Semana “parada” manteve preços do arroz praticamente estabilizados

A semana de 17 a 21 de julho foi marcada por pequeno volume de negócios e preços praticamente estáveis nos principais mercados. No Rio Grande do Sul ligeira queda e no Mato Grosso, alta insignificante.

O mercado de arroz do Brasil “andou de lado” esta semana, com pequeno volume de negócios tanto para o produto em casca quanto para o beneficiado. As férias escolares seguem interferindo no movimento do varejo que atrasou a reposição de estoques, esfriando uma semana onde tradicionalmente começa a movimentação de compra dos supermercadistas para os estoques da virada do mês.

No Rio Grande do Sul, há sinais de que a oferta de produto reduziu e muitos produtores voltaram a buscar os AGFs do governo federal como forma de garantir o recebimento de R$ 22,00 pelo saco de 50 quilos de arroz padrão para tipo 1 (58% de grãos inteiros). A indústria segue fora de mercado nas principais regiões, adquirindo apenas produto de oportunidade, variedades nobres, arroz “fraco” para parboilização – principalmente na Zona Sul – e pequenos volumes de parceiros tradicionais.

Diante deste cenário, o arroz segue sendo comercializado no Rio Grande Sul por valores entre R$ 19,30 e R$ 20,50 dependendo da região e se é venda livre (preço ao produtor) ou posto na indústria. Dom Pedrito, Bagé, São Gabriel, Uruguaiana, Rosário do Sul, Santa Maria, Cachoeira do Sul, Alegrete e Restinga Seca registram teto aproximado de 19,50 livre ao produtor para o arroz de 58% de grãos inteiros. Rio Pardo, Guaíba, Itaqui, São Borja, Litoral Norte e Tapes registraram um mercado andando de lado, mantendo preços mais próximos de 20,00 para o produtor para este padrão de produto, com oferta concentrada sobre a variedade IRGA 422CL e “similares”.

Pelotas, Camaquã, Itaqui, São Borja e Uruguaiana pagam R$ 20,50 para o arroz posto na indústria (frete incluso). As variedades nobres estabilizaram na faixa de R$ 21,50 a R$ 22,00 em Santo Antônio da Patrulha e Capivari do Sul (Litoral Norte gaúcho), e entre R$ 21,00 e R$ 22,50 em Itaqui, Alegrete e São Borja (dependendo do rendimento – posto na indústria). O Irga trabalha com indicativo de queda de 1,66% na semana, fechando cotação média de R$ 20,65 para o produto posto na indústria.

O indicador Cepea/Esalq aponta R$ 20,22 para a média gaúcha do arroz 58×10, preço referente ao produto posto na indústria com frete incluso. A queda é de 2,32%.

INDÚSTRIA

As principais indústrias gaúchas seguem fora do mercado. Compras só de oportunidade, arroz de melhor qualidade – variedades nobres – e um movimento regionalizado do arroz para parboilização nas indústrias de Pelotas e Camaquã. O arroz em casca para branco, posto na indústria de Pelotas, manteve cotação na faixa de R$ 20,50 enquanto o “fraco” até 52% de inteiros é avaliado entre R$ 20,00 a R$ 20,25.
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SANTA CATARINA

Em Santa Catarina os preços mantiveram certa estabilidade, ainda não refletindo a ligeira queda do RS. O mercado catarinense indica um maior equilíbrio. Cotações de R$ 18,00 em Rio do Sul e Jaraguá do Sul e R$ 19,50 a 20,50 no Sul catarinense estão mantidas. Alguns contatos já foram iniciados em busca de produto “fraco” no Rio Grande do Sul para parboilização.

