Arrozeiros em guerra com armazenadores por preços melhores
Fechar estradas volta à pauta da Federarroz neste final de semana. Produtores querem mais rigor na fiscalização dos estoques.
Os produtores de arroz do Rio Grande do Sul estão apertando o cerco para encontrar as falhas da cadeia produtiva que acarretam a desvalorização do cereal. Dar fim à manipulação descontrolada dos estoques é a mais nova bandeira de luta. Este debate não tem nada de novo, pois historicamente muitos armazenadores de grãos vendem o cereal sem a aprovação dos produtores.
A briga pelo controle dos estoques nas indústrias e cooperativas foi comprada pela Frente Parlamentar do Agronegócio (FrenteAgro), que recebeu a denúncia da União Central dos Arrozeiros (UCR).
Segundo Gilmar Freitag, presidente da UCR, a maioria dos produtores não têm sistemas para armazenagem própria e fica obrigada a depositar o arroz nos silos das indústrias ou cooperativas. A queixa da UCR foi levada primeiro ao conhecimento da Federação das Associações dos Arrozeiros (Federarroz), que voltará a discutir este assunto amanhã, em reunião que acontece na cidade de Dom Pedrito. Na mesma reunião, as lideranças vão discutir o retorno das barreiras nas estradas para travar o ingresso de arroz uruguaio e argentino do Brasil.
MANIPULAÇÃO
Para evitar a manipulação indevida nos estoques, a sugestão do presidente da UCR, Gilmar Freitag, é para que seja criado um sistema de controle pelo Governo do Estado. A proposta é para que a fiscalização do ICMS exija mensalmente um relatório completo sobre a venda e estoque de grãos das empresas de armazenagem.
No outro lado da batalha, mas no mesmo movimento para valorização dos preços, os armazenadores têm seus argumentos. O industrial Alfredo Treichel concorda que o poder de controlar os estoques é uma ótima maneira de valorização.
– Meter a mão no produto que está estocado é um crime. Não faço isso e não recomendo. Na minha empresa, o controle já é feito ao final de cada mês, quando pagamos os impostos e apresentamos o quanto foi comprado, quanto foi vendido e qual o estoque – observa Treichel.
OPINIÃO
O que pensam sobre o assunto
COTRICASUL
O presidente da Cooperativa Tritícola de Cachoeira do Sul Ltda(Cotricasul), Nelson Schramm Júnior, também concorda que o maior controle dos estoques seria bom para valorizar preços, porém, observa que o arroz não tem marca e por isso será de difícil praticidade impedir a manipulação indevida dos estoques.
– Não trabalhamos com o beneficiamento e temos um sistema diferenciado, pois quando vendemos o arroz que está estocado, quem está ganhando são nossos associados. A cooperativa é diferente do engenho, pois ao longo da safra financiamos para o produtor insumos, auxílio que normalmente não existe por parte das indústrias. Em Cachoeira do Sul, a saca de arroz está sendo comercializada entre R$ 20,00 e R$ 21,00. Em contrapartida, o custo de produção chega a R$ 28,00.
FRENTEAGRO
O coordenador da FrenteAgro, deputado estadual Jerônimo Goergen (PP), falou ontem sobre a importância de colocar este tema em discussão.
– Na região central do estado, pelo que sabemos, 60% do arroz é depositado nas indústrias. Vamos encaminhar o debate, assim como acompanhar as ações da Federarroz. Também vamos cobrar do Governo do Estado a aplicação da lei que exige a pesagem e a análise das cargas de arroz que chegam dos países vizinhos. O Ministério Público está orientando o Governo do Estado a aplicar a lei, mas isso não está sendo respeitado – reclama o deputado.
Exigindo a pesagem e a análise laboratorial de todas as cargas, a cadeia produtiva e o Governo do Estado inviabilizam o ingresso de arroz uruguaio e argentino, pois a análise demora alguns dias, tempo que os caminhões deverão ficar parados nas fronteiras.
ARROZ COLHIDO: desafio do armazenamento incomoda produtor
Os produtores de arroz do Rio Grande do Sul estão apertando o cerco para encontrar as falhas da cadeia produtiva que acarretam a desvalorização do cereal. Dar fim à manipulação descontrolada dos estoques é a mais nova bandeira de luta. Este debate não tem nada de novo, pois historicamente muitos armazenadores de grãos vendem o cereal sem a aprovação dos produtores. A briga pelo controle dos estoques nas indústrias e cooperativas foi comprada pela Frente Parlamentar do Agronegócio (FrenteAgro), que recebeu a denúncia da União Central dos Arrozeiros (UCR).
Segundo Gilmar Freitag, presidente da UCR, a maioria dos produtores não têm sistemas para armazenagem própria e fica obrigada a depositar o arroz nos silos das indústrias ou cooperativas. A queixa da UCR foi levada primeiro ao conhecimento da Federação das Associações dos Arrozeiros (Federarroz), que voltará a discutir este assunto amanhã, em reunião que acontece na cidade de Dom Pedrito. Na mesma reunião, as lideranças vão discutir o retorno das barreiras nas estradas para travar o ingresso de arroz uruguaio e argentino do Brasil.
