Leilão de arroz vende só 17%

Preços no Sul estão em declínio. Leilão ajudou a pressionar a baixa.

O fracasso de vendas do leilão realizado nesta sexta-feira pela Conab com arroz do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, somado a outros fatores como o vencimento da última parcela de custeio da safra 2005/06 na próxima semana e uma estratégia de minimizar as compras, adotada pela indústria, fragilizou o mercado de arroz em casca no Sul do Brasil.

Os preços entraram em declínio desde o primeiro leilão da Conab, na semana passada, quando as grandes indústrias saíram do mercado. A próxima semana, quando haverá reunião da Câmara Setorial do Arroz em Porto Alegre, será de grande queda de braço entre a indústria e os produtores. Os leilões estão suspensos, segundo fonte da Conab, até que a cadeia produtiva tome uma decisão no encontro do dia 24.

Das 51,1 mil toneladas de arroz ofertadas para Rio Grande do Sul e Santa Catarina no leilão da Conab, apenas 8.809 foram comercializadas (17%). Saíram lotes de arroz “fraco” para parboilização em posições estratégicas, como Camaquã/Pelotas e Cachoeira do Sul, ou volumes de 20% a 30% de lotes negociados que estavam depositado em algumas indústrias gaúchas. Ovídio Ferronato, da Corretora Mercado, informa que o mercado não se surpreendeu com o resultado do leilão.

– Já era esperado um leilão bastante frio. Não havia interesse da indústria que está considerando estes preços muito altos. O problema maior para os preços é que daqui até o final do ano teremos pouco mais de 20 dias úteis – explicou.

O diretor de mercados da Federarroz, Marco Aurélio Marques Tavares, disse que o setor produtivo também não se surpreendeu.

– Passamos a semana inteira em contato com a Conab sugerindo a suspensão do leilão, pois já havia indicativos sólidos de que não haveria interesse por parte da indústria – explicou.

Segundo Tavares, os leilões estão suspensos pela Conab até que sejam avaliados com a cadeia produtiva, na próxima semana. O setor produtivo deverá insistir em leilões em menor escala com VEP, pois considera que está clara a situação de concentração de estoques no Rio Grande do Sul em contraste com a falta do produto no Centro-Oeste brasileiro.

– Tanto que os leilões do Mato Grosso estão com demanda crescente e ágio de até 40% em algumas regiões, como Rondonópolis – explica.

Com a mudança de postura do mercado, o produtor mostra-se bastante inseguro e passou a ofertar mais arroz na semana que passou. O vencimento da última parcela de custeio até o próximo dia 20 também gerou pressão de oferta.

– O produtor será o principal agente do mercado daqui pra frente, principalmente na próxima semana, quando a indústria deverá exercer uma forte pressão de baixa. É importante que o arrozeiro aja com muita cautela e mantenha a linha de, pelo menos, R$ 25,00 na hora de vender, pois foi o valor que este último leilão sinalizou – explica Tavares.

Segundo o dirigente da Federarroz, o argumento de desabastecimento que a indústria usou para pedir os leilões acabou descaracterizado, pois houve a oferta dos estoques da Conab e também do produtor nos últimos dias, sem que a indústria apresentasse interesse de compra. Agentes de mercado também acreditam que o varejo tratou de se abastecer na alta dos preços e agora aguarda o melhor momento para voltar a comprar.

A necessidade dos produtores limparem armazéns para a entrada da próxima safra também conta a favor da indústria para que se mantenha fora do mercado. Na semana passada, as grandes indústrias do Mercosul (Comasur) estiveram reunidas em Buenos Aires, analisando as safras e a conjuntura de comercialização.

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