Preços caem menos no RS, mas podem subir em janeiro
Os preços caíram mais alguns centavos por saco de 50 quilos, principalmente na Fronteira, Campanha e Depressão Central gaúcha. A indústria está fora de mercado e o produtor segue ofertando. Mas, há expectativa de leve alta na segunda quinzena de janeiro, puxada pelo fim dos estoques das variedades nobres.
A semana apresentou nova queda nos preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul, com a indústria praticamente fora do mercado e pressão de oferta dos produtores que precisam de caixa para honrar os compromissos de final de ano, como 13° salários, férias, entre outros. A queda foi menor. Em alguns casos, houve estabilidade
Sendo assim, os preços caíram mais alguns centavos por saco de 50 quilos, principalmente na Fronteira, Campanha e Depressão Central. Preços médios de R$ 22,50 em Cachoeira do Sul, Santa Maria, Dom Pedrito, Alegrete e Guaíba. Posto na indústria, chega a R$ 23,00/23,50 em Pelotas, Camaquã, Uruguaiana e Itaqui. Produto das variedades nobres alcança de R$ 1,00 a R$ 1,70 a mais nas cotações em Itaqui, Alegrete e São Borja. No Litoral Norte, estas variedades, com 63% de grãos inteiros alcançam entre R$ 25,50 e R$ 26,00.
O produto de qualidade diferenciada, no entanto, está terminando. Estima-se que o Litoral Norte tenha cerca de 80 mil sacos de estoque de Irga 417 com 63% de grãos inteiros acima. Na Fronteira a oferta está escasseando. Há expectativa de que os preços deste produto possam subir em janeiro, puxando o preço do branco para cima, fenômeno que ocorreu nos dois últimos anos.
A indústria gaúcha se mantém praticamente fora do mercado e força preços para baixo com dois argumentos básicos: há arroz da Argentina ofertado a R$ 20,50 (equivalência 50 quilos) posto em Uruguaiana (sem frete). O Uruguai praticamente não está ofertando produto, esperando uma alta nos preços no próximo ano. O Mercosul deve reduzir em 10% a área plantada por causa da estiagem. Na Argentina, o abastecimento de combustíveis também interfere no volume e na qualidade da safra.
A boa notícia da semana é o recorde de exportações de arroz brasileiro, com volume significativo de produto beneficiado. O país já está entre os 10 maiores exportadores do mundo, embora alcançando cerca de 430 mil toneladas e cerca de 70% de quebrados.
O fardo do arroz gaúcho chega em São Paulo por preços que variam de R$ 31,00 a R$ 42,00, mas com R$ 34,50 como preço mais comum. Supermercados paulistas seguem ofertando produto abaixo dos R$ 6,00 para saco de arroz tipo 1 de cinco quilos. Mesmo no Rio Grande do Sul há preços neste padrão. O quebrado perdeu valor nas últimas semanas, com o canjicão caindo de R$ 28,00 para R$ 27,00 (saco de 60 quilos) e a quirera estabilizando em R$ 20,00. O saco de arroz beneficiado de 60 quilos, tipo 1, é comercializado dentro do estado por R$ 47,00 a R$ 48,00, em média.
Com a suspensão dos leilões da Conab e os poucos dias úteis até o final do ano, a expectativa dos principais consultores é de que o mercado só volte a se movimentar a partir da segunda quinzena de janeiro. E para cima. Argumentam a redução na estima de produção indicada pela Conab, indicativos de quebra por falta de água no Mercosul, estoques mais ajustados para 2007 e o baixíssimo estoque de produto de melhor qualidade (variedades nobres) no Rio Grande do Sul.
Isso, no entanto, dependerá muito do volume de ofertas dos produtores, que se atiraram ao mercado e seguem pressionando pela venda de seu produto. Essa postura é evidentemente baixista. A indústria “sentou pra trás”, e se diz abastecida ao menos até o final de janeiro. Assim, tem todas as condições de determinar preços ao produtor.


