Indústria de máquinas amarga crise

Queda do dólar e retração no mercado interno derrubam projeções de venda e emprego no setor. Simers estima negociar 30% do total obtido em 2005 .

O freio do setor produtivo brasileiro nos investimentos em máquinas e implementos agrícolas e a queda do dólar, que reduziu drasticamente as exportações, acionaram definitivamente o sinal vermelho no Estado. Conforme o Sindicato da Indústria de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers) as principais empresas do setor estão dando férias coletivas aos seus funcionários.

A AGCO do Brasil, por exemplo, suspendeu, do último dia 2 até o final de junho, o trabalho na linha de montagem de colheitadeiras em Santa Rosa. Neste período, 250 funcionários ficam em casa, enquanto outros 125 continuam produzindo peças para tratores e CKD’s. Segundo a empresa, serão 30 dias de férias coletivas e mais 30 de descanso remunerado. Em nota, a AGCO afirma que produção de tratores não será afetada.

As indústrias não divulgam números oficiais, mas, no segmento de colheitadeiras e tratores, por exemplo, foram vendidas só 6.821 unidades entre janeiro e fevereiro, contra 8.674 no mesmo período de 2005. Do total, o mercado externo absorveu 3.029 unidades, 58,61% menos. A crise levou à revisão da estimativa para 2006.

– Devemos vender não mais que 30% do comercializado em 2005, que já foi ruim. É uma crise sem precedentes – alerta o presidente do Simers, Claudio Bier.

Conforme o dirigente, o quadro teria provocado a demissão de 7 mil trabalhadores no RS nos últimos meses, reduzindo os empregos diretos para 23 mil. O Simers está tentando a abertura de uma linha de capital de giro junto ao governo federal. O setor solicita ao presidente Lula que interceda junto ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para que parte das compras de 500 milhões de dólares feitas da Argentina sejam deslocadas para o Brasil.

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