Semana de queda, com indicativos de alguma estabilidade futura

Preços do arroz devem parar de cair com o anúncio de leilões e recursos para a comercialização. Mas, falta de armazéns poderá complicar a única vez que o governo agiu como manda a figura
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Os preços do arroz em casca no mercado brasileiro apresentaram queda em mais esta semana, com ligeira estabilidade a partir desta quinta-feira, a partir da publicação do edital dos leilões de Opções Públicas e da liberação dos recursos para AGF e EGF. É a primeira vez na história que o governo federal libera recursos na hora certa para atender a demanda de comercialização e sustentar preços em décadas, mas agora surge outro problema: a estrutura de armazenagem.

Apesar de um levantamento da Conab demonstrar que há armazéns credenciados, parte da indústria não tem interesse por estar com produto próprio ou depositado da safra passada, estoques remanescentes da Conab e ainda precisar receber uma nova safra. A sustentação de preços, agora, depende de compra e lugar para colocar o produto.

Corretores e industriais consideram muito difícil a solução deste impasse. Todavia, o anúncio já teve o seu primeiro efeito esperado, travando a queda nos preços a partir do meio da semana. Em Alegrete, Cachoeira do Sul, Rosário do Sul, São Gabriel e Dom Pedrito, o saco de arroz em casca com 50 quilos e 58% de grãos inteiros é cotado a R$ 17,50, em média. Pelotas, Camaquã, Itaqui e Uruguaiana pagam em média R$ 18,50 para o produto dentro da indústria. No Litoral Norte, o produto de maior percentual de inteiros é comercializado na faixa de R$ 22,50 a R$ 23,00.

O levantamento semanal de preços do IRGA alcançou média de R$ 18,84 na indústria, indicando estabilidade em relação à semana anterior. O indicador de preços do arroz do Cepea/Esalq e BM&F, atingiu R$ 18,39, alta de 0,36% com relação aos R$ 18,32 de quarta-feira. Até quinta-feira, o mês de fevereiro confirmava queda de 4,88%. A Emater apontou média de R$ 19,14 pelo saco de arroz de 50 quilos no Rio Grande do Sul esta semana.

OUTROS ESTADOS

No Mato Grosso e em Santa Catarina, segundo e terceiro maiores produtores do Brasil, a situação de mercado não é muito diferente do Rio Grande do Sul. Apesar de uma demanda considerável e o início da colheita, as indústrias estão indo devagar às compras. Preços entre R$ 18,00 e R$ 19,00 para o saco de 60 quilos do arroz Primavera, 55%, em Sinop e Sorriso, chegando a R$ 21,50 para o produto posto em Cuiabá. Há demanda, mas a indústria opera com alta ociosidade e está atendendo apenas o mercado estadual.

Em Santa Catarina, a colheita começa a ser mais expressiva. Os primeiros resultados mantêm o indicativo de alta produtividade para 2007. Preços na faixa de R$ 18,50 em Jaraguá do Sul e entre R$ 19,00 e R$ 19,50 no Sul Catarinense. Na noite de quinta-feira o Sindarroz-SC reuniu industriais catarinenses em Araranguá, contando com uma palestra do analista da SAFRAS, Tiago Sarmento Barata, com vistas a uma apresentação dos cenários futuros da comercialização.

INDÙSTRIA

A indústria de arroz segue fora de mercado no Rio Grande do Sul, apenas com algumas pequenas recebendo produto. Algumas operam apenas com compra, sem aceitar depósito. A posição da indústria também é de receber o mínimo possível de produto da Conab, levando em conta a falta de armazéns e o estoque de passagem. Também está com sérias dificuldades com relação ao varejo que segue demandando pouco volume de produto. Algumas pequenas empresas ainda operam no mercado, principalmente na Zona Sul com preços de R$ 0,50 por saco. Em Santa Catarina já existe recebimento de produto, bem como no Rio Grande do Sul. No Mato Grosso a indústria está demandando produto, mas há cautela na compra.

O fardo do arroz gaúcho é comercializado em média a R$ 31,00, com muitas empresas operando em faixa inferior, até R$ 27,00 para 30 quilos do tipo 1, entregue em São Paulo. Mudanças são previstas em função da alteração da alíquota de ICMS que foi aumentada neste estado. O mesmo padrão de preços é praticado pelas indústrias catarinenses. O fardo de 60 quilos é comercializado dentro do Rio Grande do Sul por R$ 40,00.

Os subprodutos seguem cotações estáveis com o canjicão de arroz cotado a R$ 26,50 e a quirera na faixa de R$ 19,50.

TENDÊNCIAS

A liberação de recursos por parte do governo federal para a comercialização e a campanha lançada pelo IRGA, Farsul e Federarroz para que os produtores segurem sua produção, parece estar dando resultados nesta semana. Com a redução da oferta, os preços pararam de cair desde quarta-feira. Agora, resta verificar o interesse no leilão de contratos de opção e a disponibilidade de armazéns para aquisições governamentais. Só com interesse de compra e armazéns para o produto, será possível uma recuperação de preços.

Alguns analistas e industriais acreditam que se os produtores tivessem vendido o produto quando chegou a R$ 24,00/R$ 25,00, em novembro, atualmente haveria menor oferta de produto e oferta de armazéns. Não deixam de ter razão. Há produtores que não venderam o produto a R$ 28,00 para ganhar mais R$ 1,50 a R$ 2,00, e acabaram perdendo de R$ 8,00 a R$ 10,00 com a queda acentuada. A recuperação nos preços do arroz dependem, neste cenário, de dois fatores principais: o comportamento de oferta por parte dos produtores e a disponibilidade de armazéns credenciados pela Conab e interessados em depositar o produto dos mecanismos do governo.

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