Outra semana parada no mercado

Oferta do arroz em casca reduziu muito no Rio Grande do Sul e o varejo não está comprando quase nada. Algumas indústrias já estão baixando preços até abaixo do imaginável no mercado paulista. No Mato Grosso, leve reação.

O mercado de arroz em casca manteve-se muito parado esta semana no Rio Grande do Sul, refletindo uma situação que também atinge o varejo, muito frio com relação a novas compras. Pouquíssimos negócios confirmados e oferta bastante restrita, perto do que vinha acontecendo até uma semana atrás. Sendo assim, os preços se mantiveram praticamente inalterados, com ligeira queda em algumas regiões.

Alegrete, Rosário do Sul, São Gabriel, Dom Pedrito, Rio Pardo e Dona Francisca trabalham com preço de R$ 19,30 a R$ 19,80 – valor bruto – para o saco de arroz em casca com 50 quilos e 58% de grãos inteiros. Uruguaiana trabalha com preço de R$ 20,00 a R$ 20,30 para o arroz deste padrão posto na indústria. Itaqui e São Borja operam na faixa de R$ 20,30 a R$ 20,50 posto na indústria – padrão normal – e entre R$ 21,00 e R$ 22,00 para as variedades nobres, dependendo do rendimento.

A região de Pelotas manteve preços praticamente inalterados, com o produto “fraco” para parboilização cotado a R$ 20,00 (na indústria) e o branco com 58% cotado entre R$ 20,70 a R$ 21,00, nas mesmas condições. O indicador de preços do arroz do Cepea/Esalq indica média de R$ 20,25 para o produto posto na indústria no Rio Grande do Sul.

OUTROS ESTADOS

Em Santa Catarina, estado com estoques mais ajustados à demanda da indústria, os preços do arroz em casca mantiveram-se estáveis, com ligeira tendência de alta, fugindo um pouco da influência do Rio Grande do Sul. Os preços estão entre R$ 19,50 e R$ 20,00 para o arroz padrão para tipo 1, com raros negócios por até R$ 21,00 no Sul catarinense. A indústria já faz incursões e até algumas reservas no mercado gaúcho, visando garantir produto para parboilização para os próximos meses. O fardo de arroz catarinense é cotado entre R$ 29,00 e R$ 30,00 (FOB Araranguá).

No Mato Grosso a semana teve notícias um pouco mais animadoras, com uma leve reação nos preços e um pequeno aquecimento na oferta de produto pelos agricultores. Há notícias de negócios por até R$ 25,00 por saco de 60 quilos de arroz primavera posto em Cuiabá, mas com alta qualidade. Em Sorriso, os preços ao produtor chegaram a bater na casa dos R$ 22,00. Em Feliz Natal, os preços evoluíram de R$ 21,50 há uma semana para R$ 23,00. Chegam a Cuiabá na faixa de R$ 25,70.

A indústria do Mato Grosso trabalha basicamente para atender a demanda do estado e aguarda liberação de estoques da Conab para garantir o abastecimento pleno. Produtores e lideranças setoriais acreditam numa reação dos preços a partir do mês de agosto, com a finalização dos estoques do Sudeste e Centro-Oeste e aumento da demanda do arroz do Sul.

BENEFICIADO

O mercado do arroz beneficiado segue também bastante trancado e sem muitas novidades. Com o atacado e o varejo praticamente não comprado, a indústria se vê numa queda de braço. De um lado o produtor está saindo do mercado, pois já vendeu o produto suficiente para quitar as parcelas de julhos. Por outro lado, o varejo sinaliza que só compra com preços de ocasião, bem inferiores à tabela, e em volumes pequenos. A falta de uma ação mais corporativista do setor também é facilmente notada, com vendas, esta semana, de uma marca gaúcha pelo preço final em São Paulo de R$ 28,50 para o fardo de 30 quilos, tipo 1.

Esta é a média de preços do fardo de arroz beneficiado gaúcho, tipo 1, FOB Rio Grande do Sul. Ou, posto em São Paulo, trata-se do preço do produto de tipo 3. Este é apenas um exemplo, pois algumas marcas já bastante conhecidas por atuarem abaixo dos patamares médios de mercado trabalharam com preços na faixa de R$ 29,50 a R$ 30,00 final. A média de preços, no entanto, dos poucos negócios realizados na semana, fica em R$ 31,50 – final São Paulo, à vista, e R$ 32,00 para até 21 dias. Mas, quase a totalidade dos negócios concretiza-se mediante concessões sobre as tabelas originais.

A maior parte das indústrias aceita as concessões, mas não mexe nas tabelas como forma de manter um referencial de preços, uma posição no mercado, confiante numa reação a partir de agosto. Sabe que se recuar, depois será muito mais difícil de posicionar-se novamente. Marcas “top” mantêm preços em torno de R$ 37,50 a R$ 38,00 e marcas especiais, o chamado “tipo extra” conseguem negócios acima dos R$ 44,00 o fardo.

O saco de 60 quilos de arroz beneficiado, tipo 1, é comercializado dentro do Rio Grande do Sul na faixa de R$ 42,00. Arroz velho (da safra anterior) consegue ainda preços entre R$ 1,00 e R$ 2,00 acima. Chegam em São Paulo entre R$ 58,50 e R$ 62,00. Os derivados seguem a mesma tendência de manutenção de preços. O canjicão é cotado nominalmente por até R$ 22,00, mas a maioria dos negócios é fechada na faixa de R$ 19,50 a R$ 20,50 (à vista). A quirera é cotada a R$ 16,00 e o farelo na faixa de R$ 6,00 o saco de 30 quilos.

TENDÊNCIAS

A expectativa de que o varejo e os atacadistas assumissem uma posição compradora, como tradicionalmente acontece a partir do dia 20 de cada mês, não se confirmou. As férias escolares do Sudeste e Sul, principalmente, que agora são férias de inverno para muitas famílias podem ser o indício de uma redução no consumo, o que não exigiu maior volume de compra dos supermercadistas.

Todavia, com a retomada da rotina e a redução dos estoques, principalmente no Centro-Oeste e Sudeste onde já se torna muito difícil encontrar produto, analistas e agentes de mercado já começam antever uma recuperação gradual nos preços a partir da segunda quinzena de agosto. O posicionamento de indústrias catarinenses fazendo “reservas” de arroz fraco, até mesmo na Fronteira gaúcha, é um indicativo de demanda por este produto.

Atrapalharia esta tendência três fatores: uma enxurrada de arroz do Mercosul, uma superoferta de produto por parte dos produtores gaúchos e uma liberação de estoques do governo, um fator importante de risco em ano de eleições.

Para os próximos 15 dias, no entanto, o fator decisivo será a posição do varejo.

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