Produtores de arroz se mudam para o Paraguai

Falta mais áreas de cultivo leva jovens catarinenses a buscar nvoa fronteira..

Jovens agricultores do Vale do Itajaí estão fazendo as malas para se mudar para o Paraguai. Eles integram um projeto conhecido como El Visão, que introduziu a técnica catarinense de cultivo de arroz na província de Missiones. Essa semana, um grupo de 90 pessoas, entre elas muitos jovens produtores e representantes de cooperativas catarinenses, esteve acompanhando o começo da primeira colheita de arroz irrigado em território paraguaio.

O resultado foi semelhante ao obtido em terras catarinenses e anima os produtores, principalmente os jovens a tentarem a vida fora do País, já que no Vale do Itajaí não há terras disponíveis para o cultivo de arroz e dividir as existentes com os pais e outros irmãos significa reduzir a renda da família.

A oportunidade de mudança e investimento na cultura do arroz está sendo gerada pelo próprio governo paraguaio, que sonha com um projeto de produção de cereal irrigado numa área de 150 mil hectares, às margens do rio Paraná. Os arrozeiros são organizados pela Associação Agrícola Bela Aliança, que tem como sede a cidade de Rio do Sul e desenvolve a busca de novas terras para os agricultores desde o ano passado.

O arroz plantado no Paraguai, com supervisão de técnicos brasileiros, em 94 hectares, rendeu uma média de 11,3 toneladas por hectare. Numa área de 40 hectares, que nunca tinha sido cultivada, as lavouras chegaram a produzir 13 toneladas por hectare.

– No Paraguai a média é de 4 toneladas no método convencional. Provamos que o sistema pré-germinado é mais eficiente, pois aumentamos a produção e reduzimos o custo de plantio, que ficou 35% menor – comemorou Joel Fronza, diretor financeiro da Associação Agrícola Bela Aliança.

De acordo com ele, a partir desse ano a expectativa é de que os produtores catarinenses plantem 3 mil hectares de arroz no Paraguai, numa média de 200 hectares por família, o que significa a imigração de pelo menos 15 famílias do Vale do Itajaí.

Os imigrantes, conforme Fronza, devem arrendar as terras, pagando 15% sobre a renda obtida – a metade do que pagariam em Santa Catarina, por áreas bem menores.

– Em Santa Catarina chegamos no limite. Temos famílias em que está o pai e o filho produzindo no mesmo local e a única saída é a procura por novas terras – assegura o dirigente.

Produtores do Alto Vale tem maior produtividade

Em Santa Catarina são cultivados 145 mil hectares, que rendem a terceira maior produção do País, de 1,045 milhão de toneladas, com a melhor produtividade: 7,5 toneladas por hectare. Em algumas propriedades do Vale do Itajaí, há agricultores obtendo até 14 toneladas por hectare.

Os arrozeiros, entretanto, estão assustados com as quedas cíclicas de preços e com a necessidade constante de investimento nas lavouras. Não teriam condições, com o resultado obtido nos últimos anos, de investir altos valores para a construção de novas áreas de produção em terrenos considerados, sem o devido investimento, impróprios para o cultivo de arroz.

Exportação

A navegabilidade do rio Paraná é outro ponto de suporte ao projeto “El Visão”. Os produtores envolvidos na proposta sonham com a possibilidade de exportar o produto, segundo conta Fronza. Iraque e China seriam os principais alvos depois da consolidação da atividade, em até cinco anos.

A produção total de arroz no Paraguai corresponde a menos de um terço da catarinense. São 50 mil hectares com 300 mil toneladas ao ano.

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