Família repete ritual há 62 anos para ter feliz Ano-Novo

O moti é oferecido desde a antigüidade em homenagem aos deuses para unir os espíritos dos cereais e dos homens.

Há 62 anos, a família Yano, na véspera do Ano-Novo, prepara bolinhos moti, feitos com o arroz glutinoso motigome. É uma tradição milenar japonesa que é cultivada também no Brasil pelos japoneses radicados e seus descendentes. O objetivo: trazer felicidade a todos os dias do ano.

Ontem, Aurora Sumie Yano, 62, e seu marido Seiji Yano, 62, cozinharam cerca de dois quilos de arroz que, depois, precisa ser socado em um pilão para ganhar consistência.

– É um costume que aprendemos com nossos avós e que várias famílias repetem em Bauru – diz Seiji.

Ele também é o atual presidente da Associação Religiosa Nambei Honganji, que reúne a comunidade budista de Bauru. Hoje, ela tem cerca de 230 associados. Anualmente, a comunidade nipônica também se reúne e faz milhares de bolinhos moti para venda.

Nesta virada de ano, foram feitos 750 quilos da iguaria.

– Dá azar se não fizer – diz Aurora.

Ela acredita que comer o bolinho nos primeiros dias do ano realmente traz sorte. O bolinho é comido na manhã do dia 1º de janeiro com uma sopa ozoni, que leva ingredientes como cenoura, saquê, raiz goboo e shoyu.

Além disso, o moti é espalhado nos cômodos das casas e consumido três ou quatro dias depois.O moti é oferecido desde a antigüidade em homenagem aos deuses para unir os espíritos dos cereais e dos homens. Reza a tradição que esse ritual de preparação traz sorte, fartura e longevidade para as famílias.

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