Produtores de arroz do Ceará enfrentam dificuldades
A cada ano, diminui a produção de arroz em Várzea Alegre.
O Município de Várzea Alegre, no Ceará, conhecido como Terra do arroz, está sofrendo as conseqüências da agricultura tradicional, que não permite uma produtividade capaz de baratear os custos e competir com o arroz que vem de fora. A cada ano, diminui a produção de arroz no Município. Enquanto em 2005 foram produzidas 10 mil toneladas, este ano, baixou para oito mil toneladas. Esta redução está sendo atribuída pelos produtores a irregularidade do inverno, preços baixos e, principalmente, a falta de uma política agrícola voltada para o setor. A área também diminuiu de três mil hectares para dois mil e quinhentos.
Em Várzea Alegre, os produtores utilizam o arroz de sequeiro cultura que depende exclusivamente das chuvas. O plantio em terras não irrigadas artificialmente acontece em janeiro, quando caem as primeiras chuvas no Cariri. A irrigação é feita através de chuvas que ocorrem no período de janeiro a maio. Em alguns casos, é necessária uma ação suplementar, recomendam os técnicos.
O técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural, Pedro Alves Bezerra, analisa que as sementes plantadas são praticamente as mesmas: Cica-8, pingo de ouro, diamante e lajeado. Ele aconselha um estudo de outras sementes que se adaptem melhor ao clima e ao solo da região. Pedro contesta um trabalho acadêmico da Universidade Regional do Cariri, segundo o qual, houve uma decadência na produção de arroz de Várzea Alegre. O que aconteceu foi uma diversificação de variedades e um maior consumo, afirma.
Dentro da roça, a conversa é outra. O pequeno produtor José Leal da Silva diz que só plantou arroz, porque não tinha outra coisa para fazer . As terras destinadas ao cereal são geralmente alagadas e não permitem o plantio de outras culturas.
A gente planta para não ficar com a cara para cima, afirma Leal, acrescentando, por outro lado que, este ano, o prejuízo foi maior por causa da falta de chuvas no mês de janeiro. A perda é de 45%. O pouco que ele vai colher de 30 sacos , só dá para o consumo doméstico, lamenta.
A mesma reclamação é feita por Lázaro Menezes, mostrando a dificuldade para a colheita do arroz. Em alguns pontos , o cereal é cortado dentro d´água para ser batido em cima de uma grade. Mesmo assim , três homens trabalhando, chegam a bater 20 sacos por dia. O arroz é ensacado e levado para as piladeiras (máquinas para descascar).
Do outro lado da cidade, os agricultores Raimundo Alves de Almeida e Antônio Bezerra de Menezes, que plantaram o arroz dentro de uma lagoa, reclamam da irregularidade do inverno e das galinhas dágua, uma ave que estraga o plantio e diminui a produção. Vão colher somente 30 sacos. Eles dizem que em época normal, já produziram mais de 120 sacos na mesma área, que mede um hectare.
Os reflexos da crise estão no mercado. O comerciante José Nicolau de Oliveira, proprietário de uma máquina de pilar arroz, lembra que costuma comprar 200 sacos de arroz por safra. Este ano não comprou 10. A piladeira está parada, esperando a produção anunciada. Na mesma situação, segundo afirma, estão outros sete comerciantes, que possuem máquina de descascar arroz.


