Crise atinge a indústria

É preciso vender mais para saldar os compromissos .

A crise enfrentada pelos arrozeiros está afetando a indústria do cereal. Com a baixa cotação do arroz, as empresas precisam comercializar mais para honrar seus compromissos. Assim, todo o mercado trabalha com um excedente maior de produto e como conseqüência a rentabilidade é menor, salienta Gustavo Trevisan, assessor da diretoria do Engenho Irmãos Trevisan.

O proprietário do Engenho Moraes, Antonio Alvori Moraes, salienta que em junho de 2004 os supermercadistas e atacadistas pagavam à indústria até R$ 54,00 pelo fardo de arroz.

– Assim, a empresa comprava do produtor pagando até R$ 41,00 pela saca do arroz em casca. Hoje, o mercado nos paga R$ 25,00 pelo fardo, o que viabiliza pagarmos ao produtor R$ 16,00 pelo arroz em casca – compara Moraes.

De acordo com Moraes, quando o mercado de arroz em casca atingiu um preço médio de R$ 40,00 há dois anos, muita gente começou a cultivar o cereal.

– Regiões que anteriormente não tinham interesse em plantar arroz passaram cultivar. Com o aumento de área e da produção e com o consumo interno estagnado, foi acumulando o estoque de passagem e o preço começou a despencar. Esse é um dos principais motivos da crise – salienta Moraes.

Além disso, ele considera a importação do produto do Mercosul a dólar um agravante da crise.

– Nossos irmãos argentinos e uruguaios têm a vantagem de custo bem inferior aos dos produtoras gaúchos, pois os insumos são muito mais baratos nos países vizinhos – enfatiza Moraes.

Para combater a crise, Trevisan salienta que é preciso o Governo disponibilizar os instrumentos de Aquisição do Governo Federal (AGF), o que manteria o mercado próximo dos níveis de R$ 22,00 a saca de 50 quilos, dentro da política de preços mínimos. Na avaliação de Moraes, a exportação de arroz, aliada à redução de impostos e da área cultivada, seria uma maneira eficiente de enfrentar a crise.

– Acho que a partir de 2008 o mercado deve ser bem melhor, remunerando ao produtor de arroz o preço justo pelo seu produto. Enquanto isso, só Deus sabe o que pode acontecer – observa Moraes.

Juntos, o Engenho Moraes e o Irmãos Trevisan beneficiam 4,5 mil toneladas de arroz mensalmente, vendendo o produto para vários estados brasileiros.

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