Produção de arroz tem queda de 70% em Santarém
Este ano apenas 400 mil sacas do grão serão colhidas no município.
A produção de arroz de Santarém este ano deve cair mais de 70% em relação aos mais de dois milhões de sacas produzidas na safra do ano passado. A expectativa é que pouco mais de 400 mil sacas sejam produzidas, uma redução brutal se comparado ao constante avanço da produção na região.
Os dados foram revelados pela Cooperativa Agroindustrial de Amazônia, com sede em Santarém, e que teme que falte arroz no mercado interno, já que são consumidas cerca de 420 mil sacas anualmente na cidade.
Para Luíz Assunção, presidente da cooperativa, os dados coletados nos principais armazéns da cidade foi desanimador. Depois da colheita de arroz praticamente ter acabado, os armazéns receberam apenas 400 mil sacas, contrastando com os 2,2 milhões de sacas produzidas na safra do ano anterior, que não tiveram mercado porque o preço estava baixo demais e o mercado brasileiro foi inundado com arroz barato de outros países. ‘São no mínimo R$ 40 milhões a menos do que deveria entrar agora na economia santarena’, diz.
Luíz diz que o máximo que a produção deva chegar é de 500 mil sacas e que esta queda se deu em virtude da crise do setor. Os produtores ficaram endividados, muitos não plantaram e, entre os que plantaram, a maioria não teve condições de usar tecnologias apropriadas, diminuindo a produtividade. Dos cerca de 60 sacas de média colhidas por hectare no ano passado, este número não deve chegar a 40 sacas por hectare este ano.
– Quem investiu muito em tecnologia colheu até 70 sacas por hectare, mas estes produtores representam cerca de 5% do total – informa o presidente da cooperativa.
Outro efeito da crise provocada pela super safra de 2005 foi a diminuição da área plantada em mais de 50%. No ano passado os produtores de arroz plantaram em um total de 56 mil hectares, mas este ano a área plantada não chega a 16 mil e algumas projeções apontam menos de 12 mil hectares de área. O resultado é que no campo podem ser vistas grandes áreas mecanizadas, mas que não possuem nenhuma plantação, sinal de que os produtores não conseguiram acesso a novas linhas de créditos.
A queda na produção deverá ter resultado imediato nas prateleiras de supermercados e no bolso dos trabalhadores, que deverão enfrentar uma alta considerável do preço do arroz, produto principal da cesta básica. Nos supermercados a tendência é que falte arroz no mercado interno e Santarém volte, depois de um longo período de auto-suficiência, a importar arroz.
Um gerente de supermercado da cidade informou que se prepara para importar arroz de outras regiões, porque a tendência é que a produção local não seja suficiente para abastecer a mesa do santareno. No ano passado, o santareno chegou a pagar menos de R$ 1,00 pelo quilo de arroz, mas este ano o preço deve mais que dobrar.
Pelo menos esta é uma boa notícia para os produtores que chegaram a vender uma saca até a R$ 12 no ano passado. Esta semana, segundo Luíz Assunção, o preço já está na média de R$ 20 a saca com pelo menos 50% de grãos inteiros.
– Mas este valor só dá para cobrir os custos – diz o produtor, explicando que o preço deve chegar rapidamente a R$ 30,00 ou R$ 35,00.
– Mas os produtores devem demorar uns dois ou três anos para recuperarem o prejuízo do ano passado – diz.
RANKING
Com a queda na produção, Santarém deve deixar de ser o maior produtor de arroz do Estado, título alcançado no ano passado segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o Instituto, o Pará ocupou em 2005 o quinto lugar na produção de arroz em todo o País, com 4,8%, atrás de Rio Grane do Sul (46,3%), Mato Grosso (17,2%), Santa Catarina (8,0%) e Maranhão (6,1%).
O IBGE informou que no passado o Pará teve uma área colhida com arroz de 296 mil hectares e uma produção de 631 mil toneladas, 0,8% abaixo da produção obtida em 2004. O rendimento médio dessa cultura foi de 2.116 quilos por hectare. O valor de sua produção foi de R$ 213 milhões. O município de Santarém se destacou como o maior produtor no Estado, com uma área colhida de 45 mil hectares e a produção de 123 mil toneladas.


