Preços no melhor patamar de 2006. Mas, indústria tira o pé das compras

Os preços do arroz no Rio Grande do Sul já chegaram ao melhor patamar de 2006. Sem conseguir repassar preços aos supermercados e com expectativa da realização de leilões dos estoques públicos, indústria gaúcha retirou o pé do acelerador nas operações de compra, mas está desabastecida.

O mercado de arroz em casca do Rio Grande do Sul iniciou a semana com forte pressão de compra da indústria, desabastecida, sinalizando aumento de R$ 0,50 a R$ 1,50 pelo saco de arroz de 50 quilos – base 58%. Sem oferta dos produtores, a maior parte já com o custeio da próxima safra liberado, e sem conseguir repassar os preços para o varejo, a semana terminou com as empresas praticamente fora do mercado.

A intensa negociação das lideranças do setor e dos supermercadistas de São Paulo pela liberação de estoques públicos em leilões da Conab, é coadjuvante neste arrefecimento, principalmente por parte das empresas que ainda têm algum estoque. Na próxima semana, a cadeia produtiva gaúcha se reúne com a Conab para abrir a negociação em torno da liberação de estoques por meio de leilões.

O saco de arroz gaúcho é cotado a R$ 24,00 em Cachoeira do Sul, Rio Pardo, Alegrete, Dom Pedrito, Rosário do Sul, São Gabriel e Eldorado do Sul. Em Pelotas, Camaquã, Uruguaiana e Itaqui o produto colocado na indústria é cotado a R$ 24,50, mas com raros negócios confirmados até R$ 25,00. As variedades nobres chegam a R$ 26,00 em Itaqui, São Borja e Alegrete, dependendo das características. No Litoral Norte, estas variedades alcançam cotação de R$ 27,50 a R$ 28,00 para produto com 63% de grãos inteiros. Comentários de negócios próximos de R$ 30,00 para arroz com 67% de inteiros. Arroz fraco, para parboilização, tem preço final, em Pelotas, de R$ 23,00 a R$ 23,50. O leilão de arroz do Irga, na última quinta-feira, teve baixa procura.

OUTROS INDICADORES

O indicador diário de arroz em casca Cepea/Esalq/BM&F, fechou nesta quinta-feira com referência de preços médios em R$ 25,05 para o saco de arroz de 58% de grãos inteiros (50Kg) posto na indústria gaúcha. Acumula alta de 20,6%.

A Emater/RS, em seu levantamento semanal, indica preço médio de R$ 22,44/50Kg (58%) livre ao produtor. Alta de 6,45% sobre os R$ 21,08 da semana passada. O Irga não divulgou seu relatório de preços.

SANTA CATARINA

O mercado de arroz em Santa Catarina apresentou reação nesta semana, influenciado pela alta no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso. O mercado chegou à média de R$ 21,00 no Sul catarinense (FOB Criciúma), com negócios por até R$ 22,00. Em Jaraguá do Sul o produto alcançou os R$ 20,00. A média de preços semanais em Santa Catarina, divulgadas pelo Icepa, saltou de R$ 19,75 na semana passada para R$ 21,00. Alta de 6,33%.

MATO GROSSO
Segundo relatório do IMEA, no mercado de comercialização entre produtores e indústrias, as cotações do arroz voltaram a apresentar aumento na região de Cuiabá. O arroz Primavera, com 55% de inteiros, chega a ser comercializado por R$ 30,00 (60Kg). Nas demais regiões, o preço é estável, mas a comercialização é pouca e os lotes são pequenos. Desde o início deste mês as cotações já sofreram ajustes de pelo menos R$ 1,00 por saca em todos os municípios do MT.
Falta produto com 50 inteiros acima no mercado mato-grossense, por isso a pressão de preços é tão grande. Nos leilões da CONAB, apesar dos preços inferiores ao mercado privado, a qualidade é muito inferior, afirmam os colaboradores do IMEA. A saca de arroz é negociada em Cuiabá a R$ 30,00, Rondonópolis a R$ 29,00, Sorriso e Sinop a R$ 25,00 e Primavera do Leste a R$ 23,00.
No último leilão de venda de arroz, realizado ontem pela CONAB, das 14.811 mil toneladas de arroz ofertadas, mais de 62% foram negociadas. O preço médio das vendas ficou em R$ 20,82 por saca. Até agora já foram negociadas em leilão quase 40 mil toneladas de arroz.

O plantio da safra brasileira de arroz referente à temporada 2006/2007 está evoluindo bem, segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Tiago Barata. Até o dia 27 de outubro, o levantamento de SAFRAS & Mercado indica uma área plantada de aproximadamente 854 mil hectares, o que significa cerca de 27% dos 3,148 milhões de hectares que deverão ser destinados ao cultivo do cereal nesta temporada.
(RR)

BENEFICIADO

As indústrias brasileiras, principalmente do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, estão com dificuldades de repassar preços para o varejo. A semana foi de gritaria geral, chegando até aos candidatos à presidência da República, pela alta dos produtos da cesta básica, principalmente o arroz. È forte a pressão política e de supermercadistas para que a Conab libere os estoques. Os produtores afirmam que esta é uma manobra arriscada, pois além de derrubar preços e provocar desmotivação para o próximo ano, poderá comprometer o abastecimento no segundo semestre de 2007.
Ainda assim, em média o fardo de 30 quilos do arroz gaúcho d emarcas intermediárias, tipo 1, chega a São Paulo a R$ 37,00. Marcas líderes de mercado e “tipo extra” alcançam valorização de até R$ 57,00/fardo.

O arroz beneficiado de Santa Catarina e do pólo industrial de Santa Cruz do Rio Pardo (SP), também se mantém com preços médios similares ao gaúcho (final São Paulo): entre R$ 35,00 e R$ 37,00. O produto parboilizado acompanha esta base de preços, com variação de R$ 0,50 a R$ 1,50, dependendo da marca e do mercado preferencial. O volume de negócios ainda demonstra que os supermercados estão duros na negociação, forçando preços mais baixos e até, em muitos casos, buscando marcas alternativas.

O saco de 60 quilos de arroz beneficiado, sem marca, é comercializado no Rio Grande do Sul entre R$ 47,00 e R$ 49,00. Em São Paulo chega, em média a R$ 65,00. Poucos negócios na área e relativa procura. A maior parte das indústrias prefere vender fardo.

Nas gôndolas, os reflexos da recuperação dos preços do arroz já começam a aparecer de forma mais significativa. Produto vendido por R$ 5,50 a R$ 6,00 (cinco quilos – tipo 1) no início do mês, já apresentam valor médio de R$ 7,80 a R$ 8,00.

DERIVADOS

A valorização dos derivados de arroz está seguindo o movimento de alta do arroz em casca. A quirera é cotada entre R$ 19,00 e R$ 20,00 no Rio Grande do Sul. O canjicão subiu mais R$ 2,00 e alcança R$ 27,00. Produto superior, principalmente destinado à exportação, alcança R$ 28,00 – saco de 60 quilos.

MERCADO INTERNACIONAL

Os preços no mercado internacional só se movimentaram no Vietnã esta semana. O arroz Viet 5%, beneficiado, ofertado a US$ 275,00 (FOB Saigon) na semana passada, agora é negociado entre US$ 280,00 e US$ 290,00.

A tonelada do arroz norte-americano em casca (FOB Golfo), é cotada a US$ 245,00. O beneficiado 4%-5% alcança US$ 445,00/t e o parboilizado US$ 450,00. O indiano alcança US$ 270,00 (FOB portos).

No Mercosul é maior a pressão de venda, principalmente na fronteira uruguaia, onde o arroz em casca é ofertado a US$ 185,00/ton. O produto beneficiado é cotado entre US$ 308,00 e US$ 312,00. O produto argentino, FOB Uruguaiana, é cotado entre US$ 305,00 e US$ 310,00. As compras têm se avolumado. O arroz argentino em casca tem oferta de US$ 190,00 a tonelada (FOB Itaqui).

TENDÊNCIAS

A próxima semana tende a ser mais tensa em razão do encontro da cadeia produtiva com a Conab. A queda de braço no campo técnico poderá empurrar os leilões para dezembro, mas a pressão política, com o aumento de preços dos alimentos básicos, e do varejo poderá acelerar este processo. Ainda assim, no mercado físico, que conta imediatamente, interessa é que a indústria está desabastecida e demandará produto. Engenhos de pequeno e médio porte não podem se dar ao luxo de esperar os leilões para se abastecer e seguirão comprando. Estes, por sinal, estão fazendo o diferencial de preços melhores ao produtor.

A tendência é de mais uma pequena alta nos preços, por conta do produtor já estar com o custeio da próxima safra e não precisar vender produto para pagar a próxima parcela do financiamento da safra passada, que só vence em 20 de novembro. O comportamento da indústria – compradora ou fora de mercado – e o sucesso da tentativa de repassar preços ao varejo e atacado, acompanhados da decisão da Conab de realizar ou não leilões de arroz no curto prazo, são fundamentais para decidir o futuro desta escalada de preços.

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