Leilões pautam o mercado de arroz

Os leilões de contratos de opção estão regulando e estabelecendo referencial para o mercado de arroz no Sul do Brasil, mesmo com a colheita entrando no seu pico.

A colheita de arroz nos três principais estados brasileiros está chegando ao seu pico. Desta vez, no entanto, ao contrário dos anos passados, o mercado nacional segue com preços em ascensão pelo referencial estabelecido pelos leilões de contratos de opção realizados semanalmente pela Companhia Nacional de Abastecimento. A disponibilidade de mecanismos de comercialização como os AGFs, EGFs, CPR e Pré-comercialização, estão garantindo ao produtor alternativas importantes de capital para não vender o produto.

A expectativa é de que o leilão de mais 90 mil toneladas de arroz gaúcho, na próxima semana, dê suporte a mais uma alta, mesmo que nominal, nos preços do produto.

A oferta na maioria das regiões é baixa, principalmente na Campanha, onde houve redução importante na área, e Depressão Central. Todavia, a partir desta quarta-feira, com o bom tempo garantindo novo ritmo à colheita gaúcha, o mercado se tornou mais ofertado em regiões como a Fronteira-Oeste (Uruguaiana, principalmente) e no Litoral Norte (Capivari do Sul e Santo Antônio da Patrulha), até com alguma pequena redução nos valores ofertados pelas indústrias. Na Depressão Central, negócio confirmado de 21 mil sacos de arroz, padrão para tipo 1, por R$ 20,00 líquidos ao produtor nesta semana.

O preço médio da saca de 50 quilos, com arroz de 58% de grãos inteiros, é de R$ 20,50 no Rio Grande do Sul. Pelotas, Camaquã, Uruguaiana e Itaqui pagam até R$ 21,50 para o produto colocado na indústria, dependendo do padrão. Itaqui e São Borja cotam em R$ 22,00 as variedades nobres (BR IRGA 409 e IRGA 417), R$ 21, 00 a R$ 21,50 em Alegrete e R$ 24,00 a R$ 25,00 no Litoral Norte.

OUTROS ESTADOS

No Mato Grosso os preços da saca de 60 quilos do arroz Primavera, com mais de 50% de inteiros, se mantém com preços firmes entre R$ 22,00 e R$ 23,00 nos municípios de Sinop e Sorriso. Chega a Cuiabá entre R$ 25,00 e R$ 26,00, com valorização para o produto de melhor qualidade. Há dificuldade de frete, pois os caminhões são disputados com a safra de soja, e muita reclamação em algumas regiões pela baixa qualidade do produto de algumas lavouras. A produtividade também não é das melhores. Algumas lavouras, no entanto, estão garantindo produtividade e qualidade acima do esperado. Esta semana, um volume significativo de arroz Primavera, com 59% de grãos inteiros, foi comercializada a R$ 29,50, preço final em Cuiabá.

Em Santa Catarina, o mercado é estável, com preços apresentando uma gradual elevação, mesmo que em passos mais lentos do que no Rio Grande do Sul. Nas principais regiões produtoras, os preços oscilam entre R$ 19,50 e R$ 20,50. A safra está na reta final e a produtividade e qualidade do arroz estão dentro do esperado. O produtor vem ofertando pouco e manteve-se atento aos mecanismos de comercialização. Nos leilões da Conab, praticamente não houve ágio nos contratos negociados em Santa Catarina.

INDÚSTRIA

A indústria gaúcha aproveita a safra para restabelecer seus estoques, mas continua sem grande sucesso na tentativa de repassar a recuperação de preços para o varejo. Melhorou o movimento de compras nesta segunda quinzena, por parte das redes varejistas, mas ainda não tanto quanto esperado. O fardo de 30 quilos do arroz tipo 1, gaúcho, é negociado entre R$ 28,50 e R$ 39,00 (final São Paulo), dependendo da marca. O preço mais usual é R$ 32,50. A saca de 60 quilos do produto beneficiado é negociada entre R$ 42,00 e R$ 43,00 no mercado gaúcho.

DERIVADOS

A última quinzena apresentou mais um ligeiro aquecimento no mercado do canjicão de arroz, principalmente por conta da demanda para exportação. O Brasil exportou mais de 450 mil toneladas de arroz (base casca), sendo que mais de 80% deste volume foram quebrados, principalmente para a África. Se a safra gaúcha confirmar-se de tão boa qualidade quanto as primeiras lavouras, será o terceiro ano consecutivo de valorização dos quebrados no mercado. A demanda é tão boa que na última semana duas representações comerciais africanas desembarcaram no Rio Grande do Sul em busca de contratos para importação do produto. Agentes de mercado acreditam que os números da Conab, que prevê exportação de 250 mil toneladas para 2007, será superados com folga.
A quirera é comercializada a R$ 20,00.

TENDÊNCIAS

A aceleração da safra gaúcha tende a forçar a oferta. Ainda há problemas de armazéns no estado e isso pode interferir segurando um pouco os preços. A expectativa maior diz respeito ao leilão de contratos de opção da próxima semana. Os produtores esperam comercialização total dos contratos e prêmio adequado, como forma de assegurar mais um ajuste no valor de mercado em relação ao preço mínimo. Do leilão, do clima (para definir o ritmo de colheita) e da oferta do produtor, depende a formação de preços na próxima semana. A menos que o varejo resolva comprar de maneira intensa, o que nenhum analista arrisca a estimar.

Deixe um comentário

Postagens relacionadas

Receba nossa newsletter