Arrozeiros lamentam saída de Rodrigues

Setor entende que o ministro era um “amortecedor” entre o agronegócio e o governo federal
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A demissão do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, foi lamentada pelo presidente da Câmara Setorial Nacional do Arroz e dirigente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul, Francisco Lineu Schardong. Segundo o dirigente do agronegócio, o ministro está saindo num mau momento.

– Ele deveria esperar até o final do ano. A agricultura começa somente agora a colher algum resultado de seu esforço. Assim ele está arrumando a cama para outro deitar – disse Schardong.

Segundo o dirigente da Farsul, a tendência é mesmo do governo federal colocar um técnico de segundo escalão no ministério. Para Schardong, a mudança de ministro não vai mudar nada para a cultura do arroz até o final do ano. Ele considera que o ministro não perdeu seu prestígio junto ao agronegócio brasileiro e que, por esta relação, muitas vezes foi usado pelo governo como um “amortecedor” entre o setor e Palácio do Planalto.

– A prioridade agora é a urna e o governo vai entrar em campanha eleitoral. Não vai querer colocar lá um homem capaz de fazer ou desenvolver grandes programas estruturantes para o setor.

DESPRESTÍGIO – Para o presidente da Federarroz, Valter José Pötter, a saída do ministro não chega a surpreender.

– Baseando-se em vários momentos nos quais houve um trabalho direto do nosso setor com o ministro e seus técnicos, é fácil considerar que sua demissão foi provocada pela falta de prestígio e apoio ao seu trabalho por parte do governo federal. Com muito esforço o ministro Rodrigues conseguiu apenas algumas migalhas para o agronegócio, e mesmo assim são processos truncados que não chegaram ainda ao produtor – destaca Pötter.

O dirigente da Federarroz não acredita que a mudança de ministro mude alguma coisa para o agronegócio nos próximos meses.

– Estamos entrando num período eleitoral e na fase final de governo. Não vai entrar uma liderança ou político com respaldo suficiente para propor e viabilizar processos mais efetivos de apoio e recuperação do agronegócio – destacou.

Para Valter José Pötter, o agronegócio brasileiro está na lona e sem o devido apoio do governo federal. No caso do arroz, os preços de mercado continuam abaixo do preço mínimo que o governo federal deveria garantir ao produtor e mesmo este mínimo não cobre os custos de produção.

– É uma situação muito difícil que a saída de um ministro não vai mudar. É preciso mudar a forma com que este governo vê a produção agropecuária.

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