MANIPULAÇÃO – Para evitar a manipulação indevida nos estoques, a sugestão do presidente da UCR, Gilmar Freitag, é para que seja criado um sistema de controle pelo Governo do Estado. A proposta é para que a fiscalização do ICMS exija mensalmente um relatório completo sobre a venda e estoque de grãos das empresas de armazenagem. No outro lado da batalha, mas no mesmo movimento para valorização dos preços, os armazenadores têm seus argumentos. O industrial Alfredo Treichel concorda que o poder de controlar os estoques é uma ótima maneira de valorização. Meter a mão no produto que está estocado é um crime. Não faço isso e não recomendo. Na minha empresa, o controle já é feito ao final de cada mês, quando pagamos os impostos e apresentamos o quanto foi comprado, quanto foi vendido e qual o estoque, observa Treichel.
OPINIÃO
O que pensam sobre o assunto
COTRICASUL
O presidente da Cooperativa Tritícola Cachoeirense (Cotricasul), Nelson Schramm Júnior, também concorda que o maior controle dos estoques seria bom para valorizar preços, porém, observa que o arroz não tem marca e por isso será de difícil praticidade impedir a manipulação indevida dos estoques. Não trabalhamos com o beneficiamento e temos um sistema diferenciado, pois quando vendemos o arroz que está estocado, quem está ganhando são nossos associados. A cooperativa é diferente do engenho, pois ao longo da safra financiamos para o produtor insumos, auxílio que normalmente não existe por parte das indústrias. Em Cachoeira do Sul, a saca de arroz está sendo comercializada entre R$ 20,00 e R$ 21,00. Em contrapartida, o custo de produção chega a R$ 28,00.
FRENTEAGRO
O coordenador da FrenteAgro, deputado estadual Jerônimo Goergen (PP), falou ontem ao Jornal do Povo sobre a importância de colocar este tema em discussão. Na região central do estado, pelo que sabemos, 60% do arroz é depositado nas indústrias. Vamos encaminhar o debate, assim como acompanhar as ações da Federarroz. Também vamos cobrar do Governo do Estado a aplicação da lei que exige a pesagem e a análise das cargas de arroz que chegam dos países vizinhos. O Ministério Público está orientando o Governo do Estado a aplicar a lei, mas isso não está sendo respeitado, reclama o deputado. Exigindo a pesagem e a análise laboratorial de todas as cargas, a cadeia produtiva e o Governo do Estado inviabilizam o ingresso de arroz uruguaio e argentino, pois a análise demora alguns dias, tempo que os caminhões deverão ficar parados nas fronteiras.
A CARTA
Trecho do manifesto dos produtores
Todos os argumentos dos produtores está na carta que foi apresentada no mês de maio em assembléia da Federarroz e agora chegou aos deputados gaúchos.
Confira alguns trechos do manifesto:
…Não queremos mais ser âncora verde de planos econômicos. Isto só ocorrerá quando os produtores detiverem o fluxo de demanda de seus produtos, evitando que os intermediários armazenadores comercializem produtos depositados por terceiros, que lhes são confiados apenas para guarda. Precisamos mandar no que é nosso.
Estes infiéis depositários recebem os produtos por ocasião da safra, comercializam-no, capitalizando-se, e protelam a compra do produtor para momentos mais oportunos, quando a concorrência desleal gerada entre eles próprios já causou a queda dos preços pagos ao produtor.
Esta prática é daninha a todo o setor produtivo, pois desmorona a sustentação de preços em plena safra, e cuja retomada é sempre mais difícil, além de ser novamente medida por indicadores econômicos como antipático fator inflacionário. Este é um dos principais motivos por que os produtos agrícolas caem de preço na safra. Isto ocorre com todas as commodities agrícolas: arroz, soja, milho, etc…
…É sabido que produtores que possuem armazenagem própria, via de regra, conseguem melhor remuneração pelos seus produtos. Por quê? Porque são procurados pelos armazenadores ou beneficiadores quando a estes faltam produtos. Entretanto, mesmo aos produtores armazenadores esses benefícios somente se apresentam na entressafra, quando diminui a orgia da manipulação de nossos estoques nos centros urbanos armazenadores…
…A única maneira de controlar a manipulação de nossos estoques é conseguindo que a fiscalização do ICMS exija mensalmente, em contrapartida à venda de produtos, a compra de matéria-prima, e não apenas o ingresso como depósito da mesma, como é feito até o momento. Não é necessário ser aprovado na Assembléia Legislativa. Basta a Secretaria da Fazenda (ICM) alterar suas normas internas. Basta haver vontade das lideranças e vontade política.
A chave dos depósitos será o nosso talão de produtor modelo 15. Poderemos regular a oferta de nossos produtos. Não precisaremos mais implorar migalhas. Finalmente mandaremos no que é nosso. Poderemos finalmente participar do valor agregado de nossos produtos. Praticar a tão propalada transferência de renda para o homem do campo e conseqüentemente para as comunidades e cidades agrícolas. Inverteremos o fluxo migratório do êxodo rural…


