Mercado firme no Brasil. No Sul, preço mínimo está sendo superado

Preços seguem trajetória de alta no Sul e começam a refletir em Santa Catarina. No Mato Grosso mercado segue abastecido por disputados leilões. No Rio Grande do Sul o preço mínimo deve ser superado na próxima semana.

O arroz gaúcho parece ter reencontrado o caminho da recuperação de preços e está muito próximo de superar o preço mínimo de R$ 22,00. A previsão de agentes de mercado e corretores é de que nas duas regiões que ainda mantêm preços mais baixos, Campanha e Depressão Central, na próxima semana os preços já estejam igual ou acima de R$ 22,00 para o saco de arroz de 50 quilos com 57% a 59% de inteiros.

Esta semana o preço bruto já superou este valor na maioria das regiões. Ainda assim, as principais cidades da Campanha e Depressão Central, como Dom Pedrito, Alegrete, São Gabriel, Rosário do Sul, Bagé, Santa Maria, Agudo, Cachoeira do Sul, São Sepé e Rio Pardo estão pagando entre R$ 21,00 e R$ 21,50 (livre) por produto deste padrão. No valor bruto, algumas destas praças chegam aos R$ 22,00. A média da alta da semana superou R$ 1,00 em muitas praças.

As indústrias estão agredindo bastante o mercado em busca de arroz de todos os tipos, mas com maior pressão sobre o “fraco” para parboilização e o de alta qualidade. Em Pelotas e Camaquã, o arroz “fraco” é cotado até R$ 0,50 abaixo do preço do branco – entre R$ 21,50 e R$ 22,00 – e em Capivari do Sul, no Litoral Norte, o arroz nobre das variedades BR Irga 409 e Irga 417, com 63% de inteiros, é vendido a R$ 27,00. Arroz com melhor padrão industrial já foi vendido esta semana em Capivari do Sul a R$ 28,00. Em São Borja e Itaqui o arroz destas variedades, com até 62% de inteiros é negociado entre R$ 23,00 e R$ 24,00. Em Alegrete, a R$ 23,50.

Os produtores, no entanto, estão evitando negociar produto agora. Na Fronteira Oeste já houve recusa por proposta de R$ 26,00 para arroz nobre com 60% de inteiros. Pelo padrão normal (58%) os gaúchos estão querendo R$ 23,00. No Litoral Norte, no entanto, variedade Irga 422CL e “similares” são comercializadas por R$ 24,00 com percentual de inteiros acima de 62%. Muitos produtores só fecham venda de variedades nobres se o comprador levar de “contrapeso” algumas cargas deste outro padrão.

A falta de produto e a previsão de um estoque de passagem particular negativo (ficando somente arroz do governo estocado no final de fevereiro) é a explicação para a recuperação dos preços.

É unânime, entre os analistas de mercado, que esta alta deve continuar por mais algumas semanas, ainda que num ritmo mais lento. Isso vai depender da velocidade e do volume das vendas dos produtores e da liberação ou não dos estoques públicos para outras regiões. O ingresso de importações do Mercosul, em maiores volumes, também preocupa. Os especialistas também reconhecem que a indústria está repondo estoques de vendas “na frente”. A necessidade de recompor estoques está acelerando a demanda e a alta dos preços.

Por causa do feriadão, Irga e Emater não divulgaram seus levantamentos semanais de preços. O indicador Cepea/Esalq fechou na quarta-feira em R$ 22,38, bem acima dos R$ 21,52 (preço final indústria) da semana anterior.

Santa Catarina

O mercado de arroz em Santa Catarina ainda não reflete a alta do Sul, mas lentamente vai evoluindo, principalmente, em Rio do Sul e Jaraguá do Sul, que indicam R$ 19,00. O Sul Catarinense manteve R$ 20,50 de preços. A média no estado subiu de R$ 19,50 para os atuais R$ 19,75. Isso para arroz em casca, com 58% de inteiros em sacos de 50 quilos.

Mato Grosso

No Mato Grosso os preços estabilizaram por conta dos leilões de arroz da Conab. A saca de 60 quilos da variedade Primavera segue cotada a R$ 24,00 em Sinop e Sorriso e R$ 29,00 em Cuiabá, segundo o IMEA.

Beneficiado

A indústria de arroz beneficiado já tratou de repassar os preços para o varejo. O saco de 60 quilos, sem marca, é comercializado no Rio Grande do Sul entre R$ 44,00 e R$ 46,00. Em São Paulo chega entre R$ 63,00 a R$ 68,00.

O fardo de 30 quilos do arroz gaúcho, tipo 1, está alcançando média de R$ 35,00 final em São Paulo. Muitas empresas, no entanto, ainda trabalham com preços na ordem de R$ 32,00 o fardo, quase o preço do tipo 2 de marcas intermediárias. Algumas marcas tradicionais elevaram o fardo do tipo 1 para valores entre R$ 38,00 e R$ 40,00. As marcas “tipo extra”, com variedades nobres, chegam por até R$ 55,00 em São Paulo.

O volume de negócios ainda é pequeno, mas está aumentando, segundo informações do mercado paulista. Empresas de Santa Cruz do Rio Pardo, importante pólo de beneficiamento e importação de arroz de São Paulo, estão trabalhando com preços de tabela em R$ 37,00 para o fardo, mas concedendo até R$ 2,00 por fardo em algumas negociações. A média de preços fica em R$ 35,50.

DERIVADOS

Os derivados de arroz continuam valorizados. A quirera é cotada entre R$ 17,00 e R$ 17,50 no Rio Grande do Sul e o canjicão a R$ 24,00, mas com negócios por preços superiores, principalmente por produto de melhor qualidade, bastante requisitado para a exportação.

TENDÊNCIAS

A semana foi de poucos negócios e nenhuma mudança de preço nas gôndolas. Este reflexo da alta no arroz em casca deve chegar aos supermercados nos próximos 15 dias, acreditam os analistas. Este final de semana ainda será de ofertas de arroz com previsão de preços inferiores a R$ 6,00 para sacos de 5 quilos de tipo 1 de várias marcas, inclusive algumas de ponta, em diversos supermercados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O consumidor deve aproveitar. Talvez em novembro estes preços não voltem às prateleiras.

A próxima semana deverá confirmar mais um aumento nos preços, entre R$ 0,50 a R$ 1,00 por saco de 50 Kg. Muitas empresas já anunciaram que abrem mercado, na semana que vem, na casa de R$ 22,50 a R$ 23,00. Nesta sexta-feira, foi geral no Rio Grande do Sul a queixa de empresas que tentaram comprar produto nestes padrões de preços e não confirmaram negócios.

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