Mercado mantém alta no Sul, mas indústria quer leilão

Semana começou muito aquecida para o arroz em casca no Rio Grande do Sul, mas dois fatores interferiram para esfriar o mercado a partir de quarta-feira: a indústria se retraiu e o produtor, com dificuldade de acesso ao custeio da nova safra, ofertou mais para quitar a parcela que venceu nesta sexta-feira.

A semana registrou significativa alta nos preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul, com mercado bastante aquecido de segunda (16) a quarta-feira (18). A partir de quinta-feira, dois fatores geraram uma desaceleração na alta dos preços: a indústria, que pressiona para que a Conab realize leilões de arroz no Rio Grande do Sul, estrategicamente reduziu o volume de procura pelo produto.

Ao mesmo tempo, os produtores que ainda têm cadastro com restrição ou afetados pela greve dos bancários, não conseguiram receber o custeio da safra 2006/07. Sendo assim, precisaram vender arroz de seus estoques para quitar a parcela que venceu nesta sexta-feira (20/10). A tendência é de que estes contratos de custeio sejam liberados até o final deste mês, fazendo com que a última parcela, que vence em 20 de novembro não provoque oferta de produto e estabeleça uma nova relação do produtor com o mercado.

Ainda assim, os preços bateram, em média, na casa dos 23,00 na Fronteira Oeste, Zona Sul, Depressão Central e no entorno da Lagoa dos Patos. Apenas a Campanha manteve a tradição de preços um pouco abaixo das demais regiões, bem como alguns municípios da Depressão Central, como Santa Maria, e Fronteira-Oeste, como Alegrete. Destaque para o arroz de variedades nobres e com alto percentual de inteiros, que já alcança R$ 24,00 a R$ 25,00 em Itaqui, Alegrete e São Borja, e chegou na casa dos R$ 30,00 em alguns negócios do Litoral Norte gaúcho. Neste caso, arroz de 67% de grãos inteiros.
Arroz parboilizado já foi negociado na faixa de R$ 23,00 final em Pelotas. Só uma grande indústria comprou 90 mil sacos com preços entre R$ 23,00 a R$ 23,50. O presidente da Federarroz, Valter José Pötter, destacou que esta recuperação dos preços ainda não pode ser considerada a redenção dos produtores. Lembra, acertadamente, que há dois anos o setor amarga prejuízos e que os valores atuais de mercado ainda não cobrem os custos médios de produção de arroz no Estado, de R$ 28,00 por saco.

OUTROS INDICADORES

O indicador diário de arroz em casca Cepea/Esalq/BM&F, fechou nesta sexta-feira indicando preços médios de R$ 24,22 para o saco de arroz de 58% de grãos inteiros (50Kg) posto na indústria gaúcha. A Emater/RS, em seu levantamento semanal, indica preço médio de R$ 21,08/50Kg (58% de inteiros) livre ao produtor. Uma alta de 2,88% sobre a semana passada. O Irga não divulgou seu relatório semanal de preços.

SANTA CATARINA

O mercado de arroz em Santa Catarina mantém-se estável, com lenta evolução nas praças de Rio do Sul e Jaraguá do Sul, que indicam R$ 19,50 a R$ 20,00. O Sul Catarinense manteve R$ 20,50 de preço médios para o arroz de 58% de grãos inteiros.

MATO GROSSO

Nos últimos dois leilões de venda de arroz realizados em bolsa, foram negociadas 10 mil toneladas no dia 06 e 8,8 mil toneladas no dia 17, diante de uma oferta de 15 mil toneladas em cada um deles. Desta forma, o volume total negociado até o momento é de 30,5 mil toneladas de arroz.

As cotações no mercado privado sofreram alterações em três regiões do estado. Em de Rondonópolis as cotações sofreram ajuste e a oferta é de R$ 29,00 por saca. Nos municípios de Sorriso e Sinop o aumento foi de R$ 1,00/sc, para R$ 25,00/sc. Para os demais municípios as cotações permanecem inalteradas. A saca de arroz segue cotada a R$ 23,00 em Primavera do Leste e R$ 29,00/sc em Cuiabá. Os dados são do IMEA.

LEILÕES

Os leilões de arroz realizados na última terça-feira no Mato Grosso tiveram resultados positivos. Cerca de 58% das 15 mil toneladas ofertadas foram comercializados com ágio, em média, de 11,5%. As mil toneladas ofertadas em Rondônia não foram negociadas e no Tocantins, com ágio de 4,6%, foram negociadas todas as 2.147 toneladas ofertadas pela Conab. No Rio Grande do Sul, o Irga alcançou média superior a R$ 24,22 para o arroz 58×10 em leilão que realizou.

