Mercado com preços firmes, mas trancado
Feriado de quinta-feira e jogo da seleção na terça-feira encurtaram a semana. Poucos negócios no RS e preços aquecidos .
A semana mais curta pelo feriado de Corpus Christi nesta quinta-feira e pelo jogo da seleção brasileira de futebol, na terça-feira, confirmou a previsão de um andamento mais trancado para o mercado do arroz. Conforme previsto na análise da última sexta-feira, o mercado gaúcho do arroz em casca abriu a semana com cotações ampliadas entre R$ 0,80 e R$ 1,00.
Itaqui, Cachoeira do Sul, São Sepé, Rosário do Sul, São Gabriel, Alegrete, Dom Pedrito e Guaíba operam com cotações nominais na faixa de R$ 19,25 a R$ 19,50, mas os negócios só acontecem em pequenos volumes mais próximos dos R$ 20,00 para o saco de 50 quilos com 58% de grãos inteiros.
Há diferencial de preços em Itaqui (R$ 20,50) e São Borja (R$ 21,50) para as variedades nobres. No Litoral Norte, cotações na faixa de R$ 21,50 a R$ 22,00 em Capivari do Sul e Santo Antônio da Patrulha. Em Pelotas negócios confirmados na faixa de R$ 21,00 a vista para arroz padrão em lotes de 1,2 mil sacos colocados na indústria e R$ 20,80 para lotes menores. Para arroz em casca dirigido à parboilização a cotação média é de R$ 20,00. Ainda assim, poucos negócios realizados.
A indústria de médio e pequeno porte, bem como dos estados do Sudeste, Centro-Oeste e Norte/Nordeste brasileiros se mostra bastante compradora, tentando antecipar a alta semanal da matéria prima. Em pouco mais de um mês, o arroz gaúcho saltou de R$ 16,50 para R$ uma média acima de R$ 19,50. A expectativa de muitos agentes de mercado gaúchos é de que na próxima semana o arroz alcance a casa dos R$ 22,00, já colocado nas indústrias de Pelotas, Camaquã e na Fronteira-Oeste.
A alta continua sendo atribuída a três fatores: a falta de matéria prima nas demais regiões brasileiras, a política de priorização das exportações do Mercosul para terceiros mercados (mais remuneradores) e os AGFs e demais mecanismos que o governo federal passou a liberar para recuperar preços. É grande o movimento de produtores procurando AGFs, principalmente na Zona Sul e Fronteira Oeste.
A continuidade desta alta segue sendo uma incógnita. Pelo menos três fatores devem interferir diretamente nesta situação. O ingresso de arroz do Mercosul se os preços forem convidativos, o câmbio que pode facilitar ou dificultar o movimento de importação/exportação e os vencimentos das parcelas de custeio de julho que podem obrigar os produtores a entrarem no mercado ofertando. A concentração desta oferta num mesmo período pode travar a alta dos preços.
CUSTEIO
A necessidade dos produtores pagarem suas parcelas de custeio já criou uma nova alternativa de mercado. Indústrias da Zona Sul gaúchas estão ofertando a compra de arroz em casca a R$ 23,00 com vencimento no pagamento das parcelas de junho a novembro. Os produtores não estão aceitando, confiando num mercado acima destes patamares. Agentes de mercado acreditam que podem ocorrer alguns negócios na faixa de R$ 24,00, fechando uma média interessante para o produtor que tiver matéria prima disponível.
Daria para fazer uma média, comprometendo um volume de produto por preço acima do mercado atual e arriscando que fique abaixo do mercado de novembro, por exemplo. O restante do produto seria mantido para melhor oportunidade de negócios.
SANTA CATARINA
Nos municípios arrozeiros do Sul de Santa Catarina o arroz em casca é cotado entre R$ 19,00 e R$ 20,00. O mercado do Vale do Itajaí opera um real abaixo. O arroz beneficiado tem cotação de R$ 29,00 a R$ 30,00 para o fardo de 30 quilos, tipo 1, FOB/SC. O mercado também está bastante travado.
MATO GROSSO
No Mato Grosso os preços começaram a reagir, seguindo a tendência sulista. O cenário é diferente do gaúcho e catarinense, pois o estado do Centro-Oeste tem pouco arroz disponível para atender ao seu pólo industrial. A indústria está procurando mais, mas os produtores seguram a oferta e os preços ainda não permitem competir com o arroz mais barato que chega aos supermercados do Sudeste e outras regiões a partir do Sul. O arroz primavera com mais de 50% de grãos inteiros é cotado a R$ 22,50 posto em Várzea Grande/Cuiabá, mesma cotação do Cirad com mais de 50% de inteiros. Esta variedade, no entanto, praticamente inexiste para comercialização no Mato Grosso. O preço ao produtor está na faixa de R$ 19,00 o saco de 60 quilos.
