Poucos negócios e preços frios no mercado do arroz

O setor industrial está praticamente todo fora de mercado, aguardando aquecimento da demanda do varejo.

O mercado brasileiro de arroz ainda vive a ressaca das festas de fim de ano e a expectativa de uma nova safra. Os preços nominais sofreram mais uma pequena queda nesta semana, mas poucos negócios são confirmados entre produtor e indústria. O setor industrial está praticamente todo fora de mercado, aguardando aquecimento da demanda do varejo. Esta semana, algum movimento já foi registrado neste sentido, mas ainda é mínimo. Na verdade, varejo e indústria seguem abastecidos em condições de atender suas demandas por produto até o final de janeiro, pelo menos.

O mercado nominal do arroz em casca segue em baixa no Rio Grande do Sul, com preços variando entre R$ 21,00 e R$ 21,50 na maioria das regiões. Preços acima destes patamares apenas para o produto dentro da empresa (frete incluso) e as variedades nobres (Irga 417 e BR irga 409). No Litoral Norte, estas variedades são valorizadas entre R$ 25,00 e R$ 26,50, dependendo do percentual de inteiros.

Os raros produtores que estão ofertando, não encontram receptividade das indústrias, a menos que opere com preços abaixo dos patamares já citados. Uma empresa gaúcha estaria oferecendo até R$ 23,00 a R$ 24,00 pelo produto dentro do parque fabril, mas segundo agentes de mercado, o histórico de dificuldades na hora de quitar o pagamento pelo produto não está ajudando a convencer os arrozeiros. O agricultor segue mais preocupado em garantir a próxima safra do que em vender o que sobrou de 2006. Alguns, estrategicamente, ainda seguram o produto esperando alta em fevereiro, no pico da entressafra. A semana foi de muitas informações, não confirmadas, de aumento no volume de importação. Principalmente de produto argentino.

Com o mercado estagnado, os preços dos derivados também deram uma esfriada: a quirera manteve-se entre R$ 19,00 e R$ 19,50. O canjicão de arroz a R$ 26,00 (saco de 60 quilos) no Rio Grande do Sul, mas com notícias de negócios por até R$ 25,00, apesar da demanda do produto para exportação. Arroz para parboilização está encontrando um bom mercado na Zona Sul, com preços muito próximos do branco.

A Conab realizará no próximo dia 10 um leilão de arroz gaúcho. Serão colocadas à venda, por meio de VEP, 7,5 mil/t do produto, que deverão ser escoadas para qualquer destino que não seja localizado no próprio estado, em Santa Catarina ou nos estados do Nordeste, do Centro-Oeste e do Norte. Um comunicado emitido pela Conab no final da tarde desta sexta-feira, informou que a indústria poderá comprovar a operação com arroz esbramado ou beneficiado, atendendo a uma demanda do setor. Agentes de mercado ligados aos Estados Unidos entraram em contato com alguns agentes de mercado brasileiro e analistas para buscar informações deste mecanismo, levando em conta notícias que teriam indicado a operação para escoamento do arroz gaúcho para o exterior.

O Irga divulgou nesta sexta-feira, a confirmação de redução de 10% da área plantada no Rio Grande do Sul, em decorrência do baixo armazenamento de água dos mananciais na fase de plantio.

SANTA CATARINA

Em Santa Catarina os preços esfriaram um pouco, refletindo a queda do Rio Grande do Sul. Média de R$ 22,50 para o saco de 50 quilos do arroz de 58% de inteiros nos raros negócios fechados nesta semana no Sul catarinense. A expectativa fica por conta do leilão de 5 mil toneladas de arroz catarinense na próxima semana.

MATO GROSSO

No Mato Grosso estão confirmados os leilões de arroz da Conab. Serão 30 mil toneladas. Haverá leilões também no Pará e Rondônia. Os preços continuam estabilizados por falta de oferta dos produtores, que estão com os estoques praticamente zerados. O sindicato da indústria de arroz do Mato Grosso conseguiu retirar a região Centro-Oeste do rol de destinos do leilão de arroz com VEP, que será realizado dia 10 no Rio Grande do Sul. Segundo o presidente Marco Lorga, uma ação deste tipo desestimularia a cadeia produtiva regional, justamente no momento em que há estabilidade dos preços, entre R$ 26,00 e R$ 30,00, dependendo da região e da qualidade do produto.

INDICADORES

O indicador de preços do arroz do Cepea/Esalq e BM&F, apontou em dezembro uma retração de 6% nos preços do cereal em sacos de 50 quilos, com 58% de grãos inteiros, colocados na indústria gaúcha (preço final). Nesta quinta-feira o indicador era de R$ 22,44. São 27 centavos a menos do que na semana passada e R$ 0,47 a menos que o preço registrado no último dia 20/12.

VAREJO

Passados os festejos de Natal e Ano Novo, os consumidores estão conseguindo encontrar nas gôndolas dos supermercados o arroz a preços ainda menores do que em dezembro. Em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre o saco de cinco quilos de arroz do tipo 1, de algumas marcas, chega a ser encontrado por até R$ 5,85, segundo fontes do mercado. As vendas da indústria, com ligeira melhora esta semana em relação aos últimos 15 dias, já começa a fazer média abaixo dos R$ 34,00 (final em São Paulo, preço à vista) para o fardo de 30 quilos (tipo 1). Marcas intermediárias e algumas velhas conhecidas por operar muito abaixo do patamar médio, estão pressionando os preços para baixo, talvez por necessidade das empresas fazerem caixa, com negócios confirmados por até R$ 30,00 (fardo de 30 quilos/tipo 1/final São Paulo).

TENDÊNCIA

O mercado brasileiro de arroz deve entrar a próxima semana sem muitas novidades. Algumas indústrias prevêm reduzir os preços referenciais para compra de produto beneficiado na próxima terça-feira entre R$ 0,20 e R$ 0,30. Ainda assim, com o mercado bastante frio, os valores são apenas nominais. Espera-se um ligeiro aquecimento na demanda dos varejistas, o que poderá refletir numa estabilização dos preços a partir da segunda quinzena de janeiro. No entanto, a expectativa para o próximo ano é de preços mais adequados e alguma rentabilidade para a lavoura nacional.

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