Leilões da Conab sem movimento no Sul

Fracassou a primeira tentativa de Leilão VEP no Rio Grande do Sul. Dos cinco leilões do dia, movimentação apenas no Mato Grosso, Rondônia e Pará.

A retirada estratégica do mercado comprador de arroz em casca da indústria do Sul do Brasil, motivadas pela fraca demanda do varejo e cenários ainda não muito claros para 2007, afetaram os leilões promovidos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quarta-feira. De aproximadamente 46 mil toneladas ofertadas, apenas 10,22 mil foram negociadas. O maior percentual de negociação ocorreu em Rondônia, onde as 2,47 mil toneladas ofertadas foram comercializadas, movimentando R$ 840.094,86.

No Mato Grosso, foi registrado o maior volume físico de produto negociado, com 7,68 mil toneladas (23,1%) das 33,3 mil ofertadas. A negociação rendeu R$ 2.310.902,21 aos cofres públicos. As 608 toneladas ofertadas em dois outros editais não tiveram demanda. Não houve interesse da indústria em arroz abaixo padrão (AP). No Pará, apenas 78 toneladas, de um volume total de 850, foram comercializadas (9,2%), A operação gerou R$ 32.214,00.

Totalizando as vendas em Mato Grosso, Pará e Rondônia, foram comercializadas no edital 10,22 mil toneladas de uma oferta total de 33,3 mil/t, o que representa 30,7% do volume ofertado. No total, foram movimentados R$ 3.192.111,07. Houve ágio em alguns lotes.

SUL

No Sul, fracassou mais uma tentativa de vender as 7,5 mil toneladas de arroz da Conab armazenados em Cachoeira do Sul (RS). A proposta do VEP não atraiu compradores, pois o prêmio de R$ 4,35 sobre um preço de abertura de R$ 26,35 não foi atraente, segundo os corretores. Haveria negócios com um prêmio de R$ 1,00 a R$ 1,50 maior.

A retirada do Centro-Oeste da zona passível de comercialização, obrigando a venda interna apenas para o Sudeste, diminuiu o interesse. A alternativa de exportação, que não é clara no edital, não atraiu a indústria gaúcha por questões de mercado e preço. Além da burocracia e de alguma desconfiança quanto as regras de pagamento futuro do prêmio pela Conab, o mercado internacional tem ofertas em valores que não seriam viabilizados pelo Brasil nesta operação.

Alguns analistas consideram o Leilão de VEP do arroz gaúcho para o Sudeste um tiro no pé. Estaria facilitando a redução de preços do produto para abastecer o varejo do principal pólo consumidor às vésperas da safra. Assim, na colheita o arroz gaúcho poderia voltar aos patamares ridículos do primeiro semestre de 2006. O ponto de partida na safra seria aviltado pelo excesso de produto do varejo paulista que o VEP poderia produzir.

A indústria catarinense, mais uma vez, mostrou a interferência do mercado gaúcho e não demonstrou interesse nas 5,04 mil toneladas ofertadas pela Conab nas praças de Araranguá, Forquilhinha, Jacinto Machado, Paulo Lopes, Pouso Redondo, Turvo. Praticamente metade em Araranguá. O preço de abertura era de R$ 26,20. Com informações das corretoras.

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