Semana curta e mercado morno

Mercado de arroz em casca segue fraco e com leve retração dos preços no Sul. No Mato Grosso, estabilidade e Cirad de boa qualidade. Transporte é que está complicado.

O mercado de arroz em casca, em pleno pico de safra no Rio Grande do Sul, voltou a indicar uma leve queda de preços, principalmente nas regiões da Fronteira-Oeste, Campanha e Depressão Central, onde a safra se encaminha para o final. A semana curta pelo feriadão de Páscoa apresentou no Rio Grande do Sul um leve aumento da oferta de arroz de velha e da nova safra. Muitos produtores começam, neste mês, a se defrontar com o vencimento de aviação agrícola, óleo diesel, peças e manutenção de máquinas colheitadeiras, tratores e implementos e, também, com custos de mão-de-obra temporária empregada na colheita. Desta forma, a expectativa para as próximas duas semanas é de uma pressão um pouco maior de venda.

O produtor de arroz gaúcho recebe entre R$ 15,50 e R$ 16,75 – líquidos – pelo saco de 50 quilos com 58% de grãos inteiros. O parâmetro de R$ 16,00 (líquidos) da semana passada já se tornou referencial de pagamento bruto, ou seja, incluindo desconto de taxas, impostos e outros custos na Campanha, na Fronteira-Oeste e na Depressão Central. No Sul do Estado, a safra mais atrasada ainda mantém os preços um pouco superiores a este patamar. Indica de R$ 16,50 a R$ 17,25 para o produto posto na indústria. Uruguaiana, Alegrete, Dom Pedrito, Cachoeira do Sul e Itaqui negociam o saco de 50 quilos na faixa de R$ 16,50 (FOB). Mas há muitos casos de negócios em patamares muito inferiores.

Grãos de variedades especiais ainda recebem preços mais atraentes em Itaqui e São Borja – entre R$ 17,35 e R$ 18,00 – e em Alegrete, onde foram confirmados negócios das variedades BR Irga 409 e Irga 417 por até R$ 18,75. No Litoral Norte, estas variedades com alto percentual de grãos inteiros (63%) continuam sendo negociadas na faixa de R$ 18,00. A variedade Irga 422CL, mesmo com 63% de inteiros, é cotada a R$ 16,50 no Litoral Norte. Esta tendência começa a ser identificada em outras regiões. A indústria alega que a aceitação do produto no mercado, seja ele legal ou pirata, não é a mesma das demais variedades. E começa a penalizá-la com deságio. Entre os produtores, no entanto, é comentário corrente que se trata de uma estratégia da indústria para desvalorizar a variedade predominante no Rio Grande do Sul.

Em Santa Catarina o arroz em casca teve mais uma semana de estabilidade de preços na faixa de R$ 16,50 a R$ 17,00 na região de Jaraguá do Sul e Joinville. No Sul Catarinense – Araranguá/Criciúma – o preço do arroz fica na casa de R$ 18,00 para sacos de 50 quilos (58% FOB).

MATO GROSSO

Apesar de registrar mais algumas perdas com as chuvas do final de março e início de abril, fator que provocou mais acamamento, a safra do Mato Grosso foi acelerada nos últimos dias e apresenta algumas novidades, como o surgimento de negócios da variedade Cirad 141 de muito boa qualidade e alcançando 57% a 58% de inteiros. O produto é negociado na faixa de R$ 18,00/60kg posto em Cuiabá.

Segundo Jorge Fagundes, da Corretora Futura, a semana abriu com uma oferta maior por parte dos produtores, mas também um aquecimento na demanda pela indústria do Mato Grosso. O preço do arroz Primavera, com 50% acima de inteiros manteve-se na casa dos R$ 21,00 (CIF-Cuiabá). A semana registrou um bom volume de negócios para a variedade Primavera da safra nova e o Cirad da safra velha (45% de inteiros).

MERCOSUL

No mercado de São Paulo há queixas significativas quanto ao transporte. A demora para a entrada de arroz argentino por falta de vagões, caminhões e repetidos casos de necessidade de expurgo de arroz velho e infestado de pragas está preocupando compradores do centro do país. A safra antecipada de soja no Paraná e no Mato Grosso e a grande safra de arroz no Sul está segurando os caminhões das principais frotas para transporte regional e escoamento da safra das granjas para a indústria e para os portos, reduzindo a disponibilidade de veículos para o transporte de longa distância. Esta situação está fazendo com que muitas indústrias operem praticamente com dois estoques. Um para beneficiamento e outro em trânsito.

Ainda assim, a indústria paulista está tendo vantagens na importação do Mercosul. O arroz esbramado uruguaio, por exemplo, é entregue em Jaguarão (RS) por R$ 460,00 a tonelada. Considerando os derivados, o produto fica em R$ 421,00. E as indústrias paulistas trabalham com ICMS de 12%, crédito presumido de 5% e uma vantagem adicional que lhes permite a compensação sobre o produto importado e o pagamento de apenas 2% de ICMS sobre o produto, segundo fonte importadora.

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