Paciência, a receita para superar a crise

Assim, o diretor do Irga aconselha que cada produtor venda somente o necessário e aguarde a recuperação do preço do cereal para comercializar o restante da safra, podendo assim ter renda para investir em uma nova lavoura.

O diretor comercial do Irga, Rubens Pinho da Silveira, afirmou ontem durante a 14ª Feira Nacional do Arroz (14ª Fenarroz) que a tendência é de que o preço do arroz tenha uma recuperação no segundo semestre, podendo a saca valer até mais do que o preço mínimo, R$ 22,00. Com esta expectativa, Silveira recomenda que os arrozeiros tenham muita paciência para enfrentar a crise. Hoje, com o arroz valendo R$ 16,00 a saca, os produtores estão descapitalizados e enfrentam grandes dificuldades para pagar as contas.

Assim, o diretor do Irga aconselha que cada produtor venda somente o necessário e aguarde a recuperação do preço do cereal para comercializar o restante da safra, podendo assim ter renda para investir em uma nova lavoura.

De acordo com Silveira, este ano o cenário é completamente diferente do ano passado.

– Em maio do ano passado, o mercado fazia uma leitura de que em junho deste ano sobrariam 2,1 milhões de toneladas de arroz. Assim, o mercado não se arrumou. Como já se sabia que iria sobrar arroz, não houve liquidez e o preço veio caindo – destacou.

Ainda segundo Silveira, “neste ano, temos um estoque inicial de 2,1 milhões de toneladas e a produção nacional de 11,7 milhões. Vamos importar 750 mil toneladas e exportar 400 mil. O consumo brasileiro será de 13 milhões de toneladas. Assim sobram, 1,2 milhão de toneladas, onde 955 mil já foram compradas pelo Governo Federal. Vai sobrar no mercado cerca de 300 mil toneladas. Assim, o preço vai reagir” – explica.

Apesar da expectativa para o segundo semestre ser boa, Silveira acredita que a safra 2006/2007 terá uma redução de área. No entanto, ele salienta que ainda é muito cedo para saber qual será a redução. As primeira áreas a serem eliminadas serão as menos produtivas e as que demandam maior custo de produção.

– O produtor está sendo penalizado por ser eficiente. Nas últimas duas safras, a produtividade aumentou 24%, mas o valor bruto da produção está três vezes menor. São R$ 3 bilhões que deixaram de circular – frisa Silveira.

Mesmo com todas as dificuldades, Silveira enfatiza que o arrozeiro precisa seguir com a atividade.

– Ele só sabe plantar arroz. A terra dele, a várzea, é área para plantar arroz. Toda estrutura que ele tem é para lavoura de arroz. Então, o arrozeiro acaba tendo de fazer uma ginástica para manter-se. Por isso ele não pode parar – observa Silveira.

A exportação, com câmbio favorável, é uma das alternativas para combater a crise.

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