BENEFICIADO

As indústrias gaúchas promoveram ligeiro reajuste nos preços de tabela e forçaram uma alta, em média, de mais R$ 1,00 por fardo de arroz de 30 quilos, do tipo 1. Ainda com dificuldades de repassar o preço do produto em casca para o varejo, a média de preços alcançada pelo arroz gaúcho de marcas intermediárias fica em R$ 35,00. Marcas “top” e “nobres” alcançam valorização maior. O fardo de 30 quilos de uma das marcas líderes já chega a São Paulo com preço final de R$ 42,00 (fardo de 30 quilos/tipo 1). Marcas nobres, extra e de alto valor agregado, chegam por até R$ 57,00/fardo.

O arroz beneficiado de Santa Catarina e do pólo industrial de Santa Cruz do Rio Pardo (SP), também se mantém com preços médios similares ao gaúcho (final São Paulo): entre R$ 34,00 e R$ 35,00. O produto parboilizado acompanha esta base de preços, com variação de R$ 0,50 a R$ 1,50 para cima ou para baixo, dependendo da marca e do mercado preferencial. O volume de negócios aqueceu esta semana, mas ainda é inferior ao esperado, o que demonstra que o varejo ainda está reticente quanto à alta da matéria prima.

O saco de 60 quilos de arroz beneficiado, sem marca, é comercializado no Rio Grande do Sul entre R$ 45,00 e R$ 49,00. Em São Paulo chega entre R$ 62,00 a R$ 74,00. Poucos negócios na área e relativa procura. A maior parte das indústrias está segurando o produto para vender fardos de 30 quilos, agregando valor.

DERIVADOS

A valorização dos derivados de arroz está seguindo o movimento de alta do arroz em casca. A quirera é cotada entre R$ 17,50 e R$ 18,50 no Rio Grande do Sul, com negócios registrados por até R$ 19,00 para produto de boa qualidade. O canjicão subiu mais R$ 1,00 e alcança R$ 25,00. Produto superior, principalmente destinado à exportação, alcança R$ 26,00.

MERCADO INTERNACIONAL

A tonelada do arroz norte-americano em casca (FOB Golfo), é cotada a US$ 245,00, segundo levantamento diário mantido pela Associação dos Cultivadores de Arroz do Uruguai.
O beneficiado 4%-5% alcança US$ 445,00/t e o parboilizado US$ 450. O tailandês beneficiado (100%B), fica em US$ 308,00 (FOB Bancoc). Para o arroz vietnamita Viet 5%, beneficiado, o preço é de US$ 275 (FOB Saigon) e o indiano alcança US$ 270,00 (FOB portos). No Mercosul nota-se maior oferta na fronteira com Uruguai e Argentina, com preços que começam a ser mais competitivos. A tonelada de arroz uruguaio, esbramado, está cotada a US$ 308,00 (FOB Jaguarão) e do produto argentino US$ 303,00. Grande indústria gaúcha, no entanto, rejeitou importar arroz uruguaio a US$ 300,00 esta semana, considerando o valor ainda um pouco alto. Mas, há informações de corretores de que as compras se avolumaram nos últimos dias.

TENDÊNCIAS

A semana manteve-se com poucos negócios de arroz beneficiado, principalmente por estar o varejo ainda reticente. No início desta semana, houve negócios confirmados em volumes significativos (130 mil sacos apenas em duas operações). Espera-se que na próxima semana os preços continuem firmes, principalmente porque a parcela de custeio desta sexta-feira já não pressiona mais o produtor. A indústria, todavia, tende a manter-se fora do mercado ou comprando muito pouco até o dia 30, quando se reunirá com a Conab e produtores para discutir a realização de leilões de arroz no Sul.

Os produtores são contra, pois alegam que mais de 40% dos estoques privados do RS ainda não foram negociados. E pensa em pedir uma “contagem” dos estoques de produtores que estão dentro da indústria. A suspeita é de que parte da indústria gaúcha vendeu a produção “depositada”, ou seja, dos produtores, na frente. E agora, diante de uma perda pela alta dos preços, pressiona por desova do estoque público tentando segurar os preços e evitar prejuízos maiores. Nas gôndolas, ainda não há reflexo significativo da alta dos preços, mas espera-se para novembro, após o segundo turno, uma mudança neste cenário. Dentro do próprio setor industrial, há comentários de que algumas empresas de débil saúde financeira, podem não suportar mais este golpe.

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