Mercado fraco e muito pressionado no Sul. Leilões no MT
As boas notícias do mercado de arroz esta semana estão restritas à indústria do estado do Mato Grosso. A Conab deverá anunciar nesta sexta-feira leilões para atender a indústria que opera com alta ociosidade. No Rio Grande do Sul, semana de leve retração nos preços, apesar de uma grande pressão baixista. A indústria cedeu em São Paulo, com preços ainda menores.
O Rio Grande do Sul está fechando mais uma semana de profunda dificuldade na comercialização do arroz em casca e forte pressão baixista. Na maior parte das praças do estado o preço do saco de 50 quilos, com padrão de 58% de grãos inteiros, está entre R$ 19,00 e R$ 19,50 , mas os valores são apenas referenciais.
O volume de negócios é baixo, os produtores ainda estão segurando o produto que resta em suas mãos a espera de melhores preços. Raros negócios aconteceram na semana com preços de até R$ 18,50 por saco em algumas regiões, como Rio Pardo, Santa Maria e Bagé. Arroz de melhor qualidade (variedades nobres) alcança de R$ 1,00 a R$ 2,50 acima dos valores médios em municípios como Alegrete, Itaqui, São Borja e Uruguaiana.
No Litoral Norte, apenas uma indústria segue pagando entre R$ 24,00 e R$ 25,00 para produto acima de 65% de grãos inteiros. O arroz com 63% de grãos inteiros tem cotação nominal de R$ 23,00 nesta região, mas praticamente não existem negócios. É grande a pressão baixista, em direção aos R$ 22,50. O produto Irga 422CL e similares, mesmo com 60% de grãos inteiros, é comercializado entre R$ 21,00 e R$ 22,00 na região. Pelotas paga R$ 20,50 para arroz de 58% de inteiros, posto na indústria (frete incluso). Engenhos menores chegam a pagar R$ 21,00.
O arroz fraco, para parboilização é bastante demandado, bem como quebrados e grãos amarelados para exportação. Para lotes acima de 5 mil sacos de arroz fraco, algumas indústrias de Pelotas chegam a pagar os mesmos R$ 20,50 do produto de melhor qualidade. Deste valor deve ser descontado o frete, mas o problema é que a matéria prima está em falta na região o que acaba reduzindo o valor pago ao produtor. As grandes indústrias da Zona Sul estão fora de mercado. Os produtores também não estão liquidando, exceto em caso de emergência e extrema necessidade.
O indicador do mercado de arroz do Cepea/Esalq, fechou nesta quinta-feira em R$ 20,23 (50 quilos, 58% de inteiros, final indústria), quatro centavos abaixo da semana passada.
MATO GROSSO
O relatório mensal do IMEA, do Mato Grosso, informa esta semana que o mercado de arroz naquele estado opera com grande expectativa sobre os leilões da Conab. Essa expectativa, segundo a economista Ana Maria Martins, já provocou alterações nas cotações do mercado à vista. Em Primavera do Leste as cotações já reduziram, em média, R$ 3,00 por saco de 60 quilos, chegando aos R$ 23,00.
No Nortão do Mato Grosso, em Sinop, as cotações seguem estáveis por causa da falta de produto. Segundo o levantamento do IMEA, é mantida a cotação de R$ 24,00, mas houve negociações em pequenos volumes por até R$ 23,00 no início da semana. Estabilidade nos preços de Sorriso (R$ 24,00), Rondonópolis (R$ 27,00) e Cuiabá (R$ 29,00).
SANTA CATARINA
A relação oferta/demanda de arroz no mercado de Santa Catarina vem mantendo os preços com poucas alterações desde o início de agosto. Em Jaraguá do Sul a cotação segue estabilizada na faixa de R$ 18,00 para o saco de 50 quilos (58% de inteiros) e no Sul catarinense o produto desta qualidade alcança R$ 20,50 como preço mais comum. O arroz fraco para parboilização, seguindo uma tendência também registrada na Zona Sul gaúcha em conseqüência dos leilões do PEP e da melhor qualidade de grãos desta safra, encontra-se bastante valorizado. É pequena a disponibilidade de matéria prima. A crescente exportação de quebrados no Sul também garante uma pressão altista neste produto.
MERCOSUL
O mercado de fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina e o Uruguai segue registrando entrada de produto, mas em volume abaixo do esperado para esta época. Exportadores destes países ainda priorizam terceiros mercados com cotações superiores. O patamar desejado para ampliar a oferta de arroz ao Brasil seria de pelo menos R$ 20,50 FOB fronteira (tanto argentina quanto uruguaia), mas os preços internos estão menores.