MATO GROSSO

O Mato Grosso registrou um leve aquecimento nos preços, mas que não se refletiu ainda em volume de negócios no mercado. O saco de arroz em casca de 60 quilos da variedade Primavera e com mais de 50% de grãos inteiros alcançou média de R$ 23,85 posto em Cuiabá. Varia entre R$ 21,15 e R$ 22,00 ao produtor em Sinop, valor superior ao preço mínimo da Conab: R$ 20,70. A produção é direcionada ao mercado mato-grossense. O produtor segue segurando a oferta do arroz de melhor qualidade para buscar melhores preços e a indústria, mesmo pressionada, não avança no mercado porque não conseguiria competir com os preços do arroz do Sul. Espera para o próximo mês o início da liberação parcial dos estoques da Conab no estado.

Todavia, o estudo para definir o preço de liberação de estoques (PLE) teve as regras alteradas recentemente e prevê a formação de um valor médio entre o custo operacional e a paridade de importação. Há dúvidas na cadeia produtiva, e é objeto de estudo da Conab, qual o parâmetro será usado: se os preços de importação do Mercosul ou de terceiros mercados, como Estados Unidos e Ásia. Em princípio, haveria uma média ponderada, pois a diferença é muito discrepante. Analistas da área acreditam que o valor ficaria entre R$ 23,50 e R$ 25,00 e que a liberação, se confirmada, só virá no segundo semestre de setembro.

BENEFICIADO

A semana de 10 a 14 de julho (considerando apenas os dias úteis) esteve entre as de maior calmaria no último trimestre. É baixa a demanda do varejo, tendência que muitos agentes de mercado apostam manter-se para a próxima semana. Todos os negócios confirmados – e em baixos volumes – aconteceram com concessões das indústrias de beneficiamento sobre as tabelas originais. O preço médio final do fardo colocado em São Paulo, que já andou na casa dos R$ 34,00 para o produto comercializado à vista, baixou para R$ 32,50. As grandes empresas de atacado e as redes de supermercados só buscam negócios de conveniência, com vantagens sobre os patamares normais, mesmo que isso implique em mudar parcialmente de fornecedor.

No arroz beneficiado a semana mostrou um leve interesse sobre o produto ensacado em 60 quilos. O saco de tipo 1, safra nova, é comercializado no Rio Grande do Sul na faixa de R$ 42,00 (FOB). Chega em São Paulo na faixa de R$ 58,00 a R$ 60,00. Produto da safra velha ainda alcança R$ 44,00 – com negociações confirmadas nesta semana – e chega ao centro do país por R$ 61,00 a R$ 62,00 – São Paulo – e R$ 65,00 a Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

O fardo de arroz de 30 quilos “travou” esta semana, num desempenho ainda inferior à semana passada. Muitas indústrias, apesar das concessões sobre os preços de tabela, não conseguiram realizar negócios significativos. Agentes de mercado que operam com diversos tipos de alimentos em São Paulo – representantes e atacadistas – afirmam que a “paradeira” não é exclusiva do arroz e indicam as férias de inverno como principal causa. O grito dos supermercadistas pela redução no movimento das lojas também é grande. Este cenário fez voltarem aos “tablóides” de ofertas de muitas lojas paulistanas arroz tipo 1, saco de 5 quilos, ao patamar de R$ 5,00 a R$ 5,15, esta semana.

TENDÊNCIAS

A próxima semana será decisiva para indicar os parâmetros de preços na primeira quinzena de agosto, para quando alguns analistas apostam as fichas num reposicionamento de preços nos patamares do final de junho. Com o produtor gaúcho voltando a restringir a oferta, mesmo com o fim das barreiras no Mercosul, há uma tendência de manutenção dos atuais patamares de preços, com pequena oscilação da média para baixo.

Os AGFs voltaram a ser um negócio interessante, ao preço mínimo de R$ 22,00, para muitos produtores. As barreiras de produtores em Itaqui e Aceguá, no Rio Grande do Sul, não chegaram a impactar preços. Serviram, isso sim, para gerar um fato político e pressionar o governo do Estado a buscar soluções. O arroz argentino e uruguaio segue entrando no país, mas em escala abaixo do que era esperado. Bons negócios do Mercosul com terceiros mercados são a causa. Preocupa, no entanto, o fato da Argentina ser um mercado que internaliza no Brasil seus maiores volumes de produto no segundo semestre do ano.

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