Mercado reage no Sul e leilões com bons preços no MT
Enfim, uma semana com boas notícias para o mercado nacional de arroz. No Rio Grande do Sul, depois de 60 dias os preços começaram a reagir, principalmente para o produto de melhor qualidade No Mato Grosso, leilão alcançou preços de até R$ 26,76 .
Os preços do arroz em casca voltaram a reagir no Rio Grande do Sul depois de 60 dias de marasmo e quedas sucessivas. A procura pelo arroz de melhor qualidade (variedades nobres e mais de 58% de inteiros) é grande e a disputa acirrada. Nesta semana, produtores do Litoral Norte estão rejeitando até R$ 25,50 por saco de arroz da variedade Irga 417 com 63% de inteiros. Produto com 68% de inteiros há 15 dias, era negociado a R$ 24,50 nesta região. As variedades comuns com 60% de inteiros alcançam R$ 23,00 em Capivari do Sul e Palmares. Com pouca oferta. A presença de indústrias paulistas fazendo leilão de preços no Litoral Norte é muito grande.
Na Fronteira Oeste houve reação também para as variedades nobres. Em Itaqui já existem negócios por até R$ 22,75 para o Irga 417 com 60% de inteiros. Em São Borja, R$ 22,50, preço também seguido em Alegrete. Em Agudo, variedades nobres chegaram a R$ 22,00. Em média, os preços do arroz branco, puxados pelo de melhor qualidade, subiram de R$ 0,50 a R$ 1,00 esta semana. Muitos produtores e empresas estão aproveitando a demanda pelo produto de melhor qualidade e condicionando a negociação à uma venda casada. Ou seja, para levar as variedades nobres, as indústrias têm que adquirir algumas cargas das outras variedades, principalmente os similares e o Irga 422CL.
Na Zona Sul, continua muito firma a procura por produto fraco para parboilização e também de canjicão de boa qualidade.
O levantamento semanal do Irga indica preço médio de R$ 20,26 para o saco de 50 quilos de arroz com 58% de inteiros esta semana no Rio Grande do Sul (final, indústria). O indicador Cepea/Esalq aponta R$ 20,77 de média para o arroz gaúcho esta semana, alta de 1,68%. O da Emater/RS, que havia subido surpreendentemente na semana anterior e considera preço pago ao produtor, aponta R$ 19,87. Com leve queda.
MATO GROSSO
O relatório mensal do IMEA, do Mato Grosso, informa estabilidade nos preços do estado e bastante atenção da indústria para os leilões. Em Primavera do Leste, o saco de 60 quilos é negociado a R$ 23,00. Sorriso e Sinop mantêm cotações em R$ 24,00, Rondonópolis em R$ 27,00 e Cuiabá/Várzea Grande, R$ 29,00. A venda de 68,7% da oferta de 11,032 mil toneladas dos estoques da Conab no leilão desta sexta-feira, foi considerado um bom resultado pela cadeia produtiva do Mato Grosso. O preço médio do saco de 60 quilos ficou em R$ 19,84 (para longo fino e longo) e R$ 26,76 foi o preço máximo pago.
SANTA CATARINA
O mercado de Santa Catarina manteve-se estabilizado, mas de olho na alta gaúcha. Em Jaraguá do Sul a cotação segue em R$ 18,00, mas forçando alta. O Sul catarinense também manteve R$ 20,50 como o preço mais comum, mas já registrando um aumento da demanda pela indústria. O beneficiado catarinense é cotado em Criciúma a R$ 32,46, em média, segundo o Instituto Cepa.
BENEFICIADO
O mercado de arroz beneficiado apresentou ligeiro aumento de procura esta semana, mas abrirá segunda feira com tabelas reajustadas de 5% a 10% por quase todas as indústrias. Há o convencimento de que o mercado leu a atual situação de equilíbrio na relação oferta e demanda. Alguns analistas apontam o estoque de passagem negativo em fevereiro, se for excluído o estoque público, como uma das razões desta recuperação nos preços. O saco de 60 quilos de arroz beneficiado, tipo 1, é comercializado no Rio Grande do Sul, em média, a R$ 42,00, valorização de até R$ 1,50 acima da semana passada.
O fardo de 30 quilos de arroz gaúcho, tipo 1, é negociado a R$ 30,98, segundo levantamento do Irga (ICMS de 12%). Valorização de 0,54%. O presidente de uma importante cooperativa gaúcha lembra que para a próxima semana estes preços devem incorporar até 10%.
– Na pior das hipóteses, essa média deve voltar ao patamar de R$ 32,00.
É corrente a informação de que a indústria gaúcha estaria vendida na frente. Ou seja, algumas empresas estariam utilizando arroz depositado pelos produtores para beneficiar e ofertar ao varejo.
– Agora chegou a hora da indústria acertar esta conta e repor o estoque. Assim, há bastante demanda. O produtor, no entanto, sentou pra trás e não está vendendo. Pior para quem estava vendido, que vai ter que pagar mais caro agora para repor o produto.
Uma reação do varejo que está fazendo uma leitura de redução de área no Rio Grande do Sul, déficit hídrico para irrigação do arroz de melhor qualidade e previsão de quebra pela presença do El Niño, também está sendo considerada. Representante de importantes marcas gaúchas no mercado paulista destaca que a sondagem por parte de grandes redes varejistas aumentou esta semana, o que indica vendas melhores na próxima.
– O reflexo dos leilões no Mato Grosso também está acontecendo. Muita gente só percebeu nestes leilões que realmente está faltando arroz em quase todas as regiões brasileiras e resolveu se abastecer no Sul. Algo parecido com o que houve em novembro de 2005 lembrou um agente de mercado.
VAREJO
Reduziu o volume de ofertas de arroz nas gôndolas de São Paulo e Rio de Janeiro esta semana. Ainda assim, encontra-se saco de cinco quilos de arroz tipo 1 a partir de R$ 5,35. As marcas mais alternativas mantêm preços ao consumidor em torno de R$ 6,50, as de primeira linha chegam aos R$ 7,00 e as marcas especiais (nobres) chegam a R$ 9,50.
DERIVADOS
No Rio Grande do Sul e Santa Catarina, os derivados seguem demandados. O canjicão é negociado entre R$ 24,00 e R$ 25,00. A quirera a R$ 17,00 e R$ 17,50, dependendo da praça e qualidade. Exportações, falta de produto no mercado e demanda até do Uruguai por quebrados, são a causa maior desta recuperação de preços no último mês.
TENDÊNCIAS
A tendência para a próxima semana é de alta nos preços. A enxurrada de consultas acontecida nesta semana, deve se transformar, ao menos parcialmente, em negócios na próxima semana. Não seria surpresa nova alta nos patamares da semana que encerra. Esta é a aposta da maioria dos analistas e agentes de mercado.


