizem, o que deve amenizar mais uma vez a proliferação dos insetos.