OUTROS ESTADOS
O mercado do arroz em casca opera na faixa de R$ 22,00, em Barreiras, na Bahia, para o saco de 60kg do arroz de sequeiro. No Paraná, o produto irrigado tem cotação média de 23,50 para 60 quilos. O produto de sequeiro, segundo dados do Deral, fica na faixa de R$ 21,50 na média do estado.
BENEFICIADO
A semana começou com o fardo de 30 quilos, tipo 1, do arroz beneficiado gaúcho operando em um patamar mais alto, na faixa de R$ 29,00 a R$ 30,00 (FOB/RS) e final em São Paulo na faixa de R$ 32,00 a R$ 34,00 para 28 dias. A aceitação das novas tabelas da indústria ainda é baixa, mas crescente. Os compradores mais identificados com o mercado e melhor informados estão aceitando as novas tabelas e tentando realizar compras semanais para andar à frente dos preços. Podem abrir com reajuste de até R$ 1,50 na próxima semana.
Negócios confirmados com saco de 60 quilos (FOB/RS) na faixa de R$ 43,00. Muitas empresas, no entanto, tentam forçar o mercado pedindo R$ 46,00 a R$ 47,00 (sobre o parâmetro de R$ 22,50 do arroz em casca) para garantir a capitalização e recompra de matéria prima. Nas gôndolas dos supermercados paulistas praticamente sumiram as ofertas abaixo dos R$ 5,00 para o saco de cinco quilos do tipo 1. Expectativa é de que a partir da próxima semana os preços médios das marcas fiquem bem acima dos R$ 6,00 com ofertas na faixa de R$ 5,50.
DERIVADOS
O mercado de derivados segue morno no Rio Grande do Sul. O saco de 60 quilos do canjicão é cotado entre R$ 18,00 e R$ 20,00 dependendo da região e da qualidade. A quirera fica na faixa de R$ 14,50 a R$ 16,00 e o farelo é vendido a R$ 150,00 a tonelada.
MERCOSUL
A última semana foi de intensa negociação, sem grandes negócios, entre os agentes de mercado da fronteira gaúcha e do Mercosul. Há importações de beneficiado da Argentina confirmadas com preços na faixa de R$ 280,00 a tonelada (FOB/Uruguaiana). A equivalência para um saco de arroz em casca (50Kg) seria de R$ 20,60. Nesta sexta-feira, no entanto, a pedida castelhana subiu para R$ 295,00 a tonelada, preço que está sendo alcançando na exportação para terceiros mercados (FOB/ Buenos Aires).
Na equivalência com o saco de 50 kg, alcançaria R$ 21,70, preço que começa a tornar-se atraente para o mercado interno. O Uruguai está menos vendedor do que a Argentina. A grande indústria uruguaia encontra-se bastante empenhada em atender a terceiros mercados, onde está alcançando cotações significativamente superiores à brasileira com bom fluxo, principalmente Irã e Iraque. Para junho há previsão de mais três navios sendo embarcados para diferentes destinos.
As indústrias de menor porte seguem exportando em volumes menores para o Brasil, principalmente para Pernambuco e Rio Grande do Sul. Segundo um importante agente de mercado em Pelotas (RS), o Mercosul tende a forçar uma alta de preços para exportar ao Brasil, numa estratégia para garantir uma média maior de preços de exportação.
TENDÊNCIA
A próxima semana deve consolidar o preço de R$ 22,00 para produto posto na indústria de Pelotas e Camaquã, além do arroz de melhor qualidade no Litoral Norte brasileiro. Estes valores, no entanto, ainda ficam abaixo do preço mínimo ao produtor, que deveria ser de R$ 22,00 livres. Os negócios, em geral no estado devem ocorrer acima dos R$ 20,00.
A tendência de alta, no entanto, poderá ser travada pela paridade com o Mercosul que pode atrair maior volume de produto castelhano e aumento da oferta de arroz no mercado brasileiro e pela aproximação do vencimento da parcela de custeio. Os custos com preparação de área, que começam em julho também poderão forçar oferta. Por estes fatores, há expectativa de que o preço do arroz estabilize por alguns dias após bater no patamar dos R$ 22,00.


