Emasa suspende tratamento e anuncia novo racionamento
Técnicos investigam fatores que podem ter ocasionado queda brusca do nível dágua. O impasse entre os produtores de arroz e as concessionárias de água na região (no caso de Balneário Camboriú e Camboriú, antigamente a Casan) não é de hoje.
A Emasa Empresa Municipal de Água e Saneamento anunciou ontem, a interrupção temporária de uma das bombas da Estação de Tratamento (ETA). A medida foi tomada depois que o nível do Rio Camboriú, responsável pelo abastecimento de Balneário Camboriú e Camboriú atingiu a marca de 37 centímetros. Com a desativação de uma das bombas, os moradores das partes mais altas das duas cidades podem sentir a redução da pressão nas torneiras ou até mesmo a falta dágua. Caso não chova rapidamente, as duas cidades podem entrar no sistema de racionamento mais uma vez.
Desde o início da manhã de ontem, quando a régua atingiu os 37 centímetros, os técnicos da Emasa e da Secretaria de Águas de Camboriú estão em busca de fatores externos que possam ter resultado neste quadro, já que, nos últimos dias a régua de medição localizada no ponto de captação do ETA apontava entre 73 e 90 centímetros.
Desde então, uma das bombas foi desligada para que a outra pudesse operar com um nível correto de água, pois, quando a bomba opera abaixo do nível, o ar que entra nela pode queimar os equipamentos. A ação deve diminuir a quantidade de água tratada de 590 para 300 litros por segundo. Com isso, a pressão da água diminuiu e os moradores das partes mais altas das duas cidades podem sentir a diferença na torneira e até a falta de água.
De acordo com o engenheiro Gerson de Borba Dias, diretor geral da Emasa, logo depois do desligamento de uma das bombas, a água já atingia 45 centímetros e no início da tarde o nível chegava a quase 60 centímetros. A intenção, segundo Dias, é esperar que o nível atinja pelo menos os 70 centímetros para que se possa religar a segunda bomba. O diretor alerta, no entanto, que a economia é primordial e só a chuva pode resolver de vez o problema de abastecimento.
Racionamento
O racionamento de água já foi adotado em Balneário Camboriú no dia 15 do mês passado e surtiu efeito por alguns dias até que a chuva voltou e o nível do rio normalizou. Agora, é preciso pedir que os moradores economizem mais uma vez para que se evite um racionamento mais drástico.
uestionado sobre o fato do racionamento de julho ter sido tratado de forma leve, Dias declarou que ainda assim a economia chegou a 15% de economia mesma quantidade que a Emasa estava deixando de produzir.
O Diretor disse ainda, que medidas mais duras não são tomadas como decretos que proíbam e punam o desperdício porque a cidade não tem uma equipe capaz de fiscalizar com propriedade todos os pontos do município:
– Não adianta criarmos Leis só para fazer demagogia se vamos poder fiscalizar com igualdade, as pessoas nos ajudaram da outra vez e temos certeza que podemos contar com os cidadãos novamente. Os moradores estão se policiando no desperdício, isto é o que precisamos – destacou o diretor.
Possíveis causas da queda brusca
Gerson de Borba Dias afirmou que ainda não há nenhum indício concreto, mas existe a suspeita de que algum agricultor de Camboriú possa ter cercado a água para cultivar suas plantações.
O impasse entre os produtores de arroz e as concessionárias de água na região (no caso de Balneário Camboriú e Camboriú, antigamente a Casan) não é de hoje. Apesar de não haver ainda a comprovação é bem possível que grande parte da água neste período possa realmente estar sendo utilizado por agricultores.
O engenheiro agrônomo e pesquisador da Epagri de Itajaí – Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural e Santa Catarina José Alberto Noldin, explica que é justamente neste período que os rizicultores começam o plantio do arroz e nesta fase precisam irrigar a plantação.
Dados da Epagri apontam que para cada hectare de arroz cultivado, os plantadores utilizam em média um litro de água por segundo. De acordo com Noldin, no final de cada ciclo do arroz um produtor utiliza, em média, 40 % de água da chuva, que é armazenada no próprio sistema de irrigação e como a chuva está escassa, a situação fica mais difícil para os agricultores também.
O agrônomo explica ainda, que em caso de falta dágua, a prioridade é para o consumo humano, mas lembra, que as concessionárias também distribuem água para estabelecimentos comerciais e não só para o consumo das pessoas, o que dificulta ainda mais a divisão da água na região.


