Mercado segue em alta, mas desorganizado. Expectativa para os leilões no Sul
Os preços do arroz continuam em alta no Rio Grande do Sul, mas as grandes indústrias estão fora de mercado. Grande expectativa para os leilões da Conab no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, na próxima quarta-feira.
Os preços do arroz no Rio Grande do Sul continuam batendo recorde em 2006, mas em função da alta e da expectativa dos leilões da Conab, o mercado está bastante desorganizado. Correm informações dos mais variados preços praticados em diferentes regiões gaúchas e no Mercosul, enquanto as grandes indústrias gaúchas se mantêm fora do mercado há mais de uma semana.
A oferta dos produtores, surpreendidos pelo valor inicial dos leilões estabelecidos pelo governo, é pequena e buscando preços mais próximos do referencial de R$ 26,20. Embora temessem que a Conab entrasse leiloando arroz pelo preço mínimo, os produtores vinham segurando a oferta. Agora, com medo que a indústria boicote os leilões e force uma queda de preços, muitos produtores estão ofertando pequenos volumes abaixo dos preços do leilão, em torno de R$ 25,00 a R$ 26,00, mas acima do que vinha sendo o mercado em várias regiões até a semana passada: R4 23,00 a R$ 24,50. Negócios fechados esta semana, praticamente só nas empresas de menor porte.
O saco de arroz gaúcho é cotado a R$ 24,50 em Cachoeira do Sul, Rio Pardo, Alegrete, Dom Pedrito, Rosário do Sul e São Gabriel. Em Pelotas, Camaquã, Uruguaiana e Itaqui o preço final do produto colocado na indústria fica entre R$ 24,50 e R$ 25,25, mas com as grandes indústrias fora de mercado. Apenas uma delas fez negócios mais significativos, comprando arroz em Arroio Grande por R$ 25,50 (final indústria).
As variedades nobres chegam a R$ 26,50 em Itaqui, São Borja e Alegrete, dependendo das características. No Litoral Norte, estas variedades alcançam cotação de R$ 28,00 a R$ 30,00 para produto com 63% de grãos inteiros. Forte presença de indústrias de fora do RS.
Arroz para parboilização tem preço final, em Pelotas e Camaquã, de R$ 23,50 a R$ 24,00.
OUTROS INDICADORES
O indicador diário de arroz em casca Cepea/Esalq/BM&F, fechou nesta quarta-feira, 1o de novembro, com referência de preços médios em R$ 25,46 para o saco de arroz de 58% de grãos inteiros (50Kg) posto na indústria gaúcha. No acumulado de outubro (até 30/10), subiu 21,33%.
A Emater/RS, em seu levantamento semanal, indica preço médio de R$ 23,72 pelo arroz gaúcho, contra R$ 22,44/50Kg (58%) livre ao produtor, da semana passada. Alta de 5,7%. Ainda segundo a Emater, 29% da lavoura gaúcha já está plantada, sendo que 19% do arroz já está em fase de germinação.
SANTA CATARINA
O mercado de arroz em Santa Catarina passou a acompanhar de maneira mais significativa a alta de preços no Rio Grande do Sul nas duas últimas semanas. O mercado chegou à média de R$ 22,00 no Sul catarinense (FOB Criciúma), com negócios por até R$ 23,50. Em Jaraguá do Sul o produto alcançou os R$ 22,00. Rio do Sul manteve os R$ 20,00 de média. A demanda é maior do que a oferta, nesta semana.
MATO GROSSO
Os preços do arroz em casca no Mato Grosso estão se mantendo altos, pois as indústrias que participam dos leilões da Conab estão com dificuldades para retirar o produto dos armazéns, encontrando muito produto misturado e sem as qualidades especificadas. Este assunto, por sinal, foi a razão de uma reunião na última quarta-feira entre representantes da cadeia produtiva, da Conab e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Falta produto com 50 inteiros acima no mercado mato-grossense, por isso a pressão de preços é tão grande.
A escassez de oferta mantém os preços firmes. Dos quatro leilões realizados nesta quarta-feira no Centro-oeste, apenas o aviso 381 teve a realização de negócio. Aproximadamente 79% das 18.085 toneladas ofertadas foram negociadas, apresentando um ágio médio de 8,16% no preço de fechamento. Foi negociada 74,4% da oferta no Mato Grosso (ágio de 9,3%) e a totalidade da oferta em Rondônia e Tocantins com respectivamente 0,6% e 7,7% de ágio.
Os preços mantiveram-se estabilizados esta semana, indicando R$ 30,00 para a saca de 60 quilos (50%) em Cuiabá, R$ 29,00 em Rondonópolis, R$ 25,00 em Sinop e Sorriso e em Primavera do Leste R$ 23,00.
BENEFICIADO
O varejo já começa a assimilar, ainda que muito devagar, os preços da indústria para o arroz beneficiado.
Dentro do Rio Grande do Sul o saco de arroz de 60 quilos, beneficiado (tipo 1) é cotado, em média, a R$ 48,00. Chega a São Paulo, em média, por R$ 67,00 (final). Aumentou consideravelmente a procura na última semana.
O fardo de 30 quilos do arroz gaúcho, tipo 1, é comercializado em média a R$ 38,00 (final São Paulo). As marcas que têm a liderança do mercado e tipo extra alcançam valorização média de R$ 45,00 e até R$ 57,00/fardo, respectivamente..
O arroz beneficiado de Santa Catarina e do pólo industrial de Santa Cruz do Rio Pardo (SP), também se mantém com preços médios similares ao gaúcho (final São Paulo): entre R$ 36,50 e R$ 39,00. O produto parboilizado acompanha esta base de preços, com variação de R$ 0,50 a R$ 2,00, para cima.
Nas gôndolas, os reflexos da recuperação dos preços do arroz já começam a aparecer de forma mais significativa. Produtos com preço médio de R$ 6,00 a R$ 7,00 há um mês já aparecem nos supermercados entre R$ 8,00 e R$ 10,00.
DERIVADOS
Os derivados mantiveram as cotações esta semana. A quirera é cotada entre R$ 19,00 e R$ 20,00 no Rio Grande do Sul. O canjicão alcança R$ 27,00 (60kg).


