Mercado estabiliza e produtor volta a ofertar
A semana foi de poucos negócios, resistência do varejo às novas tabelas da indústria e produtores ofertando um pouco mais. Preços estabilizaram.
O mercado de arroz brasileiro teve uma semana de calmaria, mercado estabilizado e a retomada da oferta de produto em casca pelos produtores no Rio Grande do Sul, especialmente na Fronteira-Oeste, Campanha e Zona Sul. Ao contrário da expectativa inicial, a semana não confirmou a entrada das grandes redes supermercadistas no mercado para repor estoques e a indústria que já montava preços em cima de R$ 21,50 a R$ 22,00 do casca gaúcho, não conseguiu realizar negócios em volume significativo.
Na maioria das praças gaúchas o saco de 50 quilos de arroz com 58% de grãos inteiros é cotado a R$ 20,00. É o caso de Uruguaiana, Cachoeira do Sul, Alegrete, Rosário do Sul, Agudo, Guaíba e Santa Maria. Dom Pedrito, Bagé e São Gabriel, na região da Campanha, pagam em média R$ 19,70.
Pelotas e Camaquã, na Zona Sul, mantêm cotações em média R$ 21,50 pelo produto posto na indústria. O bom negócio na região é o arroz parboilizado, que chega a alcançar R$ 21,00 posto na indústria, diferença de apenas R$ 0,50 para o branco, segundo corretora local. Alegrete paga entre R$ 21,00 e R$ 23,00 por produto nobre com 60 de inteiros, enquanto Itaqui e São Borja pagam R$ 22,50.
No Litoral Norte gaúcho a cotação firmou na faixa de R$ 23,00 a R$ 24,00 para o produto com 63% de grãos inteiros e das variedades especiais. Há notícias de produto negociado por até R$ 25,00, mas de altíssima qualidade. Chamou atenção esta semana o fato dos produtores terem voltado a ofertar arroz, principalmente na Zona Sul e na Fronteira. Acredita-se que até o dia 20 de julho, a tendência é de que a oferta se mantenha. Segundo agentes de mercado, produtores com compromissos com os bancos podem ter se assustado com o fato da alta nos preços não ter se mantido nos últimos 15 dias e entraram ofertando produto no mercado.
PRESSÂO
Na Zona Sul, principalmente, a oferta de arroz do Mercosul cresceu significativamente. O produto argentino chega a Pelotas e Camaquã abaixo de R$ 21,80 (na equivalência casca/50kg). O arroz uruguaio também está conseguindo este nível de competitividade. A exigência de laudo sanitário e pesagem na fronteira, bem como a greve dos fiscais de aduana assustaram um pouco os exportadores do Mercosul, mas há uma expectativa de que a próxima semana seja de intensa movimentação de internalização de produto na fronteira. Há oferta de arroz esbramado na faixa de R$ 20,00 (equivalência casca), posto em Uruguaiana.
SANTA CATARINA
No Sul de Santa Catarina o mercado manteve preços no patamar de R$ 20,00 para o saco de 50 quilos (58%) ao produtor, segundo dados do Instituto Cepa. Na região de Jaraguá do Sul, o preço gira entre R$ 18,00 e R$ 19,00. Os produtores mantiveram o mercado pouco ofertado. O fardo do arroz beneficiado (tipo 1) catarinense é comercializado na faixa de R$ 31,00 (FOB Joinville) e R$ 30,00 (FOB Criciúma).
MATO GROSSO
No Mato Grosso a falta de produto já começa a fazer com que corretoras e indústrias estudem a importação de arroz esbramado argentino, via Cáceres, com preço final na faixa de R$ 27,00. O produto, com 60% de inteiros, seria para abastecimento das indústrias que temem a falta de matéria prima mesmo para abastecer o mercado mato-grossense. Os industriais seguem esperando pela liberação de estoques da Conab, mas já buscam alternativas. Os preços em Sinop e Sorriso para o arroz Primavera (60kg) com mais de 50% de grãos inteiros, ficam entre R$ 20,00 e R$ 22,00. O produto chega a Cuiabá por até R$ 24,50. Praticamente não existe oferta de Cirad, que alcança praticamente os mesmos preços com este padrão. Os produtores estão fora do mercado e as indústrias trabalham no limite dos estoques.
