Arroz de Cachoeira para a África
Engenho Irmãos Trevisan exportou 1,5 mil toneladas este ano. Estado bate mais um recorde .
As exportações brasileiras de arroz bateram um recorde histórico de janeiro a novembro deste ano. Os embarques passam de 424,2 mil toneladas, ultrapassando a meta prevista para o ano. Com esse resultado, o Brasil se insere entre os 10 maiores exportadores de arroz do mundo. Cachoeira do Sul colaborou para que o recorde fosse alcançado. Este ano, a Irmãos Trevisan S.A exportou para a África 1,5 mil toneladas de arroz beneficiado, um aumento de 250 mil quilos em relação ao ano passado. O principal comprador do arroz produzido e beneficiado em Cachoeira é o Senegal.
O assessor de diretoria do Irmãos Trevisan, Gustavo Trevisan, salienta que esta é mais uma oportunidade de negócio da empresa, que já atua no mercado internacional desde 1973, com a exportação de soja. Em 2003, o Trevisan começou a vender seu arroz para o exterior devido à oferta excessiva do cereal e seus subprodutos no mercado interno, o que ocasionou uma baixa considerável nos preços. Assim, o Trevisan consegue agregar valor aos seus produtos.
– Com a exportação, o volume de arroz no mercado interno é menor. Isso é bom para toda cadeia produtiva do arroz, pois os preços são melhores – comenta Trevisan.
De acordo com Trevisan, como o arroz é um produto onde a exportação está iniciando em volumes expressivos no Brasil, é preciso analisar no momento da comercialização qual o melhor mercado para o produto.
– Normalmente, o mercado interno é melhor que o externo, mas depende do momento – salienta o assessor.
Para o ano que vem, o Irmãos Trevisan pretende manter o volume de exportação alcançado neste ano. Porém, as vendas para o exterior dependerão de uma análise de mercado.
ESTOQUES
– Achamos que o ano de 2007 terá preços superiores ao ano de 2006 pela redução de estoques de passagem de governo, Mercosul e produtores. O preço do arroz no mercado internacional está 40% superior comparado a dois anos atrás. Além disso, há uma diminuição nas áreas de arroz no estado – enfatiza Trevisan.
O que também pode influenciar diretamente no preço é a produção. Como existe um déficit hídrico no estado, uma pequena estiagem poderá provocar quebra na lavoura. Se a produção for menor do que o consumo, falta arroz e o preço sobe.
Importante
O assessor do Instituto Rio-grandense do Arroz (Irga), Marcos Tavares, afirma que a prospecção de novos mercados para o cereal permite direcionar os excedentes a outros mercados, ampliando o consumo do produto e permitindo uma melhor adequação entre a oferta e a demanda. Além disso, possibilita uma redução do estoque nacional e maior equilíbrio nos preços internos.
ATENÇÃO
O maior volume de exportações no ano foi do Rio Grande do Sul, com 362 mil toneladas (86% do total), sendo 72,7 mil toneladas de arroz beneficiado. Os principais compradores continuam sendo os países do continente africano, principalmente Senegal e Gâmbia, e a União Européia, com destaque para a Suíça.
Estagnado há três anos, o mercado estrangeiro foi melhor avaliado pela atual gestão do Irga. A autarquia criou um projeto de exportação e realizou vários encontros com potenciais compradores do produto gaúcho, afirma o presidente do Irga, Maurício Fischer. O resultado pode ser analisado em números. Em 2004, o país embarcou 25 mil toneladas e neste ano, 424 mil.


