Colheita se avoluma e mercado o arroz não reage
Analista do Icepa, César Freiesleben Silva, identifica fatores que estão interferindo no mercado do arroz e traça o perfil dos preços nos últimos meses.
O prognóstico do IBGE do mês de março indica uma colheita de 11,16 milhões de toneladas (-16%) em pouco mais de três milhões de hectares (-23%), o que permite alcançar uma produtividade média de 3,68 quilos por hectare (+9%).
Esta redução se deve principalmente ao desempenho dos estados do Centro-Oeste, Norte e Sudeste.
A colheita de toda esta produção, no momento, já se encaminha para o final; Safras & Mercados a estima em 76% da área nacional.
O ingresso de todo este volume de produção no mercado, no caso gaúcho (82% de área colhida), já está saturando o sistema de armazenagem e secagem, até por causa do relativamente volumoso estoque remanescente da safra 2004/05.
Mesmo assim, até agora pouco tem influído na dinâmica do mercado e, portanto, pouco tem rebaixado seus preços.
Na atual conjuntura, os produtores e os segmentos beneficiadores e varejistas jogam suas fichas no retardo da comercialização do produto.
Os primeiros apostam nas medidas governamentais, algumas das quais já efetivas, outras ainda em negociação com os segmentos da cadeia produtiva.
Dentre eles, os leilões de Prop Prêmio de Risco de Opção Privada e de PEP Prêmio de Escoamento da Produção – a serem realizados no próximo dia 27 do corrente.
No leilão de Prop serão ofertados 1.482 contratos de 27 toneladas à indústria do Rio Grande do Sul e 740 para Santa Catarina.
Participam comerciantes e beneficiadoras de arroz.
O valor máximo do prêmio de risco é de R$ 2.862,00 por contrato, ou R$ 5,30 por saco 50kg.
O preço de exercício é R$ 12.042,00 por contrato de 27 toneladas ou R$ 22,30 por saco 50kg para o arroz tipo 1, sendo aplicado ágio e deságio.
A data de vencimento do exercício da opção é até o dia 12 de junho. A entrega deve ser feita entre 13 e 28 de junho.
No último leilão de PEP foram ofertadas 60 mil toneladas de arroz da safra 2005/06. Foi negociada toda a oferta – 50 mil toneladas para o Rio Grande do Sul e 10 mil toneladas para Santa Catarina.
O prêmio de abertura foi de R$ 139 por tonelada. Para Santa Catarina, o prêmio de fechamento foi igual ao de abertura, mas para o Rio Grande do Sul, foi de R$ 123 por tonelada.
Os produtores dos três estados mais produtivos mantiveram os preços recebidos pelos produtores relativamente estabilizados.
Nas principais praças gaúchas:
– 1º março/06, entre R$ 17,50/sc e R$ 18,25/sc de 50kg (Capivari, com 62% de grãos inteiros, a R$ 20,00/sc de 50kg);
– fim de março/06, entre R$ 16,75 e R$ 17,50 (Capivari, em R$ 18,25)
– hoje, entre R$ 16,50 (Pelotas, Uruguaiana, Alegrete e Cachoeira do Sul), R$ 16,75 (Santa Maria), R$ 17,00 (São Borja) e R$ 17,50/sc de 50kg (Capivari).
Nas principais praças mato-grossenses:
– 1º março/06, entre R$ 18,75 e R$ 19,75/sc de 60kg (R$ 20,75, em Tangará da Serra);
– de fins de março a meados de abril/06, entre R$ 19,00 e R$ 20,00/sc de 60 kg (R$ 20,50, em Tangará da Serra) e,
– hoje, entre R$ 19,00 (Sinop), R$ 19,50 (Sorriso, Rondonópolis, Barra do Garça e Água Boa), R$ 19,75/sc de 60 kg (Cuiabá) e (R$ 20,50/sc de 60kg em Tangará da Serra).
Nas principais praças catarinenses, os preços caíram R$ 0,50/sc de 50kg:
– em R$ 17,50/sc de 50 kg no Sul do Estado,
– em R$ 16,50/sc de 50 kg em Jaraguá do Sul e
– em R$ 16,00 desde o começo do mês em Rio do Sul.