BENEFICIADO
O mercado do arroz beneficiado brasileiro trancou esta semana porque as grandes redes varejistas não estão comprando nos volumes esperados pela cadeia produtiva. As férias escolares que já começaram no Nordeste e outras regiões do país pode ser uma das causas, bem como a expectativa de abertura das fronteiras na próxima semana para volumes mais significativos de importação. Na próxima semana começam as férias de São Paulo para baixo.
O certo é que o mercado não está aceitando as novas tabelas da indústria e muitos negócios de maior volume foram fechados nos patamares da semana anterior. O fardo de 30kg do arroz gaúcho (tipo 1) é comercializado na faixa de R$ 33,00 a R$ 34,00 (final em São Paulo). Mas, os compradores forçam para os R$ 32,00. Marcas líderes trabalham na faixa de R$ 40,00 e os tipos extra já ultrapassam os R$ 46,00. O arroz beneficiado em sacos de 60 quilos tem baixo volume de negócios e o mercado do centro do país só aceita arroz da safra velha. Este produto é negociado a R$ 44,00 (FOB/RS) e R$ 61,00 a R$ 62,00 (final/São Paulo). O arroz da safra nova tem pequena movimentação e é cotado a R$ 40,00/R$ 42,00 (FOB/RS) para realizar negócios.
O descompasso entre a recuperação dos preços do arroz em casca (que beira os 30% em 40 dias) e o beneficiado (que a indústria só conseguiu repassar perto de 10%) é neste momento um dos principais gargalos da comercialização. Quando o produtor parou de ofertar por ter quitado a quase totalidade de seus vencimentos até maio e pela entrada de mecanismos de comercialização (AGF), a indústria aceitou pagar mais caro pelo arroz. E o produtor recuou mais esperando uma alta maior.
Os supermercadistas, que formaram os estoques atuais sobre preços construídos em cima de R$ 16,00 para o arroz em casca, não aceitaram o repasse dos mesmos patamares (estima-se que há três semanas de descompasso) e trabalham com estoques no limite além de terem buscando marcas alternativas a preços mais baixos para fazer média de preços e só compram o inevitável. A indústria encontra-se espremida entre uma pressão dos produtores que tentam alcançar ao menos o preço mínimo de R$ 22,00 (casca) para repor seus estoques e o varejo que não aceita o repasse e segura as compras ao máximo.
Nos supermercados paulistas, a expectativa em torno dos novos preços do arroz pode ser diagnosticada pelos tablóides de ofertas. O arroz sumiu da lista de produtos ofertados. O saco de cinco quilos das marcas de segunda linha continua na faixa de R$ 6,00 a R$ 7,00 nas gôndolas. As linhas top conseguem preços bem melhores.
DERIVADOS
Os derivados de arroz mantiveram os preços esta semana. O canjicão (60kg) é cotado a R$ 20,00 em média no Rio Grande do Sul, mas com vários negócios na faixa de R$ 18,50 a R$ 19,00. A quirera está cotada entre R$ 15,00 e R$ 16,00 dependendo da região, da qualidade, da finalidade e do comprador. O farelo (30kg) é comercializado entre R$ 6,00 e R$ 7,00. Segundo agentes de mercado, o Brasil está voltando a exportar quebrados com a partida de um navio para a África nos próximos dias.
TENDÊNCIAS
Apesar dos preços terem se mantido praticamente os mesmos nos últimos 10 dias no Rio Grande do Sul, as duas próximas semanas indicam ser decisivas para o mercado. A expectativa em torno da compra de maiores volumes de produto pelas grandes redes de supermercados nos próximos dias (apesar das férias escolares) persiste e há agentes que acreditam numa melhor receptividade de reajustes progressivos nas tabelas do beneficiado. Este é um gargalo importante para a indústria e com reflexos em toda a cadeia produtiva.
Dois outros fatores influenciarão decisivamente o mercado de arroz do Brasil nos próximos dias: o aumento da oferta de arroz do Mercosul em menor escala de importância e o volume de arroz que os produtores vão vender para honrar os compromissos de custeio de 20 de julho. O arrozeiro, principalmente o gaúcho, tem neste momento o estoque brasileiro em suas mãos. De acordo com o volume de arroz que ofertar nos próximos 20 dias, reagirá o mercado. Acredita-se que a partir do dia 21 de julho, o cenário mudará completamente.


