Coriscal garante trégua de 45 dias com produtores

Em 11 processos, os arrozeiros querem a devolução imediata de 43 mil sacos de arroz.

A Cooperativa Agrícola Cachoeirense (Coriscal), de Cachoeira do Sul (RS) ganhou nesta quarta-feira uma trégua de 45 dias dos produtores que ingressaram com ações na Justiça pedindo retirada de arroz dos armazéns da entidade. Em 11 processos, os arrozeiros querem a devolução imediata de 43 mil sacos de arroz.

O problema é que a cooperativa não tem nos seus armazéns o cereal de todos os associados. Entregando o produto de alguns, abriria caminho para uma enxurrada de processos pedindo a retirada. Em vez de arroz dos associados, a Coriscal tem uma dívida R$ 6,5 milhões, valor que foi emprestado para alguns produtores que agora não têm condições de pagar e muitos nem previsão de como poderão honrar o pagamento.

Para sair da crise, a Coriscal aposta que irá conseguir reparcelar dívidas junto ao Banco do Brasil e também está buscando novas linhas de financiamento. A ampliação da capacidade de industrializar arroz, projeto que está sendo viabilizado graças à parceria com a empresa Cereal Araguaia, é a outra alternativa que está sendo trabalhada. Neste caso, o problema é que faltará arroz para industrializar, já que os produtores que não estão devendo temem o fechamento da entidade, o que acarretaria na perda do produto.

CIDADE

O risco de fechamento da Coriscal também representa uma ameaça aos cofres da Prefeitura de Cachoeira do Sul (RS), já que a cidade perderia um valor significativo do retorno do ICMS que é agregado com o processo de industrialização. A cidade também perderia uma das maiores geradoras de empregos. A Coriscal normalmente opera com 130 funcionários, número de postos de trabalho que chega a 200 na época de safra. Com capacidade para beneficiar 100 mil sacos de arroz por mês, a cooperativa coloca no mercado as marcas de arroz Coriscal, Bocão, Estirpe e Galpão.

ATENÇÃO

A reunião entre diretoria da Coriscal e produtores que estão pedindo a retirada do arroz da cooperativa foi intermediada pela juíza de Direito Traudeli Iung. Com poder de determinar o saque do produto, a juíza vem sendo alertada pelos representantes da Coriscal sobre as conseqüências de decisões favoráveis aos produtores. Sem arroz para entregar para todos, a única alternativa seria entrar em processo de liquidação ou intervenção. Neste caso, o patrimônio da Coriscal teria que ser vendido para repartir entre os credores o valor arrecadado.

IMPORTANTE

A Cooperativa Tritícola Cachoeirense (Cotricasul) está em uma situação até pior do que a da Coriscal. Apesar de não estar sofrendo ações judiciais, a Tritícola não tem arroz nos estoques para devolver aos associados e sua dívida com os produtores que deveriam ter seu produto na cooperativa chega a R$ 8,7 milhões.

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