Mercado de arroz em alta
Preços firmes, a forte demanda e inexistência de oferta do produtor fazem o mercado andar no Sul. Preços subiram entre R$ 1,00 e R$ 2,00 por saco em 10 dias
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A forte demanda das indústrias por arroz de melhor qualidade, e também para parboilização, aqueceu de forma significativa o mercado no Rio Grande do Sul nesta semana. Os preços do arroz em casca saltaram do patamar de R$ 19,00 a R$ 19,50 há 10 dias, para patamar de R$ 20,00 a R$ 21,00 (líquido ao produtor) na maioria das regiões gaúchas. Preço para saco de 50 quilos com 58% de inteiros. Alegrete, Dom Pedrito, Cachoeira do Sul, São Gabriel, Rosário do Sul, Bagé, Rio Pardo e Tapes, mantêm preços na faixa de R$ 20,00 a R$ 20,50.
Itaqui, Pelotas, Camaquã e Uruguaiana já pagam entre R$ 21,00 e R$ 22,00 pelo produto deste padrão colocado dentro da indústria. Arroz para parboilização (de 48% a 51% de inteiros) é cotado a R$ 21,00 final indústria , mas não confirma negócios neste patamar para a indústria da Zona Sul. Quem tem o produto sentou pra trás e não arrisca a indicar preços. Prefere esperar um pouco mais. Importante indústria do país está buscando o produto em grandes volumes e não consegue fechar negócios de maiores proporções.
Variedades nobres pagam até R$ 23,75 em Alegrete, Itaqui e São Borja. No Litoral Norte, as cotações elevaram até R$ 3,00 e bateram na casa dos R$ 26,50 para as variedades IRGA 417 e BR IRGA 409. Negócios com o Irga 422CL e similares não saem por menos de R$ 23,00 (para 60% de inteiros). E a previsão é de que na próxima semana os preços continuem subindo.
A explicação básica para esta alta do arroz em casca no Rio Grande do Sul é a falta de produto no restante do Brasil. A presença maciça da indústria do Mato Grosso nos leilões tirou as últimas dúvidas de que o abastecimento no Brasil Central está comprometido. Alguns especialistas apostam que o abastecimento passará a depender exclusivamente do Sul e dos estoques da Conab – a partir do final de novembro. É unânime, entre os analistas de mercado, que esta alta deve continuar por mais algumas semanas, mesmo que não num ritmo frenético.
Isso, no entanto, dependerá de dois fatores. Se os produtores vão vender gradualmente o que ainda resta de arroz em suas mãos e se o governo federal vai ou não liberar mais estoques em leilões. Ainda assim, estima-se que o estoque privado de passagem será negativo. O arroz que terá no Brasil em fevereiro será exclusivamente dos estoques públicos, a menos que ocorra uma avalanche de leilões.
Os especialistas também reconhecem que a indústria, principalmente a gaúcha, está vendida na frente, isso é, beneficiou e vendeu parte do arroz que havia sido depositado pelos arrozeiros. Sendo assim, agora está tentando recompor os estoques, acelerando a demanda e forçando ainda mais a alta. Mesmo vencendo nova parcela de custeio e securitização neste início de outubro, os produtores praticamente não ofertam arroz.
Outros indicadores
O levantamento semanal de preços do Irga, indica preço médio de R$ 20,87 para o arroz de 58% de inteiros (50Kg) no estado. O indicador Cepea/Esalq fechou em R$ 21,52 (preço final indústria).
Santa Catarina
O mercado de arroz em Santa Catarina ainda não acompanha o gaúcho, mas já existe algum reflexo, principalmente nas praças de Rio do Sul e Jaraguá do Sul, que indicam R$ 18,50. O Sul Catarinense manteve R$ 20,50 de preços e a média no Estado é de R$ 19,50, acima dos R$ 19,38 da semana passada. Há
Mato Grosso
No Mato Grosso os preços estabilizaram por conta dos leilões de arroz da Conab. A saca de 60 quilos do primavera segue cotada a R$ 23,00 em Primavera do Leste, R$ 24,00 em Sinop e Sorriso, R$ 27,00 em Rondonópolis e R$ 29,00 em Cuiabá, segundo dados do IMEA.
Beneficiado
A indústria de arroz beneficiado já tratou de repassar os preços para o varejo. O saco de 60 quilos (sem marca), é comercializado no Rio Grande do Sul entre R$ 44,00 e R$ 45,00.
O fardo de 30 quilos do arroz gaúcho tipo 1, teve um aumento médio próximo de 10% segundo importante agente de mercado. As tabelas foram reajustadas para cima, mas com poucos negócios. Quem mantinha preços na ordem de R$ 32,00 subiu para R$ 35,00 e quem estava trabalhando em R$ 30,50, atualmente tenta vender a R$ 33,00. O varejo segue buscando alternativas, pois ainda existem marcas gaúchas que buscam espaço ou giro rápido, que negociavam o fardo por R$ 26,00 a R$ 27,00 que nesta semana operaram na faixa de R$ 30,00.
Boa parte do varejo já identificou a alta e acredita numa tendência de preços subindo mais um pouco. Parte do varejo, no entanto, pretende apostar em marcas alternativas e preços atrativos para aguardar uma posição mais clara. A semana foi de poucos negócios e praticamente nenhuma mudança de preço nas gôndolas. Este reflexo da alta no arroz em casca deve chegar aos supermercados na próxima semana.