BENEFICIADO
O mercado de arroz beneficiado foi fortemente abalado esta semana pela redução promocional nos preços de uma marca de primeira linha. A redução nos preços ficou em torno de 12% e repercutiu em toda a cadeia produtiva, com inúmeras indústrias saindo do mercado de compra de arroz em casca. A semana foi de muitas consultas e até alguma perplexidade dos agentes de mercado, pois o fardo de 30 quilos do produto chegou a reduzir de R$ 39,00 (final São Paulo) para R$ 34,00 a R$ 35,00, segundo fontes do varejo paulista.
Com essa pressão, e muitas pequenas indústrias, principalmente da Depressão Central gaúcha oferecendo o fardo de arroz tipo 1, com 30 quilos, entre R$ 26,50 e R$ 28,50 (final em São Paulo) imediatamente voltaram às gôndolas das grandes redes de supermercados ofertas com patamares similares aos praticados no primeiro semestre. Há ofertas de cinco quilos de arroz (tipo 1) por até R$ 4,55 nos supermercados de São Paulo. Muitas ofertas por R$ 4,99 e um significativo volume entre R$ 5,00 e R$ 5,50.
Um importante agente de mercado de São Paulo afirma que dois efeitos estão implicando nesta esfriada de mercado. O arroz não está saindo na ponta (nos supermercados) e muitas indústrias estão forçando a oferta e aceitando a imposição de preços do varejo.
No Rio Grande do Sul, boa parte das indústrias que deixaram o mercado, aposta numa estabilização dos preços abaixo dos R$ 20,00 (ao produtor) pelo menos até o próximo mês, por causa das parcelas de financiamentos que estão vencendo e um significativo volume de restrição ao crédito de custeio da próxima safra. O que provocaria uma tendência de oferta pelos produtores.
No entanto, entre os produtores e alguns agentes de mercado, avoluma-se a desconfiança de que algumas indústrias estão trabalhando na frente com o arroz do produtor. Ou seja, beneficiando e vendendo o arroz depositado pelos agricultores, e forçando artificialmente uma estabilidade ou esfriamento de mercado para recompor seus estoques.
Diante desta tese, uma alta nos preços agora seria muito danosa para estas indústrias. Sob este argumento 40 produtores entraram na justiça em setembro, no Rio Grande do Sul, solicitando a devolução de seu produto por uma indústria, que reconheceu não ter mais o produto estocado e fechou um acordo com os produtores sob a mediação do Ministério Público. É o único caso de conhecimento público, mas abriu a discussão e a desconfiança de que os volumes seriam muito mais significativos e justificariam, em parte, a pressão baixista dos últimos dias.
PREÇOS
Dentro do Rio Grande do Sul o saco de 60 quilos de arroz beneficiado é negociado entre R$ 41,00 e R$ 42,00.
Para o fardo do tipo 1 (30 quilos) indústria de Santa Cruz do Rio Pardo (SP) mantém tabela na faixa de R$ 33,00 , mas fez negócios por até R$ 30,50 na semana que passou. Em Jaraguá do Sul (SC), o fardo é comercializado em média por R$ 31,00 (FOB) e no Sul catarinense o preço mais comum é R$ 30,00 (Criciúma). O parboilizado chega a R$ 34,00 (final São Paulo).
Segundo o levantamento semanal do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), os preços do arroz beneficiado caíram, em média 11% no Rio Grande do Sul, no caso do fardo do tipo 1. O tipo 2 caiu, em média, 7,1%. Na semana anterior a média de preços do produto com 12% de ICMS era R$ 33,84 e, agora, está em R$ 30,18. O fardo do tipo 2, também com 12% de ICMS, veio para R$ 26,33 contra os R$ 28,35%.
DERIVADOS
Entre os derivados o canjicão está bastante valorizado, recuperando as cotações de 2005. O saco de 60 quilos é cotado entre R$ 23,00 e R$ 23,50 no estado, com grande pressão de compra pela indústria e por corretoras ligadas às empresas de exportação. Como a safra gaúcha teve uma qualidade superior em 2005/06, com menor volume de quebrados, a oferta da matéria prima reduziu. Com o aumento das exportações de quebrados para a África e também da demanda de algumas indústrias para a formação de seus produtos, o canjicão ficou mais valorizado. A quirera mantém preços de R$ 16,50, em média, no Rio Grande do Sul.
TENDÊNCIAS
Segundo alguns dos principais analistas de mercado, a expectativa de preços melhores em setembro está evaporando. Os analistas e muitos agentes de mercado se mostram bastante céticos e esperam o reflexo dos leilões de arroz no Mato Grosso e por uma reação do varejo. O temor de que exista uma superoferta de arroz beneficiado, apesar do produtor não estar ofertando, tornou-se o novo fantasma do mercado.
A previsão da Conab de que o estoque de passagem, em 28 de fevereiro de 2007, será de 1,1 milhão de toneladas, foi a boa notícia da semana. O volume pode ser alterado ainda, dependendo do fluxo de importação e exportação